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Coluna de Padre Luciano Guedes: O Dispensário São Vicente de Paulo

Pe. Luciano Guedes da Silva. Publicado em 20 de setembro de 2019 às 12:16

O socorro aos desamparados pela Igreja em Campina Grande vem de longas datas.  Foi fundada aqui em 1912 a obra “Deus e Caridade”. Tratava-se de uma sociedade beneficente para acudir os indigentes de toda sorte. Funcionou provisoriamente à Rua Treze de Maio, depois na Rua Irineu Joffily e finalmente teve sede própria construída no patrimônio da Igreja do Rosário, precisamente atrás desta, à Rua da Cadeia.

Em 1925 havia 360 sócios contribuintes. Eram cidadãos abnegados, ocupados com a causa do bem e da solidariedade. Forneciam alimentos, remédios, meios de transportes para os hospitais da Paraíba e do Recife.

 Em 1929 foi iniciada, através desta sociedade, a construção do “Asilo de Mendicinidade Deus e Caridade” às margens do Açude Velho. A década de 1930 era marcada por grande seca em toda Paraíba. A cidade de Campina Grande foi abrigo para muitos infelizes advindos de localidades extremas e diversas. Daí a alma campinense ter sido   forjada como hospitaleira por abrir caminhos para o recomeço de muitas pessoas aqui chegadas.

Os famintos multiplicavam-se com a estiagem prolongada em todo centro do Estado. Sensibilizado com tamanha desassistência e miséria, o vigário da Matriz, o Cônego José de Medeiros Delgado, com o auxílio dos vicentinos da paróquia, instalou em 1931 o Dispensário de São Vicente de Paulo, conhecido como o “Dispensário dos Pobres”.

A partir de 1936, o Padre Delgado, mantendo entendimentos com o Arcebispo Metropolitano, Dom Moisés Coelho e a Madre Superiora, Irmã Antoniette Blanchet, Provincial em Recife das Filhas de São Vicente de Paulo, solicitou a vinda destas para dirigir o Dispensário dos Pobres em Campina Grande.

Com a chegada das Filhas de São Vicente de Paulo – sendo inicialmente quatro irmãs – e aprovação da assembleia geral, a instituição de caridade passou a ser dirigida pelas religiosas, como permanece até os nossos dias. Além dos cuidados com os idosos, o Asilo ampliou em todas estas décadas a assistência às famílias carentes, à infância e à profissionalização com o apoio da sociedade campinense e dos entes governamentais, tornando-se um farol de graça e de misericórdia que marca a nossa história eclesial.

Ao prepararmos a celebração dos 250 anos da Igreja Matriz de Campina Grande faz-se importante recontar esse caminho feito por muitos corações inflamados de amor ao evangelho e à causa dos esquecidos.

Escutemos nosso Senhor Jesus Cristo na narrativa do último julgamento: “Vinde benditos do meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive fome me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me acolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e vieste ver-me” (cf. Mt 25,34-36). Por todos estes que plantaram a Igreja e sua obra redentora nesta cidade, o nosso reconhecimento e gratidão!

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