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Coluna de Benedito Antonio Luciano: O homem que amava os livros

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 22 de janeiro de 2019 às 17:04

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

Por Benedito Antonio Luciano*

No dia 8 de dezembro de 2018, numa ensolarada manhã de sábado, na UFCG, por ocasião da inauguração do busto em homenagem póstuma ao professor Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, ex-reitor da UFPB, fui agraciado com um exemplar do livro “José Pedrosa, o livreiro: o homem que amava os livros”. O autor da gentileza foi o colega Honório Pedrosa, um dos filhos de José Pedrosa, que assinou a dedicatória em nome da família do livreiro.

Entre o professor Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque e José Cavalcanti Pedrosa há um traço comum: o empreendedorismo visionário voltado para a educação em Campina Grande – PB.

O primeiro por ter, juntamente com o professor Antonio da Silva Morais e outros idealistas, materializado a ideia de criação da Escola Politécnica-POLI em Campina Grande, em 1952, lançando as bases para a atual UFCG.

O segundo por ter criado a famosa Livraria Pedrosa, em Campina Grande, em 1946, sob o slogan de sua autoria: “Faça do livro o seu melhor amigo”, quando sequer havia uma instituição de ensino superior na referida cidade.

Conforme José Cavalcanti Pedrosa Júnior, filho de José Pedrosa, o seu pai iniciou as suas atividades no comércio de livros, trabalhando na Livraria Moderna, de propriedade de seu tio Yoiô Cavalcanti, entre 1933 e 1946, quando deixou de trabalhar para seu tio e fundou a sua própria livraria: A Livraria Pedrosa.

É sobre a história dessa livraria e de seu criador que trata a obra póstuma “José Pedrosa, o livreiro: o homem que amava os livros”, editada e lançada em Campina Grande, em 2016, tendo como autor José Cavalcanti Pedrosa Júnior.

Aproveitando os primeiros dias de férias neste janeiro de 2019, li, com interesse crescente, as 532 páginas que compõem “José Pedrosa, o livreiro: o homem que amava os livros”.

Em termos de organização pode-se dizer que o referido livro está dividido em duas partes: na primeira são apresentadas as “Pedrosianas” e “Poesias Marginais”, assim intituladas pelo autor, José Pedrosa, e algumas crônicas escritas por ele e por outros autores para o programa “Faça do livro o seu melhor amigo”, levado ao ar pela Rádio Borborema de Campina Grande, sob o patrocínio da Livraria Pedrosa; na segunda são apresentados depoimentos, crônicas e artigos publicados em jornais paraibanos e pernambucanos sobre o homenageado e sua livraria, cobrindo o recorte temporal de 1948 a 2014.

Antes da apresentação das “Pedrosianas” e das “Poesias Marginais”, o autor do livro introduziu, de forma pertinente e oportuna, uma crônica primorosa de Chico Maria, intitulada: “Pedrosa da livraria: do crayon à Parker 51”.

Dentre as “Pedrosianas” destaco algumas que ficaram famosas entre seus familiares e amigos de José Pedrosa: “Faça do livro o seu melhor amigo”, “Diga das minhas virtudes, não diga dos meus pecados”, “Não tenha vergonha de pedir, tenha vergonha de negar”, “A Livraria Pedrosa me inspirou a amar e educar Campina”.

Das “Poesias Marginais” escolhi uma na qual o autor sintetiza o seu fazer poético: “Nos meus poemas/há lágrimas. Soluços/e gritos de criaturas. /Alentos de minha voz/que não quer emudecer. / HUMANISMO, /sem o choque destruidor. /OBSTINAÇÃO, sem o ódio/que enodoa a alma. /Nos meus poemas/ausculto também/os meus lamentos. / Uma multidão se contorcendo/à margem da vida…”.

No tocante aos depoimentos, crônicas e artigos publicados na segunda parte do livro a tarefa de escolher algum texto para destacar é difícil, pois muitos foram os que escreveram muito bem a respeito do livreiro Pedrosa e de sua livraria, dentre eles: jornalistas, escritores brasileiros de renome nacional e internacional, políticos, professores e profissionais liberais.

Assim, diante da dificuldade na escolha, utilizando um critério puramente subjetivo, destacarei o depoimento feito pelo escritor Gilberto Freire, em 10 de novembro de 1973, vinte e um anos antes da morte de José Pedrosa, ocorrida em 19 de setembro de 1994: “A Livraria Pedrosa é mais que uma livraria. É escola. É centro de cultura. É mestra. Haverá outro José Pedrosa no Brasil? Que eu saiba – e eu conheço um bocado deste Brasil imenso – não. Não há. Ele ama o livro, em vez de apenas vende-lo. Ele faz o indiferente interessa-se pelo livro. Está, por isto, na história da literatura ou da cultura brasileira”.

*O autor é professor Titular do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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