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Coluna de Benedito Antonio Luciano: A física e outras ciências

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 30 de junho de 2019 às 11:01

Recentemente, reli o livro intitulado “Física em 12 lições: fáceis e não tão fáceis”, obra de autoria de Richard Phillips Feynman, um dos mais brilhantes e renomados físicos do período pós-guerra, no século XX.

Nascido em Manhattan, Nova York, em 11 de maio de 1918, Feynman ficou famoso por uma série de palestras que proferiu, entre 1961 e 1963. Nessas palestras ele procurou sintetizar ideias profundas sobre a Física e outras ciências, apresentando-as em termos mais acessíveis, aos calouros e alunos do segundo ano do Instituto do Tecnologia da Califórnia.

Na primeira parte do livro, nas seis primeiras lições são enfocados os seguintes tópicos: “Átomos em movimento”, “Física básica”, “A relação da física com outras ciências”, “Conservação da energia”, “A teoria da gravitação” e “Comportamento quântico”.

Na segunda parte, denominada “Física em 6 lições não tão fáceis”, requer do leitor, para a devida compreensão, conhecimentos mais aprofundados em matemática e física. Nela são abordados os seguintes assuntos: “Vetores”, “Simetria nas leis físicas”, “A teoria da relatividade restrita”, “Energia e momento relativista”, “Espaço-tempo” e “Espaço curvo”.

No capítulo 3, “A relação da física com outras ciências”, Feynman apresentou, de forma didática, o porquê de a física ser a mais importante e abrangente das ciências e porque ela exerceu e continua exercendo uma profunda influência no desenvolvimento científico.

Interessante destacar que no tocante à matemática, Feynman afirmou que ela não é uma ciência, no sentido de que não é uma ciência natural, pois o teste de sua validade não é a experimentação, ressaltando que se algo não for considerado ciência, isso não significa que tenha algo de errado; significa apenas que não é uma ciência.

Com relação à química, ele a qualifica como talvez a mais afetada pela física. Dividida em química inorgânica e química orgânica, ele relaciona a primeira com a mecânica estatística e a segunda com a análise e síntese das substâncias formadas pelos sistemas biológicos em seres vivos, o que nos leva paulatinamente à bioquímica ou biologia molecular.

Ao tecer considerações sobre a astronomia, ele a identificou como a ciência cuja compreensão deu origem à física ao revelar as origens dos movimentos das estrelas e dos planetas. Neste particular, o destaque mais importante no campo da astronomia foi a descoberta da origem da energia das estrelas, a exemplo da “queima” nuclear do hidrogênio que fornece a energia do Sol, responsável pela vida na Terra.

Depois de discutir alguns aspectos relativos à geologia e à meteorologia, Feynman voltou a sua atenção para a ciência da psicologia, distinguindo-a da psicanálise, pois segundo ele, a psicanálise não é uma ciência e sim, na melhor das hipóteses, é um processo médico, e talvez se aproxime mais do curandeirismo.

No capítulo 4, “Conservação de energia”, ele parte da lei da conservação da energia para formular uma pergunta aparentemente simples: o que é energia? A resposta vem no último parágrafo desse capítulo: “É importante perceber que, na física atual, ignoramos o que é energia”. E acrescento, conhecemos as formas sob as quais a energia se apresenta e conhecemos, também, as formas de conversões energéticas. Porém, uma definição cabal do que seja energia, desconhecemos.

Nos capítulos 5 e 6, “A teoria da gravitação” e “Comportamento quântico”, que antecedem a “Física em 6 lições não tão fáceis”, o grau de dificuldade aumenta. Neles verifica-se que, embora Feynman tenha se esforçado para tornar a exposição a mais didática possível, os temas ali abordados envolvem conceitos complexos como os que levaram ao desenvolvimento da teoria da relatividade; e esta teoria não é fácil de ser sintetizada no exíguo espaço de um artigo jornalístico.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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