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Coluna de Gisa Veiga: Feminista de batom vermelho e salto alto

Gisa Veiga. Publicado em 7 de março de 2018 às 8:24

Por Gisa Veiga (*)

O dia 8 de março está se aproximando e, com ele, as sempre previsíveis comemorações e debates em torno da condição feminina, equidade de gênero e militância feminista.

Bom que seja assim. Porque a mulher continua ganhando menos que os homens, de modo geral. E não são apenas os 30% tão apregoados – e que já são um absurdo. Segundo uma pesquisa publicada no mais recente número da revista Veja, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, no final de 2016 “o holerite dos homens com diploma universitário era 75% mais alto que o das mulheres na mesma situação”. Verdadeiramente, uma anomalia sem qualquer explicação plausível e convincente. Seria porque engravidamos? Querem que paremos de parir? Mirem-se no exemplo da China, cuja política de apenas um filho por família, que durou muitos anos – agora são dois filhos – gerou um sério problema social e de gerações.

Mas voltemos à nossa condição de mulheres e a intermivável luta por igualdade de direitos e equidade. Por muitos anos o feminismo era sinônimo de agrupamentos de mulheres mal amadas, feias, zero vaidade, pouco femininas ou quase sempre homossexuais. E essa visão foi largamente estimulada pelos homens, a ponto de várias mulheres terem vergonha de se afirmarem como feministas. “Sou feminina”, afirmavam – e ainda afirmam, pasmem – muitas delas, como se ser feminina fosse uma condição excludente para ser feminista.

Sou feminista, sim, sou feminina também, gosto de salto alto, maquiagem, de me vestir bem, adoro ser mãe, paparicar filhos e companheiro, e agora minha netinha bebê. Mas não integro nenhum grupo feminista por razões outras. Acho que ainda há equívocos e exageros, algumas vezes doutrinamento e patrulha – até mesmo na área sexual – que não funcionam nem comigo nem com muitas outras mulheres ativas, independentes e modernas que são, por seu próprio discurso e prática, feministas na essência – defensoras dos direitos das mulheres, que protestam contra abusos, preconceitos e injustiças e lutam por um ambiente corporativo e social mais justo e equilibrado.

Não gosto de radicalismos, respeito as diferenças, embora nem sempre concorde com elas. Posso não entender muito bem a escolha de uma mulher ser dona de casa em tempo integral, mas ainda bem que superei meu preconceito em relação a isso exercitando a sororidade. E, sim, acho que a mulher deve ter liberdade para ser “apenas” mãe. Sem ser vergastada por isso.
Neste dia 8 de março, celebremos a perseverança feminina rumo à superação dos inúmeros obstáculos e preconceitos que nos cercam, em suas mais diversas formas. E que não tenhamos mais vergonha de nos assumirmos feministas, como se, ao assim fazermos, perdêssemos nossa sensibilidade, vaidade, feminilidade e docilidade. Não! Se é para tirar o salto alto, que seja apenas para descansar os pés. Mesmo que a vontade seja a de arremessá-lo sobre o primeiro que nos tentar subjugar.

(*) Jornalista

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Gisa Veiga

Gisa Veiga é jornalista profissional (formada pela UFPB) e advogada (formada pelo Unipê), com experiência em jornalismo impresso, internet, televisão e assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa e apresentadora do programa Sobretudo, da TV Master.

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