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Coluna de Padre Assis: Ressuscitou o Bom Pastor

Padre José Assis Pereira. Publicado em 12 de maio de 2019 às 9:06

No quarto Domingo da Páscoa a Liturgia nos apresenta o Cristo Ressuscitado como o Bom Pastor. Esta imagem sempre tirada do capítulo 10 do Evangelho de São João é um dos mais doces e ternos títulos cristológicos. Esta imagem de Deus como pastor, carrega consigo uma longa história e aparece em inúmeras ocasiões ao longo do Antigo Testamento, onde o próprio Deus aparece como o Pastor por exelência de Israel, isso marcou profundamente a piedade daquele povo e a piedade cristã.

Os cristãos vemos em Cristo o Bom Pastor que é capaz de dar a vida por seu rebanho. Desde a antiguidade nas catacumbas de Domitila em Roma, os cristãos representaram Jesus como um jovem pastor que leva sobre os ombros a ovelha perdida.

É próprio do pastor conhecer seu rebanho. Esta figura Jesus a utiliza para si mesmo no evangelho (cf. Jo 10,27-30) para se referir ao amor que Deus nos tem: o amor de um pastor que conhece suas ovelhas. Deus nos ama assim: “Minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”.
Que Jesus quer ser o Bom Pastor de todos não temos duvida mas, nós queremos ouvir a sua voz e sermos de verdade ovelhas de seu rebanho? Porque é evidente que para que Jesus possa ser realmente nosso Pastor, temos que nos deixar ser suas ovelhas, quer dizer, escutar sua voz e segui-lo.

“Eu conheço minhas ovelhas”. “Conhecer” implica uma relação íntima e profunda: o amar, desejar o bem da pessoa amada, cuidar, sentir afeto por ela; quer dizer, só se pode chegar a conhecer uma pessoa no âmbito da relação íntima e pessoal. Quanto mais uma pessoa é conhecida dessa maneira por Jesus, em virtude do caráter recíproco de toda relação pessoal, entra também no mundo da sua intimidade, lhe escuta com atenção e lhe segue com fidelidade e alegria.

No evangelho de João, o “conhecer” quase se identifica com o crer. Jesus tem confiança em suas ovelhas, porque as ama e sente-se amado por elas. E, sobretudo, as ovelhas confiam nele. O pastor conhece as ovelhas, porque elas lhe pertencem, e elas o conhecem porque elas são as suas ovelhas. O conhecer e o pertencer são propriamente uma e a mesma coisa.

O verdadeiro pastor não “possui” as ovelhas como uma coisa qualquer, que se pode usar e gastar; elas “lhe pertencem” precisamente no se conhecerem, e este “conhecer” é um acolhimento interior. Significa um pertencer interior, que vai muito mais além do que a posse de coisas. Procuremos tornar isto claro com um exemplo da nossa vida. Nenhum pessoa “pertence” a outra como uma coisa, como uma propriedade.

Deus é um Bom Pastor que nos conhece em profundidade. Não nos conhece superficialmente, só de nome ou de ver-nos algumas vezes pela Igreja ou por aí. Deus nos conhece no mais profundo de nosso ser. Nos conhece inclusive melhor que nós mesmos. Por isso Ele sabe melhor que nós mesmos o que necessitamos e o que nos convém. E assim, Ele nos pode guiar até os bons pastos que necessitamos. Não somos para Deus simplesmente um a mais de um rebanho imenso. Cada um de nós somos suas ovelhas preferidas. Nos ama com um amor pessoal. Nos conhece tanto que sabe inclusive de nossos pecados e de nossas misérias, por mais que queiramos ocultá-las diante dele.

Mas nossos pecados não nos apartam desse amor de Deus, é tão grande esse amor que nos tem que apesar de nossas faltas e misérias Ele segue nos amando cada dia mais. Assim, Cristo é na verdade o Bom Pastor que dá a vida por nós que somos suas ovelhas, para resgatar-nos e levar-nos aos bons pastos do céu. Ele, ao dar sua vida na cruz, nos deu a vida eterna, a vida onde “nunca mais terão fome nem sede. Nem molestará o sol nem algum calor ardente.” Porque Cristo, o Cordeiro, (cf. Ap 7,9.14b-17) com seu sangue lava as vestes dos cristãos.

O Cordeiro Pascal, é um Cordeiro que também é Pastor e que nos conduz às fontes de água viva. Não encontraremos melhor pastor que aquele que dá a vida do céu: “Eu lhes dou a vida eterna.” Isso é o que movia as pessoas que se encontravam com Jesus a crer nele. Na confiança está a raiz de nossa fé. Confiamos nele e o seguimos porque sabemos que no seu chamado há um convite a ser felizes de verdade, não a uma felicidade passageira que nos dá as coisas do mundo, mas a felicidade completa.

“Ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai.” Jesus enfim nos disse que estamos nas mãos do Pai e que ninguém pode cuidar de nós com mais ternura e solicitude que Ele. Esta é uma verdade consoladora para todos os que cremos na bondade de um Pai misericordioso e atento às nossas necessidades. Em alguns momentos, a vida pode chegar a ser muito dura para qualquer um de nós: as enfermidades, os problemas familiares e sociais, o desemprego, a violência etc., podem envolver-nos e nos sacudir com violência e desconcertar-nos em alguma ocasião.

Parece que quando nos começa a afundar o chão e que vamos cair no vázio, a certeza de que ao nosso lado, nos levando pela mão está um Pai-Bom Pastor que nos protegerá e nos livrará de todos os perigos, é uma certeza evidentemente consoladora. Não nos vai livrar das dificuldades, mas nos vai dar força para vencê-las. A vida vai seguir sendo dura, mas nós vamos estar sustentados e animados por um Espírito que nos dá fortaleza e sustenta nosso esforço. Estamos em boas mãos e podemos descansar vigilantes e tranquilos.

Se somos realmente discípulos e discípulas, se conhecemos e se ouvimos a voz de Jesus, isto é, se somos ovelhas desse tão bom Pastor deixar-nos-emos pastorear, conduzir tendo a segurança de estar em seus braços e de onde ninguém nos poderá roubar.

Como Igreja temos necessidade de pastores que nos recordem o vigor, a coragem, a ternura e as atitudes do Bom Pastor. “Pastores com cheiro das ovelhas e sorriso de pai”. Todos recordamos essas palavras ditas pelo Papa Francisco expressando que ele quer para sua Igreja padres com cheiro de ovelhas e não padres entediados, nem pastores que deixem um rastro de perfume caro. Quer dizer, que o Papa quer que os padres sejamos próximos, simples e humildes, comprometidos com os problemas das pessoas; não quer padres que esperem, entrincheirados na sacristía ou num gabinete, mas sim que saiam e se impliquem e se compliquem diretamente com os problemas do povo.

O Papa Francisco não quer isto por capricho, ou por “snobismo”, mas sim porque sabe que assim fez Jesus, o Bom Pastor. Ele não se refugiou no templo, ou na sinagoga, mas Ele mesmo percorreu os caminhos da Galiléia, pregando o reino de Deus, curando enfermos, aproximando-se com amor das pessoas mais marginalizadas e desprotegidas. Assim o indicam suas parábolas sobre a ovelha perdida, o filho pródigo, sua atitude diante da mulher pecadora e tantos outros gestos de proximidade.

Peçamos neste dia mundial de oração pelas vocações pastores conforme o coração do Bom Pastor para a sua Igreja.

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* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

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