Coluna de Estevam Fernandes: Sem Fantasias, Sem Ilusões!

Estevam Fernandes. Publicado em 23 de fevereiro de 2020 às 16:18

Alguns dizem que a vida é uma fantasia; uma grande ilusão. Assim, milhares de crianças lotam as esquinas dos grandes centros urbanos, desfiguradas e sem fantasias, tentando sobreviver no país das ilusões.

Os jovens, numa proporção dramática, estão sendo consumidos pela ilusão das drogas, aderindo à fantasia dos psicotrópicos. Os idosos, coitados, são os que mais conhecem o gosto amargo da ilusão, porque, em geral, foram abandonados pelos seus.

O Brasil é o país que sabe vestir fantasias e fabricar ilusões. A Polícia nas ruas dá-nos a ilusão de segurança; as escolas inauguradas, a ilusão da educação; os políticos no poder, a ilusão da justiça social; a expansão imobiliária, a ilusão da casa própria para todos; a previdência social, a ilusão de uma velhice tranquila; o cartão de crédito, a ilusão do poder de compra; a cultura religiosa, a ilusão da espiritualidade; os hospitais construídos, a ilusão da saúde; a instalação de processos investigatórios e a crescente e contínua impunidade para muitos comprovadamente corruptos e, portanto, culpados.

Enfim, tem razão os que afirmam que tudo é fantasia, ilusão! O país do Carnaval é conhecido por seu povo alegre e aparentemente feliz, mas convive passivamente com gritantes desigualdades de diferentes naturezas.

A folia nas ruas, e a tristeza no coração; a fantasia no corpo, e a angústia na alma; o trio elétrico na avenida, e a solidão nos lares; o barulho das música nos salões, e o silêncio nos quartos solitários; as ruas ornamentadas, e a vida desfigurada; a harmonia nas escolas de samba, e a discórdia nas famílias desestruturadas; a euforia do momento, e a desesperança quanto o amanhã.

Isso porque a alegria verdadeira não pode ser encontrada jamais nas passarelas da folia nem nas fábricas da ilusão! Ela nasce no coração de quem possui a Cristo e uma vida plena de sentido. Essa alegria é bela em si mesma, e dispensa fantasias.

Ela não aparece ocasionalmente pelo consumo de um produto de empresas de euforia; é como um rio perene que sobrevive no verão e transborda no inverno. A alegria verdadeira passeia pelos corredores da vida e faz da existência uma grande celebração. É o reflexo de um interior cheio de beleza. É o barulho de um cálice transbordante. É a paz de um coração feliz.

Precisamos, isto sim, de esperança para alimentar nossos sonhos, de lares restaurados para que nossos jovens experimentem a alegria e a liberdade sem as algemas das drogas, do álcool e da solidão por carência afetiva.

Precisamos, urgentemente, da paz vencendo a violência, do triunfo de uma felicidade que não seja apenas coreográfica; mas que seja gerada em nós pela presença de Deus, a fonte da verdadeira alegria. Somente quando nos vestimos com a beleza da fé é que a nossa vida adquire um colorido especial, qual o arco-iris no amanhã com o céu nublado. Com Deus, nossa existência se torna uma grande celebração.

Por fim, a essência da alegria de uma pessoa não pode depender daquilo que é construído em cima de fantasias e ilusões, como uma casa edificada sobre a areia. A felicidade verdadeira não pode durar apenas três dias.

De tão grande, ela não cabe apenas nos sambódromos da vida; de tão necessária, ela precisa desfilar por toda a existência; de tão urgente, ela não pode esperar pela agenda do próximo ano, do próximo Carnaval.

A vida tem pressa e é a felicidade que confere o devido sabor à nossa frágil e efêmera existência. Viva a vida! Seja bem vindas nas passarelas da nossa alma tudo e todos que geram a esperança d e uma alegria consistente, e uma genuína experiência de felicidade – sem fantasias, sem ilusões!

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Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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