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O Capitólio em Tela

Josemir Camilo. Publicado em 27 de abril de 2018 às 7:58

O tema do Cine Capitólio volta como um seriado tardio. Coloco o assunto em tela, quer dizer, em rede, e aparecem opiniões fragmentadas.

Bom, qual é o impasse do Capitólio?

Os amigos perguntam qual a minha opinião. Já estou nesta luta por estudos e preservação desde o fim da década de 90, quando a Procuradoria do Patrimônio pediu o apoio do Departamento de História e Geografia da UFPB, campus II (hoje, UAH – Unidade Acadêmica de História/UFCG), para um levantamento e estudos do patrimônio histórico e arquitetônico de Campina. Pessoalmente, vou mais longe, me situando quando ocupei a direção do Museu Histórico, em 1986. Não falo tanto como leigo. Aprendi muito com o pessoal do IPHAEP, onde até cheguei a apresentar comunicação sobre o patrimônio industrial de Campina. Mais recentemente, participei das discussões, em 2010, sobre um projeto da administração de Veneziano, mas que não vingou por ter alguns desvios, que o IPHAEP rejeitou. Se não me engano, neste, o cinema seria aproveitado como um cinema educativo, para a Rede municipal. Ultimamente, gestão Romero, foi feito outro projeto, com certa aparência suntuosa, internamente, se não me engano, mas que fugia da filosofia do ‘pé direito’ (coisa que foi até respeitada, na adaptação do Cine Babilônia, para uma galeria).

Alguns expoentes culturais da cidade, cujo paradigma do que deve ser tombado, é só o seu, terminam por embolar o meio do campo. Algumas pessoas ainda se comportam como no começo da década anterior, quando a polêmica surgiu. De um lado, a favor de derrubar, para revitalizar, modernamente, o espaço, estão os cassistas, já que o prédio foi adquirido, se não me engano, na administração Cássio Cunha Lima, por 600 mil reais; do outro, os defensores da restauração do edifício e de sua função, liderado por pessoas da universidade; e talvez, um terceiro grupo, os anti-cassistas, já que o cinema havia sido, anteriormente, tombado pela gestão Maranhão.

Outros evoluíram um pouco desta visão política maniqueista e querem manter algo que lembre o antigo cinema, mas modernizado para outras funções, inclusive com duas salas de cinema (último projeto). No que eu me pergunto: para que diabo, a prefeitura quer adquirir duas salas de cinema, se, no passado se desfez, exatamente, do Cinema 1 e do Cinema 2 (Teatro Rosil Cavalcanti e Câmara Municipal, hoje, respectivamente)? Repassar ao gestor privado pode ser uma dor de cabeça. A discutir. Temos dificuldade de engolir um equipamento/monumento (que alguns chamam de ‘dos burros’), aquele polêmico, do Açude Velho, e quem passa, acha que é de outra entidade, porque a prefeitura não teve fôlego ($$$) para geri-lo.

No debate, pela rede, (ou)vi alguns comentários, como o da campinense e escritora radicada em São Paulo, Iêda Lima que defende “… tirar o Cine Capitólio da lista de patrimônios culturais que se encontram abandonados ou esquecidos”. E acrescentou: “Como Campinense, que vivenciou os momentos de ouro do Capitólio, assistindo os melhores filmes nacionais e internacionais na década de 60, recebo essa iniciativa do IPHAEP com muita alegria e renovo a esperança na vitória dos que defendem a memória histórica de Campina Grande!” Em seguida, mostra a campanha que em São Paulo se fez para revitalizar o fechado cinema “Belas Artes”, na Consolação com a Paulista (coração de São Paulo). Ela diz que a luta foi vitoriosa e “mereceu o devido tratamento menos pela sua arquitetura e mais pelo que representou e ainda representa para a história da cidade. A sua recuperação e reabertura foi motivo de luta e comemoração. Espero que o Capitólio tenha tratamento semelhante. É certo que os recursos públicos são escassos e devem ser priorizados para manter o emprego, a saúde e a educação. Mas, um povo que não preserva a sua história cultural alimenta a sua pobreza. O povo Campinense é altivo e culto e, por isto mesmo, tenho confiança que a mídia e entidades como o Instituto Histórico de Campina Grande abracem essa causa do Capitólio”.

A revitalização do Capitólio era o sonho do Dr. Virgílio Brasileiro, também. Não se trata, primeiramente, do estilo arquitetônico, mas da memória afetiva, coletiva e do significado cultural, que o cine teve para a sociedade campinense, onde ocorria de formaturas de corte e costura e outras, até convenções partidárias. E, principalmente, que foi adquirido como um ‘próprio’ municipal. Não foi este o caso do Babilônia, que foi privatizado.

Pois é! Agora tombado, como Patrimônio cultural, pelo IPHAEP, não pode ser tombado – derrubado – pela PMCG, sua dona. E o jovem historiador e professor, Marcos Aurélio Dantas me pergunta: vai ficar assim (nesse impasse)? E eu só respondo, no momento: Historiador estuda só o passado, mas o cidadão pode ser proativo.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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