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Coluna de Padre Assis: São Pedro e São Paulo colunas da Igreja de Cristo

Padre José Assis Pereira. Publicado em 29 de junho de 2019 às 10:33

A Liturgia desde o século III une na mesma celebração a memória dos dois grandes apóstolos Pedro e Paulo como mestres inseparáveis e confessores da fé, colunas da Igreja. Pedro era natural de Betsaida, onde exercia a profissão de pescador. Jesus o chamou e confiou-lhe a missão de guiar e confirmar os irmãos na fé. É uma das primeiras testemunhas de Jesus ressuscitado e, como arauto do Evangelho, toma consciência da necessidade de abrir a Igreja aos gentios (At 10-11).

Paulo de Tarso, perseguidor da Igreja, converte-se no caminho de Damasco. A partir daí, a sua cultura e brilhantismo são postos ao serviço do Evangelho. Fortemente apaixonado por Cristo, percorre o Mediterrâneo para anunciar o Evangelho da salvação, especialmente aos pagãos. Depois de terem sofrido toda a espécie de perseguições, ambos são martirizados em Roma por volta do ano 64 d. C. Regando com o seu sangue o mesmo terreno, “plantaram” a Igreja de Deus.

Na Igreja que é comunidade viva de fé, se fundem o divino e o humano, o agora e a eternidade. Por isso, o Concilio Vaticano II (1962-1965) chamou a Igreja de “realidade complexa” (Lumen Gentium, 8). Quanta confiança teve Jesus na criatura humana pecadora e frágil ao plantar sobre ela o Reino dos Céus e unir-se a ela, e com ela formar um só corpo (LG, 3).

A festa de hoje é a festa da unidade. Como dizemos na nossa profissão de fé: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. O fato de Jesus fundar a Igreja sobre uma pessoa, embora sem dar-lhe responsabilidade única no seu destino, vem nos lembrar que Jesus quis uma Igreja una. Não devemos, porém, pensar na unidade como um bloco, onde se perdem as individualidades. Nem devemos pensar a unidade como sinônimo de uniformidade, onde todos, em todos os lugares do mundo, pensam e fazem exatamente a mesma coisa e da mesma maneira.

Sobre a Igreja desceram os dons do Espírito Santo podemos então dizer que ela é uma pluralidade de situações, de vocações, de ministérios ou serviços, que não se opõem à unidade mais profunda em Cristo. Em sua diversidade, e não apesar dela, é que somos um em Cristo e no Povo de Deus, “um só corpo e um só espírito”.

Na Igreja, pode haver diversidade nos métodos de vida, nos ritos litúrgicos, no pensamento teológico e ainda diversidade ideológica. Essa diversidade, sadia e desejada, se chama muitas vezes de pluralismo, que cada um pode enriquecer a comunidade cristã, proclamando a mesma fé, vivendo a mesma esperança, participando do mesmo batismo, unidos no mesmo pão e repartindo o mesmo amor ao Senhor e ao próximo. A unidade de Pedro e Paulo bem nos pode servir de incentivo. Os dois Apóstolos, tão diferentes entre si na personalidade, na formação, no temperamento, encontram-se um ao lado do outro na unidade da fé no mesmo Senhor.

A festa de hoje é também a festa da fé: Fé pessoal de Pedro e de Paulo em Jesus; fé proclamada e ensinada por ambos, até a morte; fé confessada e testemunhada, dia após dia, entre perseguições até o martírio. A fé em Pedro é, talvez, um processo contínuo, desde o primeiro encontro com Cristo, à beira-mar da Galiléia, até a resposta entusiasmada no Evangelho de hoje (cf. Mateus 16, 13-19): “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.

No caso de Paulo, mais do que um processo, a fé é uma irrupção, luminosa, no caminho de Damasco. Essa fé em Jesus Cristo irá se aprofundando com os anos, e em suas cartas como na carta a Timóteo (cf. 2Tm 4,6-8.17-18) ele já no fim da vida, abre a alma para Timóteo e diz: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Nessa fé pessoal, mais forte do que a morte, ambos fundam o seu ensinamento e seu testemunho.

Testemunho que nas palavras do Papa Francisco, sucessor de Pedro é fruto de uma experiência de amor: “Para a testemunha, mais do que um personagem da história, Jesus é a pessoa da vida: é o novo, não o já visto; a novidade do futuro, não uma lembrança do passado. Por isso, não é testemunha quem conhece a história de Jesus, mas quem vive uma história de amor com Jesus. Porque, no fundo, o que a testemunha anuncia é apenas isto: Jesus está vivo e é o segredo da vida”.

A Igreja, portanto, se constrói assim, pela fé e pela experiência de amor e de perdão com Jesus Cristo, o Messias, o Filho do Deus vivo. Ele é a pedra angular, recusada pelos homens, mas escolhida por Deus. A este Jesus, rejeitado por aqueles que não quiseram crer nele, Deus o constituiu Senhor e Messias. Não é o que outros dizem de Deus o que dá firmeza a nossa fé, mas a experiência pessoal dele. A partir dessa experiência de amor, desse encontro pessoal com Cristo que poderemos confessar nossa fé, não como algo imposto ou recebido por tradição familiar, mas como um compromisso de aceitação madura do Senhor em nossa vida, selando sem hipocrisias, uma verdadeira aliança e comunhão de vida pessoal com Ele.

Jesus hoje continua a nos perguntar: “Para vocês quem sou eu?” A resposta a esta pergunta não podemos dá-la só com as palavras, mas com a vida. Se o Senhor ocupa o centro de nossa vida estaremos com Ele em uma verdadeira relação de amor e comunhão pessoal. Sua vida e sua missão serão nossa vida e nossa missão. Nosso compromisso não é só de oração e de relação intima com o Senhor, mas também de amor convertido em serviço aos irmãos.

Por fim, a festa de hoje é a festa da apostolicidade: A apostolicidade é uma das características da verdadeira Igreja de Cristo. A sua condição de apostólica significa que: A Igreja tem origem em Cristo por meio da palavra e do testemunho dos Apóstolos; Por expressa vontade de Cristo, que é o cimento invisível e a pedra angular da Igreja, esta tem como fundamento visível da unidade e permanência a “cátedra” e sede apostólica de São Pedro e seu sucessor, o Papa, bispo de Roma; Apostolicidade quer dizer, também, fidelidade à missão transmitida por Jesus à sua Igreja que é a evangelização do mundo. Só assim a Igreja será apostólica em plenitude: porque acredita, mantém e difunde a fé em Cristo, recebida do anúncio e testemunho dos Apóstolos, sobretudo o martírio.

Na festa de São Pedro e São Paulo, lembramos com carinho o Papa Francisco, sucessor de São Pedro no governo da Igreja e herdeiro do espírito universalista de São Paulo, que sempre nos recorda que a Igreja deve estar em saída e que o Evangelho deve ser pregado a todos em todos os tempos e lugares, mas sobretudo nas periferias do mundo. Ao Santo Padre dirigem-se as palavras do evangelho de hoje, com a mesma força com que foram dirigidas a Pedro em Cesaréia de Filipe. Ele tem a missão de ser “o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos bispos, quer da multidão dos fiéis” (LG 23). Que Cristo dê ao Santo Padre força na sua missão e vida longa ao sucessor de Pedro.

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Padre José Assis Pereira

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