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Coluna de Arlindo Almeida: A Estatística e o Desenvolvimento Humano

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 12 de agosto de 2020 às 19:18

“A estatística é um ramo da matemática que lida com os dados numéricos relativos a fenômenos sociais ou naturais, com o objetivo de medir ou estimar a extensão desses fenômenos e verificar suas inter-relações.” (Novíssimo Dicionário de Economia).   

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), idealizado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq, em colaboração com ganhador do Nobel de Economia, o indiano Amartya Sen, que é publicado anualmente pelo PNUD/ONU, usa de métodos estatísticos para medir o grau de desenvolvimento de um país. É um instrumento de aferição que amplia o entendimento de que a dimensão econômica não é suficiente para explicar a profundidade de uma questão   que afeta a todos, uns mais e outros menos.

O IDH, não leva em conta apenas a renda per capita, como tradicionalmente, mas três dimensões: renda, educação e saúde. No entanto, não é um elemento que por si explique toda complexidade dos aspectos mais difíceis de serem medidos como igualdade, democracia, sustentabilidade. 

Na edição de 2019, o índice analisa 189 países classificando-os em quatro categorias. a)  IDH muito elevado (de 0,800 a 1,000); b) IDH elevado (de 0,700 a 0,799); c) IDH médio (de 0,555 a 0,699); e baixo IDH (menos que 0,555). Selecionamos alguns países como exemplo. 

O ideal seria 1,000, utópico desejo de igualdade absoluta. Mas vamos à realidade. 

IDH – PAISES IDH POSIÇÃO
nível muito elevado (62 nações) – Média  0,892  
Noruega 0,954 1a.
Alemanha 0,939 4a.
Estados Unidos 0,92 16a. 
Seicheles 0,801 62a.
nível elevado 0,75  
Sérvia 0,799 63a.
Brasil 0,761 79a.
nível médio (34 nações) – Média 0,634  
Vietnã 0,693 118a.
Índia 0,647 129a.
nível baixo (36 nações) – Média 0,507  
Síria 0,549 154a.
Níger 0,377 189a. 

O PNUD ainda não divulgou os dados de 2019 sobre os estados e municípios do Brasil. Pelos últimos números disponíveis, a Paraíba se enquadrou no nível médio (0,658), e os melhores municípios são João Pessoa (0,763), Cabedelo (0,748) e Campina Grande (0,720).  

“Em todos os países, muitas pessoas têm poucas perspectivas de um futuro melhor. Desprovidas de esperança, propósito ou dignidade, assistem, nas margens da sociedade, ao avanço dos outros, rumo a uma prosperidade cada vez maior. A nível mundial, muitos escaparam à pobreza extrema, mas são ainda mais os que nunca tiveram nem as oportunidades nem os recursos para gerir as suas vidas. O gênero, a etnia ou a riqueza dos pais ainda determinam, com demasiada frequência, o lugar de uma pessoa na sociedade.” (ONU).

Um simples exemplo serve para evidenciar o que se diz, tomado de crianças nascidas em 2000 em países de diferentes categorias: Baixo nível de IDH 🡪 17% morrem até os 20 anos; 80% não matriculados no ensino superior e apenas 3% têm essa oportunidade.  Já em países com nível muito elevado a realidade é essa: 1% morrem antes de 20 anos; 55% têm acesso ao ensino superior e 44% não.

A ONU fala na necessidade de reduzir as desigualdades no século XXI, mas o tempo vai passando e as sociedades têm que determinar o que fazer para solucionar a falta de equilíbrio no desenvolvimento humano. Em linhas gerais é indispensável trabalhar em duas linhas: as básicas e as avançadas.

Nas capacidades básicas temos: sobrevivência na primeira infância, ensino primário, nível elementar de tecnologia e resiliência, ou seja, resistência continuada para superação dos problemas antigos que se repetemPara as capacidades avançadas: acesso a cuidados de saúde de nível elevado, educação de alta qualidade, acesso efetivo às tecnologias atuais e resiliência face a problemas novos, inéditos.

Qualquer que seja o nível de desenvolvimento de um país, deve-se observar que as aspirações humanas estão em permanente evolução, ninguém se contenta em permanecer estático diante de um mundo que se transforma a cada momento.

A grande preocupação quanto aos dias que virão reside na influência que exercerão as novas tecnologias sobre a vida no planeta. Embora seja registrado algum progresso na redução das privações extremas não avançaremos se não houver convergência entre as capacidades básicas e as avançadas. A tecnologia, é uma faca de dois gumes. Senão for bem usada poderá frustrar todos os sonhos de redução das desigualdades no desenvolvimento humano no século XXI. 

As desigualdades são diferentes de país para país. No Brasil, o 1% mais rico concentra 28,3% da renda total; (os 10% mais ricos no Brasil concentram 41,9% da renda total). A Índia aparece no ranking com 21,3%. Os Estados Unidos e a Rússia concentram 20,2% nas mãos do 1% mais rico. Enquanto isso, a China a concentração é bem menor, 13,9%. 

Em linhas gerais, este é o maior dos desafios de toda a nossa história: como transformar nosso imenso potencial econômico em riqueza a ser distribuída menos injustamente. O que estão fazendo a sociedade, nossos homens públicos, nossos dirigentes, para tornar possível esse desiderato, esse sonho difícil?  

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Arlindo Pereira de Almeida

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