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Coluna de Benedito Antonio Luciano: Memórias de um coremense

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 1 de junho de 2019 às 12:02

Nasci na cidade de Coremas – PB, tendo como parteira a Sra. Quitéria Maria da Conceição. O meu pai, Pedro Antonio Luciano, era cearense, natural de Mauriti, e minha mãe, Francisca Fernandes Luciano, era potiguar, natural de Almino Afonso.

O meu batismo se deu na Matriz Santa Rita de Cássia, em Coremas, tendo como celebrante o Padre João Leão e como padrinhos Joaquim Bezerra da Silva e Maria Bezerra da Silva.

Fui registrado pelo meu pai no Cartório de Registro Civil de Coremas, tendo como testemunhas os senhores Djalma Possidônio dos Santos e Antônio Silva.

A casa onde nasci situava-se no local conhecido, na época, como Linha de Ferro, numa alusão à existência de uma linha férrea que foi utilizada por um trem do tipo “Maria Fumaça”, conhecido como “Cafuringa”, no transporte de material utilizado na construção da barragem do Açude de Coremas. Essa linha ligava o canteiro de obras às pedreiras.

Conforme fontes confiáveis, em dezesseis de janeiro de 1957, o Laboratório Central de Solos e Concretos do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), onde meu pai trabalhava, em Coremas, foi transferido para Campina Grande-PB, juntamente com todos os seus equipamentos e funcionários.

Assim, meu pai, minha mãe e eu viemos morar em Campina Grande, na Rua Silva Jardim, no Bairro de José Pinheiro.

Depois, para ficar mais próximo do local de trabalho de meu pai, pois o Laboratório do DNOCS funcionava num prédio em frente à Praça Felix Araújo, fomos morar na Rua Probo Câmara, no Bairro do Monte Santo.

Em 1959, a família mudou-se para a Rua Coronel José Vicente, no Bairro da Bela Vista, onde moramos por pouco tempo, antes de uma nova mudança, dessa feita para a Avenida Rio Branco, no mesmo bairro.

Durante a minha infância, lembro apenas de uma passagem pela cidade de Coremas, quando meu tio Antonio Fernandes, irmão de minha mãe, nos conduzia, neste percurso, para Alagoinhas – BA, cidade de onde ele morava.

Em 1968, aos quatorze anos, retornei a Coremas para desfrutar umas férias escolares inesquecíveis. Por não ter familiares na cidade, fiquei hospedado em casas de pessoas amigas de meus pais, que surpreendentemente permitiram ao adolescente viajar sem a companhia deles ou de algum familiar adulto.

Detalhe: eu era e continuei sendo o único filho sobrevivente dentre os treze filhos que nasceram da união matrimonial entre meu pai e minha mãe. Todos os meus irmãos e irmãs morreram precocemente, alguns pouco tempo depois do nascimento.

A causa dessas mortes prematuras, eu descobri quando me tornei adulto e precisei doar sangue para uma cirurgia que minha mãe seria submetida: era incompatibilidade sanguínea decorrente do fator RH do feto com relação ao fator RH da mãe. Como escapei? Não sei. Talvez um milagre, uma dádiva divina.

Daquelas férias, em 1968, além da hospitalidade das pessoas simples que me acolheram em suas casas de taipa, guardo na lembrança: as estórias de assombração contadas pelas pessoas idosas; os banhos de rio e no açude; o futebol no campo do DNOCS, geralmente à tardinha; os filmes em preto e branco no cinema da cidade, no horário da noite; e uma chuva torrencial, acompanhada de muitos trovões e relâmpagos numa certa madrugada.

Dois anos depois, em 1970, nova passagem por Coremas, na companhia de meu tio Antonio Fernandes, desta vez com destino à cidade de Feira de Santana – BA, onde ficaria por uns quinze dias na casa dele, durante as férias escolares no meio do ano.

Em janeiro de 1974, juntamente com o conterrâneo Francisco de Assis Rocha e três colegas (Wilson, José Roberto e Elson Pombo) empreendemos uma viagem a Coremas, saindo de Campina Grande numa Rural Willys, veículo de propriedade do pai de José Roberto, que teve a coragem de emprestar o carro para o filho, mesmo sabendo que não se tratava apenas de uma viagem turística.

Em abril de 1979, acompanhado da minha primeira esposa, de quem me divorciei em 1985, e do meu amigo Ademir Frederico e esposa, fiz a penúltima visita a Coremas e à barragem de Mãe d’Água.

A última visita a Coremas ocorreu em 7 de dezembro 1986, em companhia de Vânia, namorada na época e atual esposa, e de minha filha Érika, que na oportunidade tinha 8 anos.

Dessa viagem não guardo boas recordações. Durante o trajeto de ida, enquanto dirigia o carro, falava para as acompanhantes sobre os principais pontos turísticos da minha terra natal: as barragens dos açudes Estevão Marinho e Mãe d’Água.

Estava empolgado, também, para mostrar para elas a casa onde nasci. O que eu não sabia era que tudo estava mudado: não havia mais acesso de carro à barragem de Mãe d’Água, o descaso tinha feito com que a vegetação nativa tomasse conta de tudo em volta da barragem, tudo estava depredado e em completo abandono; e para completar a minha decepção, a casa onde nasci fora derrubada para dar lugar a uma rua.

Sai de lá com o propósito de nunca mais voltar. Pois, no meu entendimento, é melhor que sejam preservadas no álbum da memória deste coremense apenas as boas lembranças de seu lugar de origem.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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