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Coluna de Benedito Antonio Luciano: Assassinos e ditadores

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 1 de setembro de 2019 às 12:50

A história da humanidade está repleta de crimes hediondos cometidos por homens e mulheres motivados pelos mais variados motivos. Parte desse registro está relatado no livro “The most evil men and woman in history”, de autoria da inglesa Miranda Twiss, lançado no Brasil em 2004, sob o título “Os mais perversos da história”.

No exemplar que mantenho em minha estante, sob o fundo preto da capa podem ser vistas as letras do título do livro, nas cores branca e vermelha, e entre elas as imagens de Vlad Drácula, Raspútin, Joseph Stalin, Adolf Hitler e Idi Amin Dada.

Dividido em dezesseis capítulos, cada um é dedicado a homens e mulheres que se destacaram pela crueldade, genocídios e assassinatos: Calígula, Nero, Átila, Rei João, Torquemada, Príncipe Vlad Drácula, Francisco Pizarro, Maria I Tudor, Ivã IV, A condessa Drácula, Raspútin, Stalin, Hitler, Ise Koch, Pol Pot e Idi Amin Dada.

Na linha de tempo, a vida dessas pessoas abrange quase dois mil anos, do nascimento de Calígula, no Império Romano, em 12 d.C., ao genocídio do povo cambojano perpetrado por Pol Pot e seu grupo comunista, conhecido como Khmer Vermelho, entre 1975 e 1979.

Caio César Augusto Germânico, conhecido como Calígula, nasceu no seio da mais poderosa família do Império Romano. Seu pai, Germânico, era um herói de guerra e ocupava o cargo de comandante da fronteira norte do império. Sua mãe, Agripina, era neta do imperador Augusto.

Durante os três anos e meio como imperador, Calígula se notabilizou pela megalomania tirânica, depravação e perversões sexuais, crueldade desmedida e assassinato em massa em espetáculos públicos de rituais sangrentos nos anfiteatros romanos, envolvendo gladiadores e animais selvagens.

Nero, o quinto imperador romano, nasceu em 37 d.C., em Antium, e recebeu o nome de Lúcio Domício Aenobardo. Seu pai, Inácio, pertencia a uma antiga família da aristocracia romana. À semelhança de Calígula, Nero também foi um homem perverso, depravado e se notabilizou pela primeira perseguição aos cristãos sob o Império Romano, sendo a ele atribuída a responsabilidade pelas mortes do discípulo Pedro e do apóstolo Paulo.

Átila, rei dos hunos, governou somente durante oito anos. Porém, o terror que ele deixou espalhado pela Europa fez com que seu nome seja sinônimo de terror, sadismo, morte e destruição, ficando conhecido como “Praga de Deus” ou “Flagelo de Deus”.

Lendo o capítulo referente ao rei João, quinto filho do rei da Inglaterra Henrique II, não identifiquei atos criminosos e sádicos suficientemente atrozes capazes de incluí-lo na lista dos mais perversos da história. O mesmo critério se aplica a Raspútin, codinome de Grigóri Iefimovitch Novikh.

O frade dominicano Tomás de Torquemada, como dirigente da Inquisição espanhola, foi responsável pela prisão, tortura e morte de milhares de espanhóis inocentes, espalhando terror e obrigando mais de trezentos mil judeus a deixar a Espanha.

A criação de um dos mais sinistros personagens dos filmes de terror, o Conde Drácula, teria sido inspirada no príncipe Vlad, um romeno que ficou conhecido como “O empalador”. Vlad nasceu em 1431, na fortaleza militar de Sighisaora, na Transilvânia, e morreu em 1476, nos arredores de Bucareste.

Francisco Pizarro, natural de Estremadura, na Espanha, por volta de 1476, passou para a história como o destruidor do império Inca.  Os incas eram um povo indígena dono de um grande império na América do Sul. O contato entre incas e espanhóis, inicialmente amistoso, se transformou em um verdadeiro massacre. Daí, talvez, se justifique a inclusão do nome de Francisco Pizarro entre “Os mais perversos da história”.

Maria I Tudor foi uma rainha católica romana num país que acabara de se tornar protestante: a Inglaterra. Durante seu reinado de 4 anos, ela ordenou a perseguição implacável, tortura e morte na fogueira de mais de trezentos protestantes. Maria nasceu no palácio de Greenwich, Londres, em 18 de fevereiro de 1516, e faleceu no palácio de St. James, Londres, em 17 de novembro de 1558. Ela era filha do rei Henrique VIII e da rainha Catarina de Aragão.

Ivã IV, o Terrível, ordenou e participou do extermínio implacável de milhares de pessoas; seguidores dedicados e inimigos foram mortos em meio a torturas horripilantes, tendo, inclusive, matado o próprio filho herdeiro, golpeando-o na cabeça com om cajado de madeira. Ivã, Czar de Todas as Rússias, nasceu em 25 de agosto de 1530 e faleceu em 18 de março de 1584.

Elizabeth Báthory nasceu em 1560 e foi criada na propriedade da família, na Transilvânia. Ela ficou conhecida como a condessa Drácula, por ser uma mulher má, perversa, sádica e sanguinária. Julgada e condenada à prisão perpétua, ela morreu em seu próprio castelo, aos cinquenta e quatro anos, no reino da Hungria, atual Eslováquia.

Iosif Vissarionovitch Djugachvili é o nome completo daquele que ficou conhecido como Stalin, um ditador tirano responsável pela morte de dezenas de milhões de homens, mulheres e crianças durante o tempo em que ele exerceu o poder na União Soviética. Nas palavras de Mikhail Gorbachev: “A marca da maldade de Stalin é que ele virou a moralidade de cabeça para baixo: o que era ruim tornou-se bom, o que era bom, ruim. Foi um homem que perdeu de vista o fato de que a dignidade e o bem-estar humano estão no cerne de todo progresso”. Stalin nasceu em Gori, Geórgia, em 21 de dezembro de 1879, e morreu em 5 de março de 1953, em Moscou.

Adolf Hitler nasceu na cidade de Brasnau, localizada na fronteira entre a Áustria e Hungria (Bavária), em 20 de abril de 1889, e morreu ao cometer suicídio com um tiro na boca, num “bunker” de Berlim, em 30 de abril de 1945. Hitler, assim como Stalin, foi um ditador sanguinário, sendo responsabilizado pela morte de mais de quarenta milhões de pessoas, mais da metade civis.

Nascida em Dresden, na Alemanha, em 1906, Ise Koch fez parte de um grupo de criminosos nazistas e por suas atrocidades ela ficou conhecida como “A cadela de Buchenwald”, numa alusão ao campo de extermínio no qual ela exercitou seu sadismo contra os prisioneiros. Por crimes de guerra, Ilse foi condenada à prisão perpétua. Na prisão Aichach, na Bavária, ela cometeu suicídio por enforcamento, em 1 de setembro de 1967.

Nos dois últimos capítulos do livro “Os mais perversos da história” são destacados dois déspotas sanguinários que merecidamente figuram nessa lista: Pol Pot e Idi Amin Dada.

Pol Pot ficou conhecido pelo genocídio do povo cambojano durante o regime comunista por ele imposto, no qual homens, mulheres, crianças e bebês foram brutalmente agredidos a golpes de martelo e enterrados vivos. Estima-se que nos quatro anos desse governo foram assassinados cerca de dois milhões de pessoas, um terço da população do Camboja na época.

Idi Amim, autonomeado general, se tornou presidente de Uganda, em 1971. Durante o seu governo, o país, até então próspero, sofreu uma profunda crise econômica ocasionada por má gestão, corrupção e degradação ética.  Em 1979, depois de uma tentativa rechaçada de invasão de seu vizinho ao sul, a Tanzânia, o regime sanguinário de Idi Amim chegou ao fim, deixando um saldo de mais de trezentos mil ugandenses mortos, a maioria com os mais abomináveis requintes de perversidade.

Para mim, a leitura do livro “Os mais perversos da história” não foi uma tarefa agradável.  E só me dispus a escrever sobre ele na expectativa que, conhecendo as atrocidades cometidas no passado, possamos refletir sobre as responsabilidades pelos crimes cotidianos como assassinatos, assaltos, estupros, assim como a violação dos direitos humanos de milhões de adultos e crianças que padecem pelo mundo afora, fugindo das guerras e da fome.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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