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Coluna de Benedito Antonio Luciano: Cartilhas e primeiros livros didáticos

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 22 de dezembro de 2018 às 16:47

Mesmo depois de tantos anos, ainda mantenho em minha memória os primórdios de minha formação escolar, iniciada pouco antes do decênio de mil novecentos e sessenta, nas cidades de Campina Grande – PB e Alagoinhas – BA.

Segundo minha mãe, quando eu tinha pouco mais de três anos de idade, ela me matriculou em uma pequena escola particular localizada próximo da casa onde morávamos, no Bairro da Bela Vista, em Campina Grande.

Ainda segundo ela, por ter sido ferido com a ponta de um lápis por um colega de turma, que por pouco não atingiu meu olho, ela decidiu me tirar da escola e aguardar um pouco antes de matricular em outra, até que eu crescesse mais e aprendesse a me defender.

Naquele tempo, os estudos de alfabetização eram feitos tendo como suporte didático cartilhas, tais como: Método ABC (Ensino prático para aprender a ler), Tabuada (Ensino prático para aprender aritmética), Caderno de Caligrafia, Cartilha do Povo (para ensinar a ler rapidamente), Coração Infantil e Cartilha Maravilhosa.

Na sala de aula, a professora mantinha a ordem com autoridade. Alunos indisciplinados eram punidos e, nos casos extremos, eram expulsos sumariamente. Tudo muito diferente dos dias atuais, nos quais sobram direitos aos alunos e a autoridade dos professores é sabotada pelos famigerados projetos pedagógicos e pelas políticas populistas que, de forma geral, só têm contribuído para a queda da qualidade do ensino básico no Brasil, conforme os índices oficiais publicados recentemente.

Um fato pitoresco com relação aos meus primeiros estudos foi quando, já alfabetizado em Campina Grande, fui matriculado, por um breve período, em uma escola de alfabetização na cidade de Alagoinhas, na Bahia.

Numa das primeiras aulas, a professora pediu que eu dissesse as letras do alfabeto. Então, eu comecei: A, B, C, D, E, F, quando fui interrompido por ela: “efe não, Benedito, a letra é fê”. Daí por diante, as correções se deram tal como no baião ABC do Sertão, composto por Zé Dantas e Luiz Gonzaga, gravado pelo Rei do Baião, em 1952:

“Lá no meu sertão/ Pro caboclo ler/ Tem que aprender/ Um outro ABC/ O “j” é ji, o “l” é lê/ O “s” é si, mas o “r”/ Tem o nome de rê/ Até o “y” lá é psiloni/ O “m” é mê e o “n” é nê, / O “f” é fê, o “g” chama-se guê/ Na escola é engraçado/ Ouvir-se tanto ê:/ A, bê, cê, dê, fê, guê, lê, mê/ Nê, pê, quê, rê, tê, vê e zê”.

De volta a Campina Grande, conclui a fase que antecedeu a matrícula no primeiro ano do curso primário, em 1962, nas Escolas Reunidas Monte Carmelo, localizada em um prédio na Av. Rio Branco, 1200, no Bairro da Bela Vista.

Do primeiro ao terceiro ano, o livro adotado tinha o mesmo título, mudando apenas o conteúdo: Brasil, minha pátria! Autor: Theobaldo Miranda Santos. No quarto ano, os livros adotados foram: Nordeste e Coreografia da Paraíba, cujos nomes dos autores não lembro.

O ensino ministrado nas Escolas Reunidas Monte Carmelo era de boa qualidade, o que me permitiu ser aprovado no Exame de Admissão ao Ginásio no Colégio Estadual da Prata, certame realizado entre os dias 8 e 11 de fevereiro de 1966, envolvendo conhecimentos relativos às disciplinas: Português (eliminatória), Aritmética (eliminatória), Geografia e História. No Colégio Estadual da Prata teve início uma nova etapa na minha formação escolar.

Efetivamente, essa formação básica foi fundamental para que eu pudesse prosseguir na trajetória que me levou ao topo da formação acadêmica, o que não seria possível sem o empenho individual, o apoio de meus pais e a colaboração de todos os professores, professoras e orientadores aos quais sou e serei grato por toda minha vida.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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