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Coluna de Estevam Fernandes: A leveza da alma

Estevam Fernandes. Publicado em 15 de setembro de 2019 às 11:46

Algumas pessoas têm a alma pesada. Não somente pesada, aprisionada também. Colocam muito peso dentro de si, alguns além do que podem suportar e transformam a sua existência em uma experiência muito estressante, repleta de tensões desnecessárias. São vidas soterradas em si mesmas, sob camadas de pedras emocionais e de pedras religiosas que impedem o fluxo natural do bem estar. Tirar os obstáculos que impedem a leveza da alma pode ser o início de uma trajetória libertadora a fim de que a vida respire o frescor da liberdade.

Muitos esperam por um milagre dos céus que venha desbloquear suas vidas. Todavia, não se dão conta de que o potencial das mudanças que os tornará mais leves começa no interior de cada um. O Criador nos dotou de forças e criatividade para superarmos os obstáculos e transpormos barreiras. Geralmente, não percebemos que as ações de Deus sobre nossa existência não são necessariamente sobrenaturais. Alguns milagres começam dentro de nós, em nossa mente, e é aí que Deus começa a fazer as mudanças que nos levarão por caminhos melhores, mais leves.

Uma pedra muito pesada que permitimos sobre nós é a do medo. Quantas pessoas vivem soterradas pelo medo, e, por isso mesmo, têm uma vida sem perspectivas, sem ousadia, sem a esperança de algo melhor. O medo sepulta os sonhos e aprisiona a alma em porões sombrios da nossa imaginação. Viver com medo é ser refém de fantasmas que nós mesmos criamos e os transformamos em gigantes ameaçadores. O medo nos faz menor do que realmente somos.

Uma outra pedra que se constitui como um grande obstáculo para o viver pleno é o orgulho. A pessoa orgulhosa é alguém limitada pela sua arrogância e, por isso mesmo, perde amigos, quebra relacionamentos e sacrifica o carinho e amor que poderia receber dos outros. O orgulhoso cria muralhas ao redor de si e se torna prisioneiro sua própria solidão. O orgulho é a arma dos que têm um espírito pobre uma alma doente, infectada pelo vírus da soberba, da ilusão de que são melhores que os demais. O orgulho é uma pedra que mantém a alma soterrada pelo peso inútil da arrogância. 

Uma terceira pedra que precisa ser removida para que a existência vislumbre o antes inimaginável é da incredulidade. Toda racionalidade termina com a própria finitude do homem. Apesar do inegável valor da ciência, do conhecimento e do intelecto, não nos bastam diante das grandes crises que a vida nos reserva. Viver soterrado pela incredulidade é fechar-se para uma dimensão espiritual e, sobretudo, privar-se de conhecer os caminhos da fé, do sobrenatural, elementos únicos que nos colocam para além de nós mesmos e das nossas impossibilidades. Sem a fé, a vida é reduzida a um tempo apenas biológico, eternizando-se como uma dádiva divina, uma experiência singular, imortal.

Uma outra pedra que precisamos destruir, é a pedra da pressa. A vida é construída no dia a dia. Ela é uma jornada longa que exige paciência e perseverança. Alguém que vive escravo da pressa vai soterrando virtudes indispensáveis à vida como a esperança e a prudência. Geralmente, a pressa produz inconsequência e frustração. Saber esperar é entender a lógica da vida: plantar hoje para colher amanhã, pois para tudo há um tempo determinado. As experiências nos ensinam que, nessa vida, nada melhor que um dia atrás do outro. Por isso mesmo, livre-se da tirania da pressa e dê a sua alma o direito de viver com mais leveza e alegria. Seja feliz!

 

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Estevam Fernandes

Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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