Quantcast

Fechar

logo

Fechar

Coluna de Arlindo Almeida: O Brasil e o panorama econômico mundial

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 24 de abril de 2019 às 19:25

Por Arlindo Almeida

Estudo recente publicado pela empresa Austin Consultoria, converge para avaliações de organismos internacionais sobre o atual estágio de nossa economia, cujo dado mais impactante e que nos traz preocupações é a baixa evolução do PIB.

A média de crescimento das economias mundiais em 2018, foi estimada em 3,7%, enquanto no Brasil o produto interno bruto cresceu 1,1%.  O trabalho da Austin mostra que, em 2018, o Brasil ficou na 40ª colocação no ranking do Produto Interno Bruto de 42 países selecionados, que tiveram aumento médio de 3,2%. Entre 2002 e 2017, os gigantes asiáticos apresentaram uma taxa anual de crescimento do PIB bem superior à nossa: China 8,78%, Índia 7,27%, enquanto nós ficamos com 4,96%. De 2010 até 2017 nosso PIB cresceu a uma média anual de 1,36%.

O nível de investimento, como porcentagem do PIB, que significa elevar a capacidade de desenvolvimento futuro, é baixo.  Enquanto no Brasil está na faixa dos 15% na Índia é quase o dobro – 27,6%.

Cada vez mais se amplia o fosso entre o Brasil e outros importantes protagonistas da economia mundial, nós, cujos prognósticos de há poucos anos nos indicavam como possível quarta economia mundial até o ano de 2050, estamos imersos em gravíssimos problemas, não só macroeconômicos, que comprometem o futuro de nossa gente.

O peso de questões não resolvidas satisfatoriamente é muito grande e ainda não descobrimos o rumo a tomar. No livro Alice no País das Maravilhas, em certo ponto, ao deparar com uma encruzilhada, a personagem pergunta a um gato curioso qual o caminho a tomar. Ele argui, então, a que lugar ela desejava chegar; diante da resposta de que não sabia, o gato disse: escolha qualquer caminho, que pode levar você a lugar nenhum. O Brasil teima em repetir Alice.

No espaço de tempo entre o fim da década de 40 e os dias de hoje, experimentamos altos e baixos em todos os aspectos da vida em sociedade: dívida pública crescente, déficits orçamentários, inflação alta, confisco de poupança, planos econômicos frustrados, governos autoritários, mandatários irresponsáveis, uma Constituição que dá margem a tantos erros ao consagrar uma infinidade de direitos com poucas obrigações, homens públicos na sua maioria desqualificados para a função, corporativismo exacerbado, aparelhamento da máquina pública, roubalheira que penetrou fundo nos organismos de estado com o envolvimento de grandes empresas, violência, desemprego, educação de má qualidade, saúde na UTI. E o que é pior, a ilusão de tentar resolver ideologicamente questões reais, substituindo o diálogo pelo radicalismo que desune.

O fato é que evolução da economia tem se dado de forma errática, períodos de crescimento mais rápido e fases de baixo nível evolutivo, ou mesmo de queda.

Segue-se série estatística levantada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a partir de 1947.

 

TAXA DE CRESCIMENTO DO PIB
PERÍODOTAXA MÉDIA %
1949/508,70
1951/607,15
1960/706,12
1971/808,80
1981/903,01
1991//20001,75
2001/20103,41
2011/171,36

 

Mas, vamos parar por aqui nesse rosário de coisas ruins.

A grande ironia é que tudo isso acontece no Brasil, visto como “o país do futuro”, tal o seu imenso potencial econômico e humano. Somos hoje um dos maiores produtores mundiais de alimentos, reservas de petróleo no pré-sal estimadas em US$ um trilhão, reservas cambiais confortáveis, inflação baixa, e tantas coisas mais.

Por que o Brasil ainda não deu certo? Será pelas más escolhas do caminho a seguir? Falta de planejamento e gestão? São questões em aberto.

Valeria trazer aqui uma frase antológica do Gênio William Shakespeare:

“Há momentos em que os homens são donos de seus fados. Não é dos astros a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos”.

Talvez pudéssemos tornar concisa a Constituição Cidadã, substituindo-a pela sugestão do historiador cearense Capistrano de Abreu, em dois únicos artigos.

“Artigo 1º – Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. “Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário.”

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Arlindo Pereira de Almeida
Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube