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Coluna de Padre Assis: Maria, uma mulher exaltada por Deus

Padre José Assis Pereira. Publicado em 17 de agosto de 2019 às 16:16

As comunidades eclesiais sempre se identificaram com a Virgem Maria, pois ela além de ser a Mãe do Salvador é também a irmã e companheira de nossa caminhada, que vive os dramas de toda a comunidade cristã, que acompanha os irmãos e irmãs na fé nos momentos difíceis da tentação, do desencorajamento, da luta contra o mal. Aclamada de geração em geração, nela as comunidades cristãs descobrem a raiz do seu ser Igreja e de sua missão no mundo. 

Ignoramos como e quando se deu os últimos dias e a morte da Mãe de Jesus e os evangelhos nada afirmam a esse respeito. No entanto, desde o final do século IV temos referências a um túmulo vazio em Jerusalém e a celebração de uma festa da “dormição de Maria”. Pouco a pouco esse tema da “dormição” é substituído pelo da “assunção”.

Mesmo sem um consenso sobre o que teria acontecido com a Mãe de Jesus no final de sua vida, a devoção a sua “assunção” ao céu, glorificada junto de Cristo, sempre foi uma crença geral do povo cristão. Porém só em 1950 é que o Papa Pio XII proclamou o “dogma” da Assunção da Virgem Maria ao Céu.

Deus realiza acontecimentos maravilhosos servindo-se de instrumentos sem valor aos olhos das pessoas. Maria pertence à categoria destes instrumentos frágeis, humildes e pobres com os quais Deus opera as suas maravilhas. Através de Maria, Ele realizou o acontecimento mais extraordinário da história: deu aos homens o seu próprio Filho.  

O Filho de Deus encarnado e glorificado por sua Ressurreição retorna para a condição de onde veio. Já Maria, é assumida (assunta) por Deus na sua glória. Ela não entra no âmbito da eternidade por sua própria conta, mas sim devido à ação salvífica de Deus. Portanto, não se compreende a assunção de Maria, como se ela subisse ao céu com o corpo que possuía aqui na terra. 

A assunção é a participação de Maria na ressurreição de Cristo. Não se trata de uma viagem, de um mero deslocamento e sim de uma transformação da realidade humana. O corpo de Jesus ressuscitado, como o de Maria assunta ao céu, não é como o de Lázaro (Jo 11,43-44) ou do filho da viúva de Naim (Lc 7,13-15).

Essas pessoas, mais cedo ou mais tarde, voltaram a morrer, e seus corpos se degradaram. O corpo de Maria, ao contrário, foi transformado e assumido por Deus, embora não saibamos os detalhes. Importante é crer que Maria já está glorificada junto de Deus, toda inteira. Ela já está vivendo o que está prometido para cada um de nós: participar da vida eterna. 

Cremos que Maria está junto de Jesus, glorificada por inteiro. Deus assumiu e transformou toda a sua história e seu corpo. Portanto, a verdadeira glória de Maria consiste na participação na glória de Deus, no ter sido envolvida por ela. No ser de agora em diante “cheia de toda a plenitude de Deus” (cf. Ef 3,19).

A assunção da Virgem Maria é um grande mistério que diz respeito a cada um de nós, ao nosso futuro e da Igreja que chegará à sua plenitude nos tempos futuros. E já desde agora, Maria brilha diante do povo de Deus peregrino neste mundo, como sinal de esperança. Sinal de Deus para a Igreja, que caminha na história, em meio a tantos desafios externos e conflitos internos. Como nos diz o Concilio Vaticano II:

“Do mesmo modo que a Mãe de Jesus, já glorificada no céu em corpo e alma, é a imagem e primícias da Igreja, que há de atingir a sua perfeição no século futuro, assim também já agora na terra, enquanto não chega o dia do Senhor (cf. 2Pd 3,10), ela brilha, como sinal de esperança segura e de consolação, aos olhos do Povo de Deus”. (Lumen Gentium LG n. 68)

A página evangélica (cf. Lc 1, 39-56) da festa da Assunção de Maria descreve o encontro entre Maria e Isabel, ressaltando que “naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia” (v. 39). “Naqueles dias, Maria corria rumo a uma pequena aldeia nos arredores de Jerusalém para se encontrar com Isabel. Hoje ao contrário, contemplamo-la no seu caminho rumo à Jerusalém celeste, para se encontrar finalmente com a face do Pai e para rever o rosto do seu Filho Jesus.

Muitas vezes na sua vida terrena Ela tinha percorrido regiões de montanha, até a derradeira e dolorosa etapa do Calvário, associada ao mistério da paixão de Cristo. hoje vemo-la chegar à montanha de Deus, ‘revestida de sol, com a lua aos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas’ (Ap 12,1) – como reza o livro do Apocalipse – e vemo-la ultrapassar o limiar da Pátria celestial”. (Papa Francisco)

Ninguém sofreu tanto com Jesus como Maria e, por isso, ninguém é mais glorificado com Jesus do que ela. Mais em que consiste essa gloria de Maria? Ela foi a primeira que acreditou no Filho de Deus, a primeira que subiu ao Céu em alma e corpo. A primeira que recebeu e levou ao colo Jesus, quando Ele era ainda um Menino, a primeira que foi acolhida pelos seus braços para ser introduzida no Reino eterno do Pai.

Precisamente porque acolheu e viveu o Evangelho, Maria, uma jovem humilde e simples de um povoado perdido na periferia do império romano, é recebida por Deus para permanecer por toda a eternidade ao lado do trono do Filho. É assim que o Senhor “derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes” (v. 52). 

O “Magnificat”, canto da Virgem Maria na casa de Isabel “leva-nos a pensar nas numerosas situações dolorosas da atualidade, em particular nas mulheres esmagadas pelo peso da vida e pelo drama da violência, nas mulheres escravas da prepotência dos poderosos, nas meninas forçadas a trabalhos desumanos, nas mulheres obrigadas a render-se no corpo e no espírito à ganância dos homens.

Possa chegar quanto antes para elas o inicio de uma vida de paz, de justiça e de amor, à espera do dia em que finalmente se sentirão arrebatadas por mãos que não as humilham, mas com ternura as erguem e as conduzem pelo caminho da vida, até o Céu. Maria, uma Menina, uma Mulher que sofreu muito na sua vida, faz-nos pensar nestas mulheres que hoje sofrem tanto”. (Papa Francisco)

Também a Virgem Maria faz-nos pensar com sentimentos de gratidão em todas as mulheres: mães, irmãs, esposas; mulheres consagradas a Deus na virgindade; mulheres que se dedicam a serviço de tantos seres humanos, mulheres que cuidam do ser humano na família, que é o sinal fundamental da sociedade humana; mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, às vezes, carregam uma grande responsabilidade social; mulheres “perfeitas” e pelas mulheres “fracas” e “a Igreja agradece todas as manifestações do gênio feminino surgidas no curso da história, no meio de todos os povos e nações; agradece todos os carismas que o Espírito Santo concede às mulheres na história do Povo de Deus, todas as vitórias que deve à fé, à esperança e caridade das mesmas: agradece todos os frutos de santidade feminina” (João Paulo II, “Mulieris dignitatem”).

Nossa gratidão a todas as mulheres Igreja, ao contemplar a mulher bendita entre todas as mulheres da terra, exaltada por Deus, sinal de esperança para todos nós que peregrinamos neste mundo, até que chegue o dia do Senhor.

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* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

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