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Coluna de Arlindo Pereira de Almeida: Realidade Ocultada

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 22 de setembro de 2019 às 16:29

Os economistas do Brasil, mais do que em outras épocas, têm se debruçado sobre novas interpretações da realidade, fugindo um pouco dos ensinamentos dos pais da ciência. De fato, as complexas e crescentes relações da sociedade têm trazido vertentes importantes que não podem deixar de ser consideradas, pois os homens não são apenas um número nas estatísticas.

“Só há desenvolvimento quando o homem se desenvolve” nas palavras do grande brasileiro Celso Furtado.

Vivemos no Brasil de hoje o que se poderia chamar de uma realidade ocultada. E ocultada, no dicionário, quer dizer escondida, encoberta, dissimulada. Criou-se uma cortina de fumaça (literalmente) para atacar as instituições democráticas como vingança por interesses contrariados.

Não se poupa, em maior ou menor grau, nem o Congresso, nem o Judiciário, e muito menos o Executivo. Sob o pretexto de defesa do meio-ambiente (uma causa nobre que precisa ser tratada com seriedade), procura-se distorcer fatos atribuindo aos atuais mandatários da nação toda a culpa pelo que acontece desde há muito tempo.

O Brasil está cansado da cantilena em que se transformou o noticiário de alguns poderosos veículos de comunicação. Narrativa entediante, queixume insistente, verbalizado por apresentadores com cara de velório.

O direito de divergir é inalienável, a imprensa tem que ser independente, a liberdade de expressão é base da nossa existência como país livre, mas, lamentavelmente, hoje critica-se por criticar, ouvindo apenas um dos lados da questão.

Não que erros não estejam ocorrendo, pelo contrário, são muitos, as palavras estapafúrdias, são muitas, a falta de compostura muitas vezes é evidente. Mas, nos regimes democráticos, os melhores ensinamentos são extraídos dos erros. O mais sensato seria criticar e trazer, de alguma forma, sugestão quanto ao que deveria ser feito.

Numa democracia são efêmeras as passagens dos que governam. Ao contrário dos regimes totalitários, sempre sanguinários, que têm por base a força para perpetuidade no poder. Foi assim com Stalin, que governou a Rússia por 26 anos, com Hitler na Alemanha, nos 12 anos no poder e Mussolini, no comando da Itália de 1922 a 1943.

Esse trio execrável, foi responsável pelos maiores crimes contra a vida humana de que se tem notícia, e eles só deixaram de governar quando mortos, sem deixar saudade.

Daqui a três anos, teremos novas eleições para Presidente da República e Governadores. O cidadão é quem vai escolher se quer ficar com os atuais ou se elegerá novos personagens que façam coisas melhores.

Muitos têm depreciado o contido no Hino Nacional ao dizer “gigante pela própria natureza”. Mas queiramos, ou não, somos verdadeiramente gigantes, não só pela extensão territorial ou pelo tamanho da população.

Desfilaremos alguns números para mostrar que não somos uns nanicos.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, somos a 8ª economia do mundo, temos o maior rebanho bovino, 1º lugar na produção de soja, ultrapassando os Estados Unidos, 1ª colocação na produção de feijão e café, o 3º maior produtor de milho.

No 3º trimestre de 2019, foram abatidos mais de oito milhões de bovinos, 11,3 milhões de suínos, 1,424 bilhão de frangos. Foram produzidos mais de 5,8 bilhões de litros de leite e 942 milhões de dúzias de ovos. Disso não se fala.

O crescimento do PIB é pífio. O desemprego é grande. A saúde é precária tanto quanto a educação. A insegurança aterroriza. Disso se fala, e muito. Mas, é absurdo constatar que muitos passam fome num país que produz tanto e disso se fala pouquíssimo.

A origem desses e de tantos outros males é obra dos homens que dirigem nossos destinos, seja nas três esferas de poder – executivo, legislativo e judiciário – seja nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal. E, por fim, do próprio cidadão pelas escolhas equivocadas de seus representantes.

Talvez pudéssemos nos inspirar em momentos vividos por outros países para tentar organizar o nosso. Seria de bom tom, talvez, aplicar o ensinamento do filósofo grego Plutarco, nascido em 46 d.C.:

“O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro. Mas os espertos aprendem mais com os erros dos outros”.

Na década de 70, na tentativa de superação dos graves problemas enfrentados pela Espanha, após quatro décadas de uma ditadura (sanguinária como todas elas), foi estabelecido o que passou a ser conhecido como o Pacto de Moncloa.

Tinha três grandes objetivos: político, o mais importante, econômico e social. Participaram das negociações o governo, todos os partidos políticos criados ou autorizados pelo plebiscito e pela nova constituição, os sindicatos influenciados por comunistas (organizações obreiras) e socialistas (a União Geral dos Trabalhadores, a UGT) e a poderosa associação de empresários do país a Confederação Espanhola das Organizações Empresariais.

Dessa união, em que, a bem da verdade, todos os problemas não foram superados, emergiu, contudo, um país melhor.

Por que, nós brasileiros, insistimos nos velhos erros?

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Economista.

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