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Coluna de Estevam Fernandes: O Poder Terapêutico do Perdão

Estevam Fernandes. Publicado em 12 de janeiro de 2020 às 16:37

Em nossos dias há uma espécie de epidemia atacando as pessoas na sua interioridade. Muitos estão com a alma doente. A verdade é que a incidência de pessoas emocionalmente enfermas é impressionante e assustadora. Os espaços sociais mais significativos são reveladores deste terrível quadro epidêmico. Quer na família, no trabalho, nas salas de aula, estamos sempre nos deparando com pessoas tristes, depressivas, agressivas, rancorosas, amarguradas e desencantados com a vida.

No centro de muitos distúrbios emocionais que acabam por expor a alma a tantas enfermidades, está a nossa incapacidade de perdoar. A verdadeira experiência de amor só é vivida em plenitude quando é associada a uma outra essencial à vida: a experiência do perdão. O amor e o perdão são terapêuticos.

O perdão é um santo remédio. Ele é o principal lenitivo para as doenças da alma.
Famílias são desagregadas, sonhos desmoronam rapidamente, relacionamentos significativos são quebrados, o rosto, antes marcado pelo sorriso, agora é o reflexo de tristeza e amargura. O que está por trás de tudo isso senão a falta de amor, como conseqüência prática da ausência do perdão? Liberar o perdão é promover a liberdade da alma; negá-lo, é aprisionar a alegria e adoecer o coração.

A vida emocional conhece também o seu ciclo destrutivo: tristeza, ressentimento, amargura, rancor e ódio. São doenças terríveis. Destruidoras da saúde interior. As vezes estão camufladas dentro de nós e, ainda assim, a tentativa de negá-las não impede seu poder de destruição da nossa energia vital.

A ausência de perdão está na gênesis de muitos males que afetam a alma humana com repercussão direta na família, nos relacionamentos sociais, provocando muitos distúrbios psicossomáticos.

Felicidade e escravidão não combinam. São inconciliáveis. Liberar o perdão é promover a liberdade da alma. Negá-lo, é aprisionar a felicidade e abortar a experiência da paz. Somente o perdão tem poder de quebrar nossas amarras interiores.

Ele é uma espécie de detergente d’alma, lavando as impurezas que os sentimentos mesquinhos formam ao longo dos anos, transformando o coração num depósito de lixo emocional.

Caminhar livre das pessoas e sentimentos do passado, é uma experiência profundamente libertadora. A alma precisa ser livre para poder sentir-se feliz. Liberdade e felicidade são irmãs gêmeas. Andam sempre de mãos dadas.

Sem a liberação do perdão, construímos dentro de nós verdadeiros cárceres emocionais e viveremos aprisionados por correntes que nós mesmos nos permitimos colocar, e mergulhamos numa existência escura, sem brilho algum. Nossos dias, tornam-se densos; as noites, sem paz; as manhãs, sem esperança. Liberar o perdão é resgatar o arco-íris, como sinal de alegria que brota outra vez.

Pessoas que resistem ao perdão – tanto em conceder, como em pedir -, via de regra, são infelizes, muito embora a maioria delas consiga fingir, canalizando para as coisas materiais sua atenção, tornando-se escravas da aparência e da superficialidade, experts na arte de representar. Mudam o foco da vida e concentra-se nas futilidades. Tornam-se vazias.

Nenhum remédio é para alma melhor do que o perdão. Nenhuma sensação pode ser comparada com a paz de um coração liberto; e a única força capaz de fazer a paz fluir e o perdão ser liberado, é a presença de Deus em nós. O amor cura e o perdão liberta. Negar o perdão é sentenciar-se a viver aprisionado a um passado doloroso. O amor é terapêutico.

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Estevam Fernandes

Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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