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Coluna de Estevam Fernandes: Artesãos da Paz

Estevam Fernandes. Publicado em 28 de abril de 2019 às 20:39

Nosso cotidiano é uma espécie de laboratório, em que a vida vai sendo construída, tomando forma, sentido e direção. Isso se dá por meio das muitas experiências que vivenciamos. Tais experiências são caracterizadas por constantes alternâncias entre encontros e desencontros, celebrações e lágrimas, alegrias e dessabores, desafios e superações. Na verdade, é somente através desse movimento que tomamos consciência de quem somos, do potencial que carregamos e do propósito maior para o qual existimos.

O fato é que quando encontramos esse propósito, ressignificamos o nosso mundo e passamos a viver bem melhor. É ver a vida como missão. No momento em que saímos da nossa zona de conforto e dos limites mesquinhos das conveniências pessoais, passamos a ter a exata compreensão do motivo de existir. Certamente, a existência de alguém não estará completa até que ela se torne uma fonte de inspiração para outras, que deixe como legado não coisas, mas a dedicação a causas nobres e a bandeiras do bem, como, por exemplo, a bandeira da paz.

O primeiro e o mais importante passo para que a paz seja possível é a decisão de torná-la uma realidade a partir de nós mesmos. Ela pode até ser um sonho coletivo, mas será sempre fruto de uma decisão pessoal, em harmonia com dito popular: “quando um não quer, dois não brigam”. Nesse sentido, a primeira chance para a paz depende de cada um de nós. Acerca disso, o sábio apóstolo Paulo ensinou: “O quanto depender de vós, tende paz com todos”. Quando alguém decide promover a paz, ela já começa a acontecer.

Um segundo passo fundamental para a experiência da paz tem a ver com os nossos relacionamentos pessoais, com todos que, diretamente, afetam a nossa existência. Algumas pessoas são contenciosas, amantes da discórdia e semeadoras de conflitos. Sentem-se bem ferindo aos outros e, ainda pior, têm prazer quando declaram guerra ao bem-estar alheio. É necessário que nos afastemos delas, pois são ameaça à paz, são perigosas e igualmente tóxicas.

A paz não é um acontecimento “mágico” que se dá de repente, à revelia da nossa vontade. Ela é construída no que é corriqueiro, de maneira quase artesanal, através de pequenos gestos, como um aperto de mão, um abraço, um reconhecimento, uma palavra amiga, um pedido de perdão. Esses simples gestos do cotidiano são os nutrientes da alma, eles fertilizam o solo onde as sementes da paz irão brotar e crescer dentro de nós.

Na esteira do entendimento de que a história da nossa vida é a história das nossas decisões, devemos tomar a decisão de tornar a nossa vida um instrumento à serviço da paz. Há uma promessa bíblica para todos os que assim procedem: “ felizes os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”. Portanto, não basta apenas desejar a paz, ou mesmo evitar pessoas contenciosas, precisamos também nos oferecer como apóstolos da paz e arautos da reconciliação.

A restauração do “Éden” perdido e o aniquilamento da serpente contenciosa é também uma tarefa de cada um de nós. Quando colocamos a nossa vida à serviço da paz e da não violência, revelamos Deus em nós e o aproximamos das pessoas. Não foi por acaso que Jesus Cristo se apresentou ao mundo como o “ Príncipe da Paz”. Quanta nobreza em uma missão de vida! Porque não imitá-lo então?

A paz nunca será uma realidade coletiva enquanto não for uma experiência individual, construída através de pequenas e significativas atitudes no dia-a-dia. Talvez seja essa a mais nobre e urgente missão da nossa vida: o desafio de nos tornarmos artesãos da paz, de nos colocarmos como parceiros de Deus para um mundo bem melhor.

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Estevam Fernandes

Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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