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Campina Grande - PB

Coluna de Josemir Camilo: Mestra Dorziat

04/03/2018 às 16:34

Fonte: Da Redação

*POR: Josemir Camilo

Era assim que a conhecíamos, professora Josefa Dorziat Quirino Barbosa, nos anos 80, pelos corredores da UFPB, no Centro de Humanidades, embora sem interação nossa, departamentos outros.

Esta não é uma memória legítima, como aquelas de quem privou de sua intimidade e do seu trabalho, que, logo, florescerão na imprensa e colóquios, como os que virão da lavra da cara confreira Elizabeth Marinheiro e do confrade José Mário da Silva, ambos da Academia Paraibana de Letras. Peço desculpas ao leitor, mas é apenas um registro para o acervo memorial da Academia de Letras de Campina Grande

Josefa Dorziat ocupava a cadeira de nº 34, cujo Patrono é Paulo Pontes. Modesta, em seu discurso de posse, aos 70 janeiros, admitia que fora eleita para ALCG por seus dotes de mestra da língua portuguesa e, não por ser escritora. Fora recebida no Jardim de Academus, em 1994, por sua então madrinha, Vanda Elizabeth. Tinha pela frente uma tarefa árdua, decifrar o mago do teatro seu Patrono.

Adotara Campina e a cidade a adotou; gerações passaram por seus ensinamentos. Contam-me os mais antigos, já que forasteiro sou, que desde os tempos inaugurais do Gigantão da Prata, depois, das meninas da Escola Normal, da antiga Universidade Regional do Nordeste (atual UEPB) e as universitárias do antigo campus II da UFPB (hoje, UFCG).

Atuando no Núcleo de Estudos linguísticos e Literários, órgão, que sob a batuta de Elizabeth Marinheiro nos doou o Dicionário Biobibliográfico do Autor da Microrregião do Agreste da Borborema, Dorziat foi uma das organizadoras dos verbetes, junto com Ranulfo Cardoso e Ricardo Soares (este, hoje, também da ALCG)

A notícia nos pegou de surpresa, porque a prezada confreira morava em João Pessoa; embora em idade avançada (95 anos?), falamos, há uns meses, por telefone, e ela demonstrava interesse em adquirir os escritos de Raimundo Asfora. Grande mestra!

No dia de sua passagem à imortalidade, a ALCG rememorava o natalício do Patrono da Cadeira nº 09, o pernambucano, Clementino Gomes Procópio, cuja primeira ocupante foi a paulistana, Déa Borba Cruz e a atual é a alagoana, Mabel Teixeira de Amorim e Almeida, a Vice-Presidente da Academia. Nossa Academia tem sido, desbravadamente, Nordestina. Campina é o ímã, que atraiu também Josefa Dorziat.

A Academia esteve presente, no Monte Santo, à despedida da nobre confreira, mestra Dorziat, que passou à imortalidade. Espera-se que, dentro em breve, sua Cadeira seja ocupada por quem a reverencie e trace todo o itinerário desta que foi a cuidadora (ela, em discurso de posse, se disse ‘polícia’) da língua. Saudades de quem plantou o bem!

Parece que a vida emitia um sinal de congraçamento para grandes intelectuais que fecundam o pensamento campinense ou, pelo menos, a cultura campinense, pois a partida da cara confreira nos remete a um dos mais ricos meses dentro do onomástico da Academia, o de março.

Josefa Dorziat Quirino Barbosa se junta numa festa memorialística aos grandes nomes de forasteiros e nativos que fizeram, neste mês, por nascimento ou partida, a glória da cidade, como Clementino Gomes Procópio, José Joffily Bezerra, Raymundo Yásbeck Asfora (de quem era admiradora), Ruben Agra Saldanha, Argemiro de Figueiredo, Ascendino Virgínio de Moura, Anésio Ferreira Leão, Antônio Juarez Farias, Elpídio Josué de Almeida, Zé da Luz, Ronaldo José da Cunha Lima e Maria Molina Ribeiro.

Que a memória do passado literário e cultural da cidade seja cultuada, agora mais, com o glamour de uma noiva, em vestido grená, em partida para se unir definitivamente ao noivo, conforme, tão bonito, se despediu a família, lágrimas postas.

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