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Coluna de Estevam Fernandes: Luz e Sombras

Estevam Fernandes. Publicado em 25 de agosto de 2019 às 20:07

A alvorada é o despertar de um novo dia. É o novo que visita a nossa vida. É aquele momento em que as cortinas da vida se abrem e nos revelam paisagens novas. Cenários refeitos. A alvorada é quando o sol da esperança começa a brilhar outra vez dentro de nós, aquecendo o coração com os seus raios cheios de energia, trazendo um brilho cintilante para os nossos olhos. 

Contudo, sabemos que a vida não é uma eterna aurora. Somos visitados também pela escuridão. É o inevitável momento do crepúsculo. Todas os dias, invariavelmente, o sol se levanta e se põe. O mesmo sol que se ergue imponente no oriente, se esconde no horizonte oposto. A trajetória do sol tem muito a nos ensinar. Aprendemos, por exemplo, que nada fica para sempre às escuras; haverá sempre um novo amanhecer. 

Todo crepúsculo é apenas um momento da existência; e diga-se de passagem, um momento necessário. A natureza simbólica do crepúsculo tem algo a nos ensinar e nos provoca desafios de vida. Precisamos de criatividade, para vencer as noites escuras. De paciência, para aguardar o brilho da manhã. De esperança, para vislumbrar os horizontes. De fé, para enxergarmos a luz no fim do túnel. 

Foi nesta leitura pedagógica das situações que nos deixam às escuras, que Davi, o grande poeta bíblico, escreveu: “O pranto pode durar uma noite, mas a alegrai vem pela manhã”. Ele tinha certeza plena de que nenhum sofrimento dura para sempre. Mais tarde, seu filho Salomão, o grande sábio de Israel, escreveria: “Tudo tem o seu tempo determinado. Há tempo para chorar, e tempo para sorrir”. Portanto, na vida tudo passa, tudo se renova, e tudo tem o seu tempo próprio.

 Todos nós precisamos saber lidar com a escuridão momentânea. É exatamente na escuridão que aprendemos a valorizar a luz. Infelizmente, muitas vezes, só nos damos conta da bênção de poder enxergar as coisas belas que estão diante dos nossos olhos quando as perdemos. A doença nos faz valorizar a saúde.

A solidão valoriza as companhias que nós desprezamos. As angústias nos fazem relembrar os dias de paz. Por não poder contemplar as cores, sentimos falta das manhãs de primavera. Por isso mesmo, depois do crepúsculo vem sempre o crescimento interior. Aprendemos muito com o silêncio das madrugadas frias, e com a solidão das noites quase intermináveis. Estranhamente, é a dor que nos faz amadurecer. Na verdade, a dor e as perdas são instrumentos pedagógicos por excelência. 

Todavia, Deus habita também em nossa escuridão. Quando tudo parece muito distante, Ele é presença certa. Quando a escuridão for mais densa, Ele será um raio de luz. Deus habita nossas madrugadas, e faz ponte segura entre a noite e o dia. Ele é a passagem para a vida, para o alvorecer de um novo dia.

– E depois do crepúsculo?

 Com certeza virá uma nova aurora, trazendo novas esperanças. Depois do crepúsculo, abrem-se as cortinas para um novo espetáculo: é a vida cheia de luz. É a luz trazendo energia, e esta energia provoca uma combustão interna em nós, fazendo gerar a força necessária para enfrentarmos as adversidades e os contra-tempos – aqueles momentos difíceis em que a vida nos surpreende, e quase nos derruba. 

Nunca nos esqueçamos que depois do crepúsculo o sol reaparece outra vez. Nos movimentos da vida, esperar é vencer. Depois do crepúsculo, invariavelmente, haverá outro amanhecer. É por isso que as noites aguardam ansiosamente a luz que emerge das manhãs. Sempre haverá um novo dia. Uma nova alvorada!

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Estevam Fernandes

Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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