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Campina Grande - PB

Coluna de Padre Assis: O mandato universal: Ide e anunciai o Evangelho

12/05/2018 às 10:48

Fonte: Da Redação

Por Padre José Assis Pereira

O Sétimo Domingo da Páscoa celebra a Ascensão do Senhor que encerra um ciclo que começou quando Jesus desceu do céu, nasceu da Virgem Maria, morreu crucificado, ressuscitou e agora volta ao Pai. Volta para onde estava, e continua a sua missão com o dom do Espírito Santo, que celebramos no dia de Pentecostes no próximo Domingo.

Contamos nos textos da Liturgia da Palavra com um principio e um final. Leem-se os primeiros versículos do Livro dos Atos dos Apóstolos (cf. At 1,1-11) e os últimos do Evangelho de São Marcos (cf. Mc 16,15-20). Nos Atos narra-se de maneira muito plástica a subida de Jesus aos céus e no texto de Marcos se lê sua impressionante despedida.

São Lucas une o episódio da Ascensão, que marca o fim das aparições do Ressuscitado e o nascimento da Igreja. Ele começa o livro dos Atos com a referência ao mesmo fato com que tinha terminado seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel importante, a ligação e a distinção entre a história de Jesus e a história da Igreja que então tem seu inicio. Da dramatização Lucana da exaltação e glorificação de Jesus Cristo nasce a festa litúrgica da Ascensão do Senhor.

É fácil se imaginar os Apóstolos olhando admirados os céus, onde talvez numa nuvem, o Senhor Jesus desapareceu de seus olhos. “Dois homens vestidos de branco”, como os que tinham aparecido no sepulcro na manhã da Páscoa, os despertam do assombro em que estavam e promete-lhes: “Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que o vistes ir para o Céu.” (At 1,11) E, então compromete a todos: “Sereis minhas testemunhas… até os confins da terra”. (At 1,8)

A Ascensão lembra-nos que somos enviados de Cristo para continuar e completar a sua obra neste mundo. Não podemos ficar parados, olhando para o Céu. Deixar de olhar para o céu, não significa transformar o cristianismo numa ONG, mas empenhar-se em encontrar Cristo na Palavra; em comunidades, recuperando nossa verdadeira identidade de seguidores e seguidoras de Jesus e com a coragem de ir pelo mundo anunciando a grandeza única de Jesus e fazendo discípulos para o Reino. E Cristo garante-nos: “Estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos”.

Acabou o tempo de Cristo na terra. A partir desse momento, começou nosso tempo, o tempo da Igreja. É hora da Igreja e do Espírito. É hora da maturidade. É hora de evangelizar, de ser testemunhas de Cristo Ressuscitado. Deus quis deixar conosco todo o protagonismo. Graças ao relato de Lucas nos Atos conhecemos a vida dos primeiros cristãos, os inícios fundacionais, as linhas mestras que haveriam de caracterizar para sempre o estilo de todos os cristãos da história. Nesses primeiros tempos, sob a pregação apostólica e a especial assistência do Espírito Santo, se marca para sempre a direção pela qual logo a Igreja iria caminhar. Daí que permanentemente voltamos às origens para adequar o presente.

Jesus confia a seus apóstolos a missão de evangelizar, é o mandato missionário universal: “Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15); e lhes prometeu, além disso, que “estes são os sinais que acompanharão aqueles os que tiverem crido: em meu nome expulsarão demônios, falarão em novas línguas, pegarão em serpentes, e se beberem algum veneno mortífero, nada sofrerão; imporão as mãos sobre os enfermos, e estes ficarão curados”. (Mc 16, 17-18)

Efetivamente a evangelização não deixa as coisas como estão. A evangelização hoje é também igualmente acompanhada por sinais que causam tanta admiração quanto os “sinais” descritos em Marcos: “Expulsar demônios”: é a ação que liberta do poder do mal que sufoca a vida, combatendo e eliminando tudo o que despersonaliza, oprime, aliena e marginaliza as pessoas; falando “novas línguas”, isto é comunicando-se de um modo novo, falando a mesma linguagem da verdade que nos liberta, a linguagem do amor. “Pegar em serpentes ou beber veneno”: é não deixar-se envenenar nem envenenar a convivência com tudo aquilo que é mentira, que arruína as relações entre as pessoas, é ser consciente que o anúncio do Evangelho sofre oposições, com Jesus foi assim, mas Deus não permitirá que a morte seja a última palavra. “Curar os enfermos”: é uma especial comunhão com a prática de Jesus, que optou pelos sofredores, é ter atenção e acolhida com as pessoas excluídas, sobretudo os idosos, enfermos e doentes.

Ide e anunciai o Evangelho… sereis minhas testemunhas”. Somos chamados a ser testemunhas do Ressuscitado. Onde? Não há limitação de espaço e tempo: em toda circunstância; em todos os ambientes; em todas as relações que se possam estabelecer, a condição de testemunho é fundamental. Não se trata de falar do que ouvi, do que me contaram, mas sim do que experimentei.

Na missão de ser testemunhas “estão presentes os cenários e desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova ‘saída’ missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, nós todos somos convidados a aceitar esta chamada. Sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.” (Papa Francisco, “Alegria do Evangelho” n. 20)

Jesus envia seus discípulos e a nós a anunciar a alegria do Evangelho através do testemunho missionário. Mas para que a tarefa seja mais fácil, o Senhor nos envia o seu Espírito, que nos fortalece na missão. Vinde Espírito Santo!

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