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Campina Grande - PB

Coluna de Elizabeth Marinheiro: Tessituras

24/02/2018 às 22:51

Fonte: Da Redação

*Por: Elizabeth Marinheiro

Cariocamente…

Sentada nas barraquinhas da praia a gente pensa em tudo. Embora o silêncio dos espaços infinitos assustassem Pascal, as metamorfoses da natureza, por suas mágicas modulações, me fascinam.

De um lado, estavam os favelados das ruas, cobertos por jornais, juntos de um paredão. Do outro lado, uma mesinha de homens “ricos”, tomando whisky com água de coco (um coco custa R$ 8,00#…)

Céu azul, mar verde. Ilhas distantes, montanhas poderosas. Gente fina, gente grossa. Cachorrinhos lindos emprestam harmonia à desordem do calçadão democrático.

Se fosse pensar nas articulações entre percepção e compreensão me confundiria com os limites. Não é hora para filosofar limites. Enredo-me nas oscilações do ver e do olhar.

E sem a serenidade que brota das telas de Monet, internalizo emoções e angústias, até porque, interiores ou exteriores, dispensam palavras: basta o olhar.

Já o meu olhar é um ver deliberado e inquieto. Com esta visão posso ir mais longe. Então, desloco-me e olho lojas e mais lojas fechadas. Edifícios e mais edifícios com placas de “vende-se” ou “aluga-se”.

Não acolho a exterioridade do ver, nem a malicia do olhar. É quando o ouvido ouve um tiro, outro tiro, mais um tiro. Balas perdidas. Crianças mortas. Homens e mulheress assassinados. Desabamentos. Incêndios. Raios. Rajadas de vento. Tempestade da impunidade nacional!

Retiro-me da praia, recordando a “fé perceptiva” de Merleau Ponty. Realmente, por participação reciproca ou por justaposição, ver e olhar/vidente e visível misturam-se e confundem-se para configurar as transformações do mundo.

A Cidade Maravilhosa não é culpada. “O Rio continua lindo”.

ABRAÇOS. Aos familiares, amigas e amigos que me presentearam com votos de boas vindas (face), numa demonstração de carinho e estima.

26 DE MARÇO.

O Presidente/Escritor José Mário Silva Branco, que permanece ainda na presidência da I SECCIONAL PEN DA PARAÍBA, elabora, competentemente, a solene reabertura do Calendário público de nossa Seccional.

Da pauta já constam o apoio da Profa. Aurinha Borges da Fonseca; homenagem à mulher campinense; e uma comunicação em torno de Clarice Lispector que será proferida por esta autora.

Espero que meus familiares, ex-alunas(os), amigas, amigos e os segmentos campinenses concedam-me a carinhosa e honrosa presença. Ao meu leitor, meus abreijos.

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