Fechar

logo

Fechar

Coluna de Benedito Antonio Luciano: Turnê Clube da Esquina

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 25 de agosto de 2019 às 22:29

No dia 22 de agosto de 2019, no Teatro Pedra do Reino, em João Pessoa – PB, tive a oportunidade de assistir, pela primeira vez, a um show de Milton Nascimento; e posso afirmar que valeu a pena ter saído de Campina Grande para ver e ouvir esse grande artista da música popular brasileira.

Intitulado “Clube da Esquina”, o referido show faz parte da turnê iniciada em Juiz de Fora – MG, em 16 de março de 2019, prosseguindo por Belo Horizonte – MG (28, 30 e 31 de março), Jaguariúna – SP (6 de abril), Brasília – DF (13 de abril), São Paulo – SP (27 e 28 de abril), Rio de Janeiro – RJ (17, 18 e 24 de maio) e Curitiba – PR (1 de junho).  

Na Europa, o “Clube da Esquina” foi apresentado em Paris (8 de junho), Madri (10 de junho), Zurique (19 de junho), Amsterdã (21 de junho), Lisboa (26 de junho) e Porto (27 de junho). 

De volta ao Brasil, a turnê prosseguiu com shows em Ribeirão Preto – SP (20 de julho), João Pessoa (22 de agosto) e Recife – PE (24 de agosto).

Em João Pessoa, com o teatro praticamente lotado, o show teve início às 21 h. No palco, acompanhado de uma banda composta por músicos excelentes, Milton Nascimento, apresentando muita dificuldade em se movimentar, cantou sentado numa cadeira, iniciando com a música “Tudo que você podia ser”, composição de Márcio Borges e Lô Borges.

Em seguida, ele cantou “Nada será como antes” e a belíssima “Cais”, ambas compostas por Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Nesse momento, tendo como pano de fundo as notas graves do piano, ele anunciou que aquele show era dedicado a Lô Borges. 

Na interpretação da música “Cais”, o mais impressionante foi quando Milton Nascimento demostrou sua aprimorada técnica vocal no uso do diafragma, segurando uma nota por um tempo muito além do alcançado pela maioria dos cantores de música popular. 

A quarta música apresentada foi “Nascente”, composta por Flávio Venturini e Murilo Antunes, seguida de “Cravo e Canela”, composição de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Na execução dessa música, o ritmo imposto pela percussão foi o ponto de destaque.

A sexta música executada “Casamiento de negros”, segundo Milton Nascimento, foi adaptada do folclore chileno por Violeta Parra. Nessa música há, também, uma marcante participação da percussão e da flauta no acompanhamento.

A sétima música foi “Um girassol da cor do seu cabelo”, composição dos irmãos Lô Borges e Márcio Borges; e a oitava foi a dolente canção “Dos cruces”, de autoria do compositor espanhol Carmelo Larrea. 

Na sequência vieram: “Para Lennon e McCartney”, composta por Fernando Brant, Márcio Borges e Lô Borges; “San Vicente”, de Milton Nascimento e Fernando Brant; “Trem de doido”, de Lô Borges; “Clube da Esquina no 2”, de Milton Nascimento, Márcio Borges e Lô Borges; e “Nuvem cigana”, de Lô borges e Ronaldo Bastos. 

Antes de iniciar a música seguinte, “Lília”, Milton Nascimento contou para o público uma pequena história de como ela foi composta: 

– “Vocês sabem que eu sou filho adotivo. Um dia, chegou um cara dos Correios lá em casa levando uma encomenda da minha madrinha. Era um presente pelo fato de minha mãe estar me criando. Olhei aquela encomenda e parecia um violão. Já fui direto para o meu quarto e, não sei como, fui treinando até conseguir tocar uma música. Aí, chamei minha mãe e falei: se te contar uma coisa, a senhora promete que não vai ficar brava? Ela disse que não. Então, contei: chegou uma encomenda pra senhora e era um violão. Só que roubei o violão pra mim. Aí, toquei a música pra ela. Ela me perguntou como eu tinha conseguido tocar. Respondi que não sabia, só fiz”.

Assim surgiu a instrumental “Lília”, música composta em homenagem à sua mãe adotiva Lília Campos. E ele prosseguiu: “Essa música não tem letra, porque não existem palavras no mundo que possam definir a beleza desta mulher”, recebendo aplausos calorosos da plateia.

A décima quinta música, “Um gosto de Sol”, composição de Milton Nascimento e Lô Borges, lançada em 1972, continua a me emocionar profundamente: “Alguém que vi de passagem/ Numa cidade estrangeira/ Lembrou os sonhos que eu tinha/ E esqueci sobre a mesa/ Como uma pêra se esquece/ Dormindo numa fruteira/ Como adormece o rio/ Sonhando na carne da pêra/ O sol na sombra se esquece/ Dormindo numa cadeira/ Alguém sorriu de passagem/ Numa cidade estrangeira/ Lembrou o riso que eu tinha/ E esqueci entre os dentes/ Como uma pêra se esquece/ Sonhando numa fruteira.”

“Paisagem da janela”, composição de Lô Borges e Fernando Brant, foi a décima sexta música apresentada, seguida de “Maria, Maria”, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, uma das mais aplaudidas pela plateia que, de pé, cantou junto com Milton.

A décima oitava foi “Trem Azul, de Lô Borges de Fernando Brant, seguida por “Ponta de areia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, lançada no disco “Minas”, sétimo álbum de estúdio gravado por Milton Nascimento, lançado em 1975.

“Encontros e despedidas”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, foi a vigésima música apresentada.  Essa é outra música que não faz parte dos álbuns Clube da Esquina (1972) e Clube da Esquina 2 (1978). A letra é uma metáfora sobre a vida, vista como uma estação de trens, onde as pessoas chegam e partem o tempo todo. A estação é esse lugar de encontros e despedidas, de chegadas e de partidas.

As duas últimas músicas apresentadas foram: “O que foi feito deverá”, de Milton Nascimento e Fernando Brant; e “O que foi feito de Vera”, de Milton Nascimento e Márcio Borges. 

Depois do show, sai do teatro em estado de êxtase, realimentado, na expectativa de que “Outros outubros virão/Outras manhãs plenas de Sol e de luz” continuarão a iluminar os caminhos de quem acredita e busca seus sonhos. Pois, na travessia da vida, no pó da estrada, enquanto houver fé e esperança: “Os sonhos não envelhecem”.

*O autor é professor Titular do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Benedito Antonio Luciano
Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube