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Coluna de Benedito Antônio Luciano: O pavão e o espanador

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 30 de março de 2019 às 8:52

Em meio a uma conversa com um professor que atua comigo no mesmo departamento, enquanto falávamos sobre a importância de passar despercebido em certas situações, ele citou a expressão em inglês “keep a low profile” e acrescentou algumas possíveis tradução para o português: mantenha baixa exposição, seja discreto e evite os holofotes; o que significa, também, manter a vaidade sob controle.

É sobre este último significado que gostaria de discutir. Pois, não é fácil manter a vaidade sob controle por ser ela um impulso interior característico da natureza humana.

Por este motivo é oportuno registrar que nos dias atuais a tendência de se manter exposto é crescente, sobretudo na grande vitrine das redes sociais, onde o narcisismo é exercido de tal forma que beira o paroxismo.

Para alguns, entretanto, a exposição é uma necessidade profissional e ela é buscada a todo custo, sobretudo quando à imagem do profissional está associada a um produto, como, por exemplo, nos casos de atores e atletas famosos.

Políticos também necessitam de exposição na mídia para a manter a imagem em evidência e, assim, conseguir votos para se eleger sucessivamente.

Profissionais liberais, assessores e consultores que atuam nas áreas de publicidade, propaganda e marketing sabem da importância de manter sob controle o tempo de exposição, pois, devido ao fenômeno da saturação, uma exposição excessiva pode levar a um resultado inverso ao almejado.

Provavelmente, a exposição excessiva deu origem à expressão “arroz de festa”, como forma de designar a “pessoa que é vista em todas as festas”, aquela que se faz presente em quase todos os lugares, e não apenas em ocasiões festivas, transformando-se em “figurinha fácil” e, consequentemente, sem valor.

Em todas essas situações, entre a discrição e a exposição, o equilíbrio é a palavra-chave. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Se o produto não for exposto ele não será conhecido pelos clientes. Porém, se houver uma exposição em excesso, os clientes poderão perder o interesse, passando a buscar produtos mais raros. Isto também vale para as relações interpessoais.

Nos diversos ramos das atividades humanas é comum encontrarmos pessoas vaidosas, arrogantes, presunçosas e egocêntricas. Em geral, pessoas assim se acham superiores às demais e, por este motivo, querem ser reconhecidas como tal e quando isto não acontece elas ficam irritadas, frustradas e passam a alimentar no íntimo sentimentos de retaliação.

Quanta ilusão! Vivendo num mundo irreal, pessoas com tais traços de personalidades mal sabem o que a vida lhes prepara mais adiante, pois a roda do mundo gira. Citando Lucas, no capítulo 18, versículo 14, lemos: “Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

Assim, neste contexto, para os que vivem no mundo ilusório da vaidade, seria oportuno lembrar: hoje os que estão por cima, amanhã poderão estar por baixo; e quem hoje é pavão, amanhã poderá ser apenas parte de um espanador.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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