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Coluna de Estevam Fernandes: A dor de cada um

Estevam Fernandes. Publicado em 15 de abril de 2019 às 16:37

Toda pessoa traz consigo uma certa dose de mistério. É o jeito de ser de cada um. São peculiaridades que fazem de cada ser humano uma pessoa única, com reações próprias, com singularidades que vão do gosto ao desgosto, do sorrir ao chorar.

Todos somos diferentes. Ninguém é igual a outrem, inclusive na forma de lidar com os sentimentos e as emoções. Todos temos graus diferentes de sensibilidades.

Uma experiência que para alguns pode significar humilhação e tristeza, pode ser interpretado por outros como uma banalidade, uma tolice passageira.

Os fatos da vida ganham ou perdem sentido quando afetam a nossa interioridade. Por isso mesmo, ainda que haja uma massificação do sofrimento, como ocorre nas tragédias coletivas, ainda assim, existirá a dor de cada um. Tanto mais perto de nós, tanto mais intensa é a dor.

Nem sempre os que estão perto de nós entendem as razões e a intensidade de nossa dor. São sentimentos muito íntimos; experiências muito pessoais. São verdades exclusivas da alma. Às vezes, numa mesma casa, sob o mesmo teto, um chora e outro rir.

Ou, numa mesma cama, sob o mesmo lençol, um dorme em paz e outro agoniza. Daí, conhecer alguém em profundidade é, acima de tudo, procurar escutar a voz do seu coração, muitas vezes essa voz é exteriorizada pela linguagem das lágrimas, não raro, denunciadora de muito sofrimento e muita dor.

Todo relacionamento significativo deixa marcas profundas em nossa alma. Também, toda relação saudável exige um respeito para com a dor do outro.

A dor é uma das maneiras de expressarmos nossas frustrações, amarguras, desencantos, perplexidades, tristezas e lamentos. É uma maneira corajosa (e verdadeira), de revelarmos nossa interioridade, de assumirmos nossa condição humana. Nossos limites.

Estranhamente, a dor é também uma espécie de combustível para a vida. As grandes perdas, os lutos, as crises agudas, as enfermidades, as ingratidões, enfim, as experiências dolorosas, acabam injetando em nós vontade de viver, e um desejo de superação.

É a dor como semente de vida e esperança. Alguns sonhos são gerados nas entranhas da dor. É o aprendizado silencioso de quem valoriza suas próprias lágrimas.

Todos nós já nos deparamos com situações diante das quais nos sentimos totalmente impotentes. Nada poderíamos fazer. Nenhum gesto nosso faria qualquer diferença. Todas as nossas “pretensas” experiências não nos seriam suficientes diante de tamanho vendaval.

É exatamente na solidão de um barco quase à deriva, na sensação de que não há como sobreviver às tormentas, quando a dor for mais intensa, que percebemos o quanto somos vulneráveis e frágeis para enfrentarmos sozinhos as adversidades da vida.

Nenhuma dor dura para sempre! Toda crise é passageira. Toda tempestade é seguida por uma suave bonança. Todo problema tem a sua solução. Por isso mesmo, não devemos entrar em pânico, nem tampouco nos entregarmos à prostração.

Às vezes, nossa atitude de espírito contribui, ainda mais, para piorar as coisas. Murmurar, blasfemar, revoltar-se, desejar morrer, em nada tornam a dor mais amena; pelo contrário, são estímulos para o sofrimento, na medida em que impedem que se tenha uma reflexão crítica sobre o momento difícil, e a partir de então, se estabeleça um canal de diálogo com a vida, possibilitando novas perspectivas, novas saídas, novos horizontes iluminados pela esperança.

É exatamente na experiência da dor que Deus se revela um amigo fiel. Ele é o “socorro bem presente na angústia”, como bem disse o Salmista. Ele é o bálsamo por excelência. Por ser o Pai de todos, Deus está sempre presente na dor de cada um! Lembre-se bem dessa verdade bíblica: “Não vos deixarei, nem vos desampararei”.

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Estevam Fernandes

Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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