Fechar

logo

Fechar

Coluna de Josemir Camilo: Sócio Correspondente do IAHGP (II)

Josemir Camilo. Publicado em 4 de fevereiro de 2019 às 15:23

Foto: Paraibaonline

Foto: Paraibaonline

Por Josemir Camilo

Dando continuidade à representação goianense e paraibana a que assumi, referencio, aqui, a figura do maior historiador paraibano, dentro dos padrões da historiografia do seu tempo, Maximiano Lopes Machado, um dos grandes intelectuais, sócios do IAHGP (Instituto Arqueológico, Histórico, e Geográfico Pernambucano).

Filho de portugueses residentes na cidade da Paraíba do Norte, diplomou-se em Direito, em Olinda, na turma de 1844.

Nomeado promotor público daquela cidade, aí permaneceu, até ser nomeado juiz municipal na recém emancipada cidade de Areia, no brejo paraibano.

Além disto, foi nomeado delegado da cidade e havia sido eleito deputado provincial, quando lhe sobreveio a notícia da rebelião Praieira e, durante a refrega, a morte de Nunes Machado.

Saíra, totalmente, do sistema, rebelando-se e juntando com as forças que sobraram de praieiros pernambucanos, escondidas na Paraíba, enfrentou a gente do Partido Conservador.

Também ficara sabendo da morte de João Roma, ferido em Pernambuco e falecido em Alagoa Grande. Ferido e preso, em Pernambuco, para onde tinha fugido, foi solto por habeas corpus e se refugiou pelo interior do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

É sintomático que Joffily, em suas memórias, relate que, quando criança, em terras da fazenda do pai, viu passar a tropa derrotada dos praieiros, sem no entanto, afirmar se Maximiano fazia parte da estropiada gente.

Anistiado em 1852, Machado passou a morar em Campina Grande, botando banca de advogado, onde deve ter promovido seu livro publicado, um ano, antes, “Quadro da Revolta Praieira”.

Aí, cumpriu a segunda meta da vida liberal, deixou um filho de igual nome. Por essa vila, elegeu-se deputado provincial, em duas legislaturas. Mudou-se, em 1862, para o Recife, para ensinar na Escola Normal e passou a escrever nos jornais locais.

Foi eleito deputado, dois anos depois de chegado, por três legislaturas seguidas, voltando em 1878. Tornou-se, não só, membro do IAHGP, como fez parte de sua diretoria.

Publicou, em capítulos na Revista dessa Casa o seu “História da Província da Paraíba”, que permaneceu inédita, na Paraíba, até 1912, quando o governador, seu sobrinho, Dr. João Lopes Machado, autorizou a publicação. Parece, ter, também escrito um romance, inédito, sobre os acontecimentos públicos, na década de 1820, em Pernambuco.

No entanto, por ser paraibano e formado na mesma casa em que se formou Irenêo Joffily, desafetos os dois, na questão do mapa da Paraíba, não se pode dizer que houve favorecimento, ou rejeição, por parte de Maximiano Machado, quanto ao material fóssil que Joffily mandar ao IAHGP.

Ficara para trás a polêmica sobre os limites da Paraíba, quando Joffily, percorrendo os sertões da Paraíba, a cavalo, discordou do mapa de Cândido Mendes e Homem de Mello.

E não fora a primeira vez que, a cavaleiro (literalmente) Joffily teria feito incursões geográficas pelo sertão. Ora, desde o surto de cólera, nos anos 1850, que atingiu sua família, vitimando o pai, Joffily, foi a cavalo, viver e estudar em Sousa; depois, visitara Fortaleza, e por fim, gostava de andar a cavalo, visitando lugares de disputas de limites, chegando ao Pico do Jabre (Teixeira-PB), de onde poderia avistar os limites com Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Machado publicara, em 1871, o “A Paraíba e o Atlas do Doutor Cândido Mendes” e “Uma Carta Geográfica da Província da Paraíba”, do Barão Homem de Mello. Irenêo Joffily, após suas viagens, foi um dos que se insurgiram contra o que se propagava como mapa da província.

No entanto, Maximiano Lopes Machado não aceitou as observações de Joffily, criticando-o, alegando que suas notas foram tomadas como ‘touriste’, que ele fizera um périplo a cavalo pelo interior da Paraíba, baseado só na empiria. Era a polêmica da historiografia produzida em gabinete e a pesquisada, também, empiricamente.

Quem analisou esta polêmica, evitando se posicionar, foi Capistrano de Abreu em seu prefácio ao livro de Joffily, “Notas sobre a Paraíba”, em 1892. Segundo o historiador paraibano, José Octávio, também sócio correspondente desta Casa, Machado seria um historiador, ainda das ideias iluministas, enquanto Joffily seria do cientificismo, do positivismo.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Josemir Camilo
Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube