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Coluna de Padre Assis: Cristo Ressuscitou pela força do Amor

Padre José Assis Pereira. Publicado em 20 de abril de 2019 às 13:39

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

Hoje ecoa este alegre anúncio: a vida venceu a morte. Jesus, que venceu as sombras da morte, vive glorioso.

Nos relatos sobre a ressurreição do Senhor, uma das tradições é a que se fundamenta na experiência de não encontrar Jesus no túmulo onde o haviam sepultado, ao amanhecer do primeiro dia da semana. O texto evangélico de João 20, 1-9 narra como Maria Madalena e, nessa mesma manhã, Pedro e o discípulo que Jesus amava, constatam que o Senhor não estava no túmulo e, a partir deste momento, creem e correm a anunciar o que viram. A força do relato como ponto de partida de uma experiência de fé não se baseia na constatação da ausência do corpo, mas sim em certos sinais que para eles foram contundentes para assim entender que se havia cumprido o que Jesus lhes havia anunciado: a pedra retirada e a forma em que estavam os panos e o sudário que haviam envolvido o corpo de Jesus.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes diz: ‘Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram’” (vv.1-2).

Esta atitude de Maria, correr, é sinal evidente de que seu coração batia fortemente por Jesus. O amor não faz esperar. Maria corre e vai informar aos discípulos que o túmulo está vazio. Esta carreira insinua seu amor pelo Senhor. Assim Maria se apresenta junto a Pedro e ao discípulo amado como símbolo e modelo do autêntico discípulo do Senhor, que deve ser sempre movido por um amor vivo.

Maria é movida por uma fé viva no Senhor Jesus e assim personifica todo discípulo de Cristo, que reconhece no crucificado o Senhor, o Filho de Deus e vive para Ele. Para a fé e o coração desta mulher, a morte de Jesus na Cruz e sua sepultura revelaram o seu Amor mais forte que a morte. Para Maria o amor nunca morre.

As mulheres discípulas de Jesus dentre elas Maria Madalena estiveram de vigia naquela noite, preparando bálsamos e perfumes, elas juntamente com a Mãe de Jesus não perderem a fé nem a esperança. Desse modo, não ficaram prisioneiras do medo, mas às primeiras luzes da aurora, passado o sábado, saíram levando nas mãos os seus perfumes e com o coração perfumado de amor, vão oferecer um último gesto de amor.

Maria indo ao túmulo quando ainda estava escuro o dia e triste e obscura sua alma, parece aludir à

amada que no livro do cântico dos cânticos procura o amado: “durante a noite saí à procura do amado da minha vida. Eu procurei, mas não o encontrei!” (cf. Ct 3,1). Era o amor o que lhe dava luz para levá-la ao seu amado. Ela, portanto, simboliza a esposa, a Igreja que procura o esposo, o seu Senhor. Os dois finalmente se encontram. Quem ama não mede esforços para estar com o amado, não existe obstáculos para encontrar o amado: vai buscá-lo ou encontrá-lo onde quer que esteja, mesmo que seja em uma sepultura! Maria expressou o amor que nutria por Jesus nos vários detalhes de seu comportamento. Porém, ela não é nenhuma amante de Jesus, como quer fazer crer certa literatura sensacionalista de hoje, mas representa o amor que vê. O amor revela o amado ao (à) amante.

Maria Madalena busca o corpo de Jesus no túmulo, mas o encontrará Ressuscitado. Nós também procuramos a Deus entre os mortos quando nos entregamos ao negativismo, ao pessimismo, à desesperança, preocupados apenas com nossas perdas, nossas carências, nossos desencontros. Preocupamo-nos demais com a pedra da entrada do túmulo, quando deveríamos estar atentos para reconhecer Jesus Ressuscitado. A fé que transporta montanhas abre a morada dos mortos.

Também nós, como Pedro e as mulheres, não podemos encontrar a vida, permanecendo tristes e sem esperança e permanecendo aprisionados em nós mesmos. Mas abramos ao Senhor os nossos sepulcros selados, cada um de nós os conhece, para que Jesus entre e dê vida, levemos-lhe as pedras dos ressentimentos do passado, as rochas pesadas das fraquezas e das quedas. Ele deseja vir e tomar-nos pela mão, para nos tirar para fora da angústia. Mas a primeira pedra a fazer rolar para o lado é a falta de esperança, que nos fecha em nós mesmos. O Senhor nos livra desta terrível armadilha: sermos cristãos sem esperança, que vivem como se o Senhor não tivesse ressuscitado e o centro da vida fossem os nossos problemas.” (Papa Francisco)

Saíram, então Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.” (vv. 3-4) Eles não permanecem indiferentes, tomam a sério o anúncio. Correram, não é verdade que correr é próprio de quem ama? Para quem está apaixonado, não há obstáculo que não vença para encontrar a pessoa amada.

O discípulo amado vê um pouco mais que Maria que só havia visto a pedra retirada do túmulo, “ele viu os panos de linho por terra, mas não entrou” (v. 5). Pedro vê ainda um pouco mais que o discípulo amado: “Simão Pedro, entra no túmulo viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, dobrado num lugar, à parte”. (v. 7) Este detalhe quer indicar que o cadáver do Mestre não havia sido roubado.

O “túmulo vazio” é símbolo do mistério da morte e do seu silêncio; insinua-nos o assombro e a perplexidade de que o Senhor não está no sepulcro; não pode estar ali aquele que é a Vida e que por amor entregou a vida para sempre. O túmulo vazio não é a prova da ressurreição de Jesus, é simplesmente um sinal de que Ele venceu a morte e João compreende o sinal: “Entrou o outro discípulo, ele viu e acreditou” (v. 8).

O discípulo amado “viu” e “acreditou” na Escritura que anunciava “ele devia ressuscitar dos mortos” (v. 9). Não necessitou de mais nada para crer. A associação entre o “ver” e o “crer” formará de agora em diante um dos temas centrais do resto do evangelho de João, descrevendo as diversas aparições do Ressuscitado aos discípulos.

É tremendo o poder e a força do amor. Por isso, é importantíssimo selecionar e cuidar dos nossos amores. Porque aonde nossos amores nos levam, ali mergulhamos de cabeça. A Maria Madalena se lhe havia perdoado muito, porque havia amado muito; João era o discípulo amado do Senhor, Pedro o que havia negado Jesus e depois diante do ressuscitado declarará também o seu amor ao Senhor (cf. Jo 21,15-17). Os três eram discípulos do amor. Se nós queremos ressuscitar de nossas imensas travas interiores, se queremos viver como pessoas ressuscitadas, temos que por em nosso corpo as asas do amor ao Cristo, ressuscitado pelo Deus do amor.

Provavelmente, aos cristãos de hoje nos falta mais amor que doutrina. Muitas vezes queremos nos distinguir pela beleza de nossa liturgia, e isto é bom. Mas, o que, de verdade deve distinguir-nos, cristãos dos não cristãos, é o nosso amor a todos, sobretudo aos mais pobres e necessitados. Nisso conhecerão os outros que somos discípulos do Ressuscitado, aquele que passou pelo mundo fazendo o bem e curando os oprimidos, como disse São Pedro na casa do centurião Cornélio, primeiro pagão a receber o anúncio da fé cristã. (cf. At 10,38-39)

Cheios de alegria pascal, sejamos nós também portadores da esperança e da boa nova do Amor: “O Senhor Jesus ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!”

Feliz Páscoa!

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* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

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