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Coluna de Estevam Fernandes: O remédio para a alma

Estevam Fernandes. Publicado em 27 de maio de 2019 às 15:53

Vivemos tempos difíceis. Todos sabemos disso. O mundo está enfermo. As epidemias se espalham por toda à parte, não selecionando as diferenças sociais, financeiras ou geográficas. É a globalização das doenças e de quebra, do sofrimento também. Tanto faz primeiro ou terceiro mundo; não faz diferença se é bairro nobre ou periferia, as lágrimas estão por toda à parte. Não somente o corpo padece, a alma também. As pessoas estão enfermas na sua interioridade. Muita gente possui feridas abertas dentro de si. Muitos derramam lágrimas silenciosas.

Quer na família, no trabalho ou nos encontros sociais, estamos sempre nos deparando com alguém muito triste, deprimido, agressivo, rancoroso, mesquinho. O certo é que a incidência de pessoas emocionalmente enfermas é impressionante. Muitos estão vivendo sem qualquer alegria, fragilizados em sua auto-estima. Desmotivados.

Inúmeras são as tentativas de explicação para tamanha tragédia existencial, tendo em vista a complexibilidade da vida humana. Todavia, há um fator que me parece estar no centro de muitas destas enfermidades da alma: a nossa incapacidade de amar. Ocorre que a experiência do amor só é vivida em plenitude associada a uma outra: a do perdão. O perdão liberta; o amor cura! Logo, a incapacidade de liberar perdão está na gênese de muitos outros distúrbios emocionais, familiares e psicossomáticos.

Famílias são desagregadas; sonhos desmoronam rapidamente; relacionamentos significativos são quebrados; o rosto, antes marcado pelo sorriso, agora é o reflexo de tristeza e amargura. O que está por trás de tudo isso senão a falta de amor, como conseqüência prática da ausência do perdão? Liberar o perdão é promover a liberdade da alma; negá-lo, é aprisionar a alegria e adoecer o coração.

Somente o perdão tem poder de quebrar nossas amarras interiores. Ele é uma espécie de detergente d’alma, lavando as impurezas que os sentimentos mesquinhos, que se formam ao longo dos anos, transformando o coração num depósito de lixo afetivo, poluindo a existência e infectando a vida.

Sem a liberação do perdão viveremos sempre aprisionados por correntes que nós mesmos nos permitimos colocar, e mergulhamos numa existência escura, sem brilho algum. Nossos dias, tornam-se densos; as noites, sem paz; as manhãs, sem esperança. Liberar o perdão é resgatar o arco-íris, como sinal de alegria que brota outra vez.

Pessoas que resistem ao perdão – tanto em conceder como em pedir –, via de regra, são pessoas infelizes, muito embora a maioria delas consiga fingir, canalizando para as coisas materiais sua atenção, tornando-se escravas da aparência, da superficialidade, experts na arte de representar. Mudam o foco da vida, concentra-se nas coisas.

Em tempos de epidemias generalizadas é preciso (e necessário) encontrar o remédio que cure os doentes, e uma vacina que imunize outros, preventivamente. Assim, também, deve ser o cuidado com a alma. Nenhum remédio possui a força terapêutica do amor, e nenhuma vacina é tão eficaz quanto o perdão. O amor cura a alma de suas feridas, e o perdão é a vacina que a imuniza da escravidão dos sentimentos mesquinhos.

A única força capaz de fazer o amor brotar no coração e o perdão ser liberado, é a força da graça de Deus em nós. Se o amor cura, e o perdão liberta, só Deus, portanto, é a fonte do verdadeiro amor e do pleno perdão. Na verdade, Deus é o médico da alma. Conhecê-lo é ter saúde interior. É viver livre e feliz.

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Estevam Fernandes

Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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