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Coluna de Benedito Antonio Luciano: Sinos

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 7 de setembro de 2019 às 13:58

A palavra sino vem do latim, “signum”, que significa sinal.  O sino é um instrumento de percussão inventado na China há cerca de 4.600 anos. No início, o som desse instrumento teria sido usado como forma de avisar aos trabalhadores o fim de um turno de trabalho.

Depois, para além da finalidade de comunicação laboral, mediante o emprego do sinal sonoro, os sinos passaram a ser utilizados para outros usos, inclusive como instrumentos musicais, difundindo-se por toda Ásia, Oriente Médio, Europa e demais continentes.

No âmbito do catolicismo, há registros históricos que os sinos começaram a ser empregados em mosteiros localizados na região da Campânia, no Sul da Itália. Talvez, venha daí o porquê de a palavra sino em italiano e espanhol seja escrita como campana, e campanário seja a designação do local onde os sinos são instalados.

Com o tempo, além dos mosteiros, os sinos foram sendo instalados em campanários de capelas, igrejas e grandes catedrais. Em algumas torres os sinos são acoplados mecanicamente a relógios, tendo alguns deles se tornado famosos mundialmente, como o Big Ben, na torre do palácio de Westminster, em Londres.

A fabricação dos sinos requer conhecimento técnico apurado de metalurgia para que eles possam ser resistentes à percussão do badalo, pois quando um sino trinca, ou quebra, não há mais conserto. Em geral, o material utilizado na peça do sino é uma liga metálica resultante da fusão de cobre e estanho.

No meu tempo de infância, quando morava na casa dos meus pais, no bairro da Bela Vista, em Campina Grande – PB, os sons dos sinos que ficaram gravados na minha memória vinham de bairros vizinhos: da igreja do Rosário, no bairro da Prata, da capela do Cemitério do Monte Santo e da igreja de Santo Afonso, ambas localizadas no bairro do Monte Santo.

Eventualmente, para quem morava no bairro da Bela Vista dava para ouvir os repiques e toques dos sinos do Mosteiro de Santa Clara (Convento das Clarissas), localizado mais distante, no bairro da Prata, e do Convento de São Francisco de Assis, no bairro da Conceição.

Para os cristãos e para os que moram nas imediações de onde os sinos estão instalados, além do chamamento, conforme a ocasião, os toques diferenciados podem servir como elemento de comunicação ao anunciar: missa, féretros, celebrações ou até mesmo catástrofes.

Como curiosidade, no cinema, o sino está presente no título original do filme “For whom the bell tolls”, dirigido por Sam Wood, baseado no romance de Ernest Hemingway, lançado em 1943. Nesse filme, o ator Gary Cooper faz o papel autobiográfico do autor do romance. No Brasil, “For whom the bell tolls” recebeu o título “Por quem os sinos dobram”.

Na música erudita um registro digno de ser feito foi a introdução dos sons de sinos (carrilhões) na obra “Abertura 1812”, de autoria do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky.

Ao me referir aos sons de sinos, me ocorreu o título da famosa composição de João Pernambuco, “Sons de carrilhões”, música gravada e executada magistralmente pelo violonista Dilermando Reis no disco “Abismo de rosas”.

De fato, na dualidade da vida, o som dos sinos pode despertar alegria, como em “Bate o sino”, versão brasileira da música natalina “Gingle bells”, originalmente composta por James Pierpont (1822-1893); ou pode trazer melancolia, como na valsa dolente intitulada “Ave Maria”, composta por Erotides de Campos e Jonas Neves, gravada pelo cantor alagoano Augusto Calheiros, em 1939, da qual destaco os versos: “Quando o sino saudoso murmura badaladas da Ave Maria/ Sino que tange com mágoa dorida, recordando sonhos da aurora da vida/ Dai-me ao coração paz e harmonia, na prece da Ave Maria”.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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