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Coluna de Josemir Camilo: Thélio Farias, o novo cavaleiro andante das Letras

Josemir Camilo. Publicado em 5 de setembro de 2019 às 12:43

Registro, aqui, meu discurso na abertura da sessão solene da Academia de Letras de Campina Grande (ALCG), na posse de Thélio Queiroz Farias, em 04 de setembro de 2019, não tanto para saudar o ‘empossante’, porque isto ficaria a cargo do acadêmico, poeta José Edmilson Pereira Rodrigues, mas para dar um panorama lítero-cultural de nossa Casa.

Senhoras e senhores, demais autoridades, quero saudar a mesa na pessoa do presidente da OAB, seccional de Campina Grande, Dr. Jairo Oliveira, a quem agradecemos a cessão de tão acolhedor auditório. Nesta noite, damos prosseguimento à tradição do ritual de posse de um novel acadêmico, com o intuito de mantermos a perenidade desta jovem instituição, a ALCG,

“Escrever não é dialogar com os vivos; é dialogar com os mortos” (X. Koan), e, daí, invocamos a memória dos patronos e confrades que festejariam o mês da primavera ou teriam sido colhidos nos braços de Morfeu, para entrar no Jardim de Academus. Entre nossos imortais de setembro, lembramos a partida do professor e poeta Mauro da Cunha Luna (23/09/1943), patrono da cadeira do novel acadêmico, Thélio Farias. Mauro Luna foi o primeiro campinense eleito para a Academia Paraibana de Letras, mas não chegou envergar a toga literária daquela casa, colhido pela ceifadora impiedosa. Lembramos, também, da partida recente do nosso imortal poeta, José Laurentino (15/09/2016). No entanto, setembro tem sido mais provedor de patronos e acadêmicos, como Antônio Benvindo de Vasconcelos (29/09/1951), pai do fundador desta casa, Amaury de Vasconcelos. Também nos trouxe ao mundo o maior historiador campinense, este leal forasteiro, areiense, de berço, Elpídio Josué de Almeida (01/09/1893) e o duplamente combatente, em versos e bravura ‘febiana’, Félix de Souza Araújo (22/09/1922). A missão desta Casa é ser guardiã dos literatos do passado, suas memórias e seus escritos, como de dois dos nossos antecessores setembrinos: Luiz Gil de Figueiredo (17/09/1895) e Lino Gomes da Silva (23/09/1864).

Nesta noite se realiza a nona posse em pouco mais de dois anos, com a entrada deste jovem intelectual, Thélio Queiroz Farias. A ALCG se enriquece com a entrada do cavaleiro que, ao desembarcar, nos corredores da Furne/sede nossa provisória, trazia duas caixas grandes cheias de livros, de sua (pa)lavra. Com esta nova posse, a ALCG chega ao 120º intelectual campinense ou leal forasteiro, entre patronos e acadêmicos historicamente empossados. E vem, o brilhante Thélio, a aumentar a pequena elite dos produtores de literatura de nossa Cidade e Casa, onde será recebido pelos best writers (Ariano não me permitiria tal expressão) Elizabeth Teixeira, José Nêumanne Pinto, Aílton Elisiário, José Mário da Silva Branco, Bruno Gaudêncio e o verdadeiro best seller, da saga caririzeira, o confrade Efigênio Moura, os que lideram a produção literária, sem contar com a produção discursiva (com a data vênia dos Analistas do Discurso e os da Semiologia) exuberante em retórica, do nosso fundador, Amaury Vasconcelos.

Nesta semana que passou, fiz uma visita longa à APL, verificando o quanto nos falta para sermos uma Academia ‘de vero’, olhando, lá, a galeria dos Patronos, dos presidentes e de todos os sócios que passaram à imortalidade. Urge um projeto para magnifica construção da memória de nossa Casa, mas, urgente e sempre é a aquisição de uma sede própria, em que paredes possam guardar para a posteridade nossa memória literária.

A Academia, se no primeiro semestre administrou internamente a Casa, burocraticamente preparou o terreno para novas semeaduras, como a do rebento Thélio Farias e, neste segundo semestre, entrou definitivamente no roteiro das feiras literárias. Encontra-se a Diretoria e alguns membros da Casa em completa agitação para atender a demanda da FLIBO, FLIC e da nouvelle étoile, FLAREIA; além de atender outras representações, como as comemorações dos 42 anos da Academia Paraibana de Letras Jurídicas, na capital, onde foi prestada uma digníssima homenagem ao nosso decano, confrade Aílton Elisiário de Sousa. Alguns membros de nossa diretoria estarão em mesas redondas nestas feiras, bem como será prestada uma homenagem ao imortal Amaury Vasconcelos, na cidade de Areia, a Atenas Paraibana, durante a FLAREIA, pelo confrade Dr. Evaldo Dantas da Nóbrega, ocupante da cadeira que foi do nosso fundador.

Além destas atividades, teremos ainda mais três posse de noveis acadêmicos: em outubro, será a vez de nossa acadêmica eleita, a cronista e memorialista pernambucana, radicada em Campina Grande, Valéria Vanda Xavier Nunes; em novembro, é a vez do cearense, também aqui radicado, o professor e cronista Jurani Clementino, neto do compositor gonzaguiano Zé Clementino. Um quarto candidato eleito, Thomas Bruno, deverá tomar posse ainda este ano, conforme rezam estatuto e regimento da Casa.

Também, na semana passada recebi um honroso diploma de sócio correspondente do IHAGGO (Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana-PE), que foi fundado em 1870 e vem tentando ressurgir das cinzas. Lá, na leitura do meu currículo, a mestre de cerimônia me apresentou como historiador e ‘escritor’ e Presidente desta Casa (a ALCG). O que tem me levado à reflexão.

Neste sentido, para finalizar, costumo me desafiar como a suposta máxima do filósofo enigmático, brandido na introdução desta curta fala: “O literato diz: ‘O historiador, em seu métier, é um mentiroso por conta própria, tentando agradar um certo grupo’. O historiador, por sua vez, afirma: ‘o literato é um mentiroso por conta própria, tentando agradar a todos’”. Confesso que só busco aprender: “Como literato, fui envenenado pelo soro metodológico da História. Esterilizado pela Verdade”. Mentir (é trabalhar com a mente, como preconiza o guru indiano, Krishnamurti): Mentir é preciso, para que haja Literatura! Muito obrigado.

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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