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Coluna de Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 7 de julho de 2019 às 10:46

O Humanista Flávio Sátiro Fernandes é um espírito consolidado em amplo Conhecimento e um idealista que não teme momentos nevoentos.

Com mais de quarenta Revistas GENIUS editadas, Flávio sabe selecionar Artigos, Ensaios e Poesias com independência e verticalidade.

Recentemente, revisitamos o número 32 e reencantamo-nos com dois Estudos: “O Romance Histórico em Virginius” de José Octávio de Arruda Mello e “Garcia Márquez e a Realidade de Todos os Povos” de André Lucena.

Sobre Virginius, um dos melhores Críticos do Brasil e formador de Gerações, já publicamos em nossos livros e em Revistas vários Ensaios Literários sobre seus Romances “TEMPO DE VINGANÇA” e “A VITIMA GERAL”.

Já o estudo de André Lucena trouxe-nos suaves recordações: o tempo do nosso Doutoramento na PUC de Porto Alegre (RS). Ali, durante as aulas da Professora Dra. Petrona Pasquez (argentina), fomos “obrigadas” a ler o consagrado “Cem Anos de Solidão” (1967).

Macondo”, semelhante ao “Taperoá” ficcionalizado por nosso inesquecível Ariano Suassuna, é a saga da família Buendia, ou seja, do patriarca José Arcádio Buendia casado com sua prima Úrsula Iguarán.

Macondo era uma pequenina aldeia. Visitada por bandos de ciganos, que espalhavam suas alquimias e mágicas, liderados por um “sábio” chamado Melquíades.

Influenciado pelas magias de Melquíades, Buendia empreende uma fracassada expedição e espanta-se com um galeão espanhol.

Um elenco de filhos naturais e bastardos. Assassinato dos filhos. Morte do feiticeiro “Melquiades. Funda-se uma igreja. Advento da lei… A praga em Macondo e Buendia cometendo loucuras. Esquecimento coletivo Melquídades “não suporta a solidão dos mortos e retorna. Os manuscritos. A atuação lasciva de Pilar. Bordel, erotismo, violência, corrupção, greve, tortura de operários, desabamentos, enfim inúmeros componentes da diégese consolidam o realismo-mágico, magistralmente concebido por Garcia Máquez.

Leitura que nos fazia perder a cabeça diante dos eventos insólitos, a exemplo dos manuscritos de Melquíades, os quais continham a história da família de Aureliano e escritos em sânscrito, com desordem narrativa.

A extraordinariedade e a poética de “Cem Anos de Solidão” envolvem a obra, desvelando a solidão em que vivem os personagens de Macondo em toda a tecelagem do imenso colombiano.

Já no final do livro, antes mesmo do seu final, Aureliano “Já compreendera que jamais sairia de um quarto. Ele sabia que tudo o que lera, desapareceriam para sempre, “pois estirpes condenadas a cem anos de solidão não têm uma segunda chance na Terra” (grifo nosso).

A fantasia, o fantástico, o profético etc sugerem que é difícil reconhecer que existe alguma coisa além da realidade… Só mesmo Garcia Márquez superou o realismo-mágico da América Latina. Só ele soube transformar as alucinações vividas em Macondo numa espécie de metáfora contra a injustiça e as tragédias humanas!

Em sendo um homem de esquerda, seu sucesso mundial não o tornou em estereótipo do vazio, pois sua posição política transcendia a banalidade de tal vida.

Ficamos por aqui com o desejo de reler GÁRCIA MARQUEZ!

DO CORDEL POÉTICO

Um código evocativo

De muita sonoridade

Um cântico recitativo

À honra de divindade

Gravado por erudito

Em forma de manuscrito

Legado à posteridade

Mas é só uma argüição

O Ingá não se traduz

É mais uma opinião

Desta pedra que reluz

Tão esmera e vigorosa

Que até hoje, caprichosa,

Nos desafia e seduz”. WANDERLEY DE BRITO (in “A Pedra do Ingá”, p. 30).

AO MEU LEITOR

Os coloridos do mago.

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