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Coluna de Padre Assis: Experiência pascal na comunidade cristã

Padre José Assis Pereira. Publicado em 27 de abril de 2019 às 12:07

Hoje concluímos a Oitava Pascal. Durante estes oito dias celebramos a alegria da Ressurreição como se tratasse de um só dia: “Este é o dia que o Senhor fez para nós.” (Sl 117) A partir deste Domingo, continuamos com a cinquentena pascal, os cinquenta dias pascais vividos como se fosse um só dia, que se concluirá com a solenidade de Pentecostes. Hoje, oito dias depois da Ressurreição, o Evangelho (cf. Jo 20,19-31) nos relata a aparição do Ressuscitado aos apóstolos e a experiência pascal de Tomé na comunidade. Celebramos também o Domingo da Misericórdia, festa instituída por são João Paulo II.

Celebramos o Domingo, dia do Senhor Ressuscitado. Cristo é percebido presente entre seus discípulos reunidos “na tarde do primeiro dia da semana”. Nós desde então nos reunimos no Domingo, dia Senhor. Obrigação de amor, na verdade é um prazer e não mera obediência a uma lei, um preceito ou mandamento.

A missão dos discípulos resulta do sucesso da Páscoa. A Igreja se crer de verdade na ressurreição, tem que aproximar-se dos extremos da miséria humana; ali está seu campo de missão, seu trabalho de fazer ver que a mensagem pascal é transformadora, coerente e válida.

O ter experimentado o encontro com o Senhor, vendo-o vivo, no meio da comunidade, na fraternidade próxima, deixando-se ver e tocar, nos permite descobrir que na história, todo ser humano é necessário. Em nossa fé devemos viver na certeza de sabermos amados e descobrir que cada um de nós somos chamados a compartilhar experiências concretas de Evangelho na história, fazer verdade e encarnar a alegria do Evangelho no momento presente.

Ante tudo encarnar a misericórdia que se nos é dada, por pura gratuidade, misericórdia e compaixão de nosso Senhor. Ele nos chamou à fraternidade, a ser irmãos e irmãs e nos fez participes de seu amor. Assim apalpamos sua presença, tocamos sua pessoa, vemos o Senhor.  Em sua misericórdia gozamos do perdão. Foi-nos dado como garantia sua Palavra e abertos os olhos para ver, sobretudo nos irmãos que sofrem por qualquer causa, o verdadeiro rosto de Deus.

Sem nos fecharmos no medo do que é diferente ou desconhecido. Pois toda grupo ou comunidade humana fechada em si mesma, narcisista, talvez esteja necessitando de ares novos, os ares com cheiros distintos, da multidão de pessoas que em sua dignidade reclamam e necessitam o Senhor Ressuscitado, deste Senhor Misericórdia infinita que nos distingue e conhece. Fazendo-se irmão, irmã, pai

ou mãe em cada necessidade humana. Devolvendo-nos nossos próprios rostos. O rosto que, em cada um de nós, o Pai descobre a seu próprio Filho.

Na passagem do Evangelho de hoje (cf. Jo 20,19-31) escutamos um relato de duas aparições do Ressuscitado na comunidade dos discípulos de Jesus. A comunidade é o lugar do encontro com o Senhor. Necessitamos como Tomé descobrir a verdade do Ressuscitado que vive na comunidade e em cada um dos irmãos e irmãs. É preciso destruir toda fechadura, todo ferrolho que impede abrir-nos à história presente em que vivem as comunidades e que celebram  a presença do Senhor. Cada comunidade, sua história e sua vida  é a referência pessoal,  local e universal para cada um dos seguidores de Cristo.

A fé em Jesus vivo e ressuscitado consiste em reconhecer sua presença na comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde Ele se manifesta e de onde irradia seu amor e sua paz. Tomé representa a figura daquele que não faz caso do testemunho da comunidade, nem percebe os sinais da nova vida que nela se manifestam. Em lugar de integrar-se e participar da mesma experiência, pretende obter uma demonstração particular e privada: “Se eu não vir a marca dos pregos e não puser a mão no seu lado não acreditarei.” (v. 25) Não quer aceitar que Jesus vive realmente e que o sinal tangível disso é a comunidade que agora se encontra reunida e afirma: “Vimos o Senhor!” A comunidade cristã reunida é o meio e a prova que as gerações posteriores terão para saber que Jesus vive realmente.

É muito difícil encontrar-se com Jesus fora da comunidade. Tomé teve que voltar à comunidade e foi ali onde ele teve sua experiência pascal: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel.” (v. 27) O erro de muitas pessoas é retirar-se às suas solidões como fez Tomé no principio. Só na comunidade podemos compartilhar, celebrar, amadurecer e testemunhar nossa fé. Valorizemos mais que nunca quão privilegiados somos por haver visto a Jesus e por ter uma comunidade onde compartilhamos nossa fé. Só se permanecemos unidos faremos sinais e prodígios, ajudaremos aos que sofrem e seremos capazes de dar um sentido autêntico a nosso mundo perdido e desorientado.

Vimos também no Evangelho como os discípulos estavam “fechados” por medo (v. 19). A morte do Senhor havia deixado os discípulos sumidos no medo. Se Deus não está conosco, nos vem os temores. Mas no meio da casa, ainda que as portas estivessem fechadas, Cristo Ressuscitado apareceu, lhes dá sua paz “e os discípulos se enchem de alegria ao ver o Senhor.” (v.20) A alegria é o sinal de identidade dos cristãos, pois nós cremos em um Deus que está vivo e presente entre nós. Cumpriu-se o que Jesus havia dito: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo.” (Mt 28,20) Cristo, depois de sua morte, não nos abandonou, mas permanece ao nosso lado para sempre. E esta é a maior das alegrias que podemos ter. Já não há mais medo, pois Cristo vive.

Cristo nos traz a paz, pois se o pecado é o ódio, a inveja, o egoísmo, a soberba e tantas outras coisas que nos levam à morte, a Ressurreição venceu o pecado, e por isso Cristo Ressuscitado é portador da paz. È a paz do coração, a paz que nos une de novo a Deus e aos outros, dos que nos havíamos separado por culpa do pecado. Todos nós necessitamos da alegria e da paz que Cristo nos traz com sua ressurreição.

Vivamos com alegria esta festa da Páscoa. Cristo Ressuscitado nos dá paz e alegria, perdoa para sempre nossos pecados e nos fez renascer de novo. Não sejamos como Tomé, que necessitou de uma prova tangível para crer na ressurreição. Vivamos com fé este tempo de alegria. Cristo vive entre nós, Ele deu sua vida por nossos pecados e voltou à vida. “Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! Eterna a sua misericórdia!” (Sl 117)

 

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* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

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