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Coluna de Arlindo Almeida: A Competitividade

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 23 de setembro de 2020 às 21:00

As mudanças que o mundo experimentará nos próximos tempos, difíceis de ser previstas nos dias atuais, somente acentuarão uma tendência acelerada que vimos assistindo hoje. As sociedades insuficientemente preparadas para essa quadra da história da humanidade fatalmente serão condenadas ao atraso, acentuando um fenômeno que já assistimos agora: a grande desigualdade econômica e social no planeta. Exemplo dessas assimetrias é o Brasil, de potencial imenso, em que a parcela dos 10% mais ricos concentra 42% da renda. Segundo relatório das Nações Unidades, em 2018, ocupávamos a posição 79ª do ranking.

Ante essa constatação, resta-nos perguntar: por que algumas nações, grupos sociais e empresas prosperam, e muitos outros são condenados à ausência de desenvolvimento? Fato incontestável é que a crescente internacionalização da economia trouxe consigo esse diferencial. Uns progridem mais e os demais ficam no “fim da fila”.

Em tudo é importante a abordagem estratégica das possibilidades de mercado tanto para países como para suas unidades menores. Avaliar nossos pontos fortes e fracos e decidir como agir. Queremos produzir apenas para o consumo interno ou pretendemos estender o raio de ações para outras regiões? São decisões que terão repercussões de longo prazo. Que tipo de compradores visamos: os de alta renda ou os de renda menor? Os países mais desenvolvidos sempre se preocuparam mais com produtos de melhor qualidade e de maior preço. Já a China concentrou seus esforços em mercados de bilhões de pessoas de mais baixo poder aquisitivo, com preços menores e qualidade inferior; daí a avalanche de produtos chineses de todos os tipos, de baixa qualidade e preços convidativos que vemos no comércio de todas as cidades do Brasil, por exemplo. Aproveitou-se o gigante asiático das condições de sua própria economia – ausência de leis de proteção do trabalhador, baixíssimos encargos sociais. Tudo isso sem que os demais países seguissem estratégias de proteção à produção local.

O conceito de competitividade, sem ser o único, talvez traga alguma luz sobre esse assunto. Competividade entendida como capacidade de se posicionar melhor ante as imposições das forças sociais e de mercado. Seremos competitivos quando pudermos fazer, com os mesmos meios, mais e melhor que os outros, tanto na vida privada, como nas empresas e mesmo nos serviços governamentais. Isso é agregação de valor.

Muitos tem sido os instrumentos para determinar o grau de competividade de economias, tanto globais, ou restritas ao território de um país, no caso que abordamos, os estados do Brasil. É uma espécie de bussola a indicar o melhor caminho.

Nesse sentido a instituição da sociedade civil CLP -Liderança Pública, Estudo vem realizando há alguns anos, um trabalho cujo objetivo é colaborar para que o estado brasileiro seja mais eficiente e respeitoso no uso de seus recursos, bens de todos e não dos governos. Enfim, que sejamos mais competitivos.

A CLP conta com apoio técnico da B3SA, grande empresa do mercado financeiro mundial, da Consultoria-Tendência Brasil (uma das maiores do país) e da EIU – Divisão de Pesquisa e Análise do grupo a que pertence a revista The Economist.

A mais nova edição da pesquisa da CLP, divulgada no dia 17 deste mês, considera dez pilares de avaliação dos estados brasileiros, totalizando 80 indicadores – 1º potencial de mercado (com 3 indicadores); 2º infraestrutura (10); 3º capital humano (4); 4º educação (13); 5º sustentabilidade social (13); 6º segurança pública (9); 7º solidez fiscal (10); 8º eficiência da máquina pública (8); 9º inovação (5); e 10º sustentabilidade ambiental (5). As médias variam de 0 a 100.

Na média geral, são estes os três melhores resultados: São Paulo 86.4; Santa Catarina 79,5; Distrito Federal 70,1; os três piores resultados são: Roraima 29,9; Piauí 26,3; Acre 26,3.

No Nordeste as posições são as seguintes: 1º Ceará 49,5; 2º Paraíba 46,3; 3º Alagoas 45,0; 4º Pernambuco 43,0; 5º Bahia 39,1; 6º Rio Grande do Norte 35,9; 7º Sergipe 32,2; 8º Maranhão 30,7; e 9º Piauí 26,3. Somos o segundo melhor posicionado na região.

Para efeito de demonstração, selecionamos alguns indicadores em termos nacionais em que se insere nosso estado, um para cada pilar:

Paraíba Online • Coluna de Arlindo Almeida: A Competitividade

Com base no que foi dito e a título de ilustração, o que fazermos em Campina Grande? Num primeiro instante, concentrar nosso esforço visando a aproveitar a posição privilegiada que reunimos na Pesquisa Científica, transformando nossas Universidades e Instituições afins em celeiros de grandes empreendimentos, em operações ou atividades que visem descobrir novos conhecimentos, aumentando a renda e o emprego.

O que nos falta para multiplicar nosso potencial de produção de calçados e acessórios, quando contamos com o maior centro de tecnologia do Norte/Nordeste em nossa cidade, o CTCC do sistema “S”, e mão-de-obra qualificada. Por que insistimos em compra de produtos importados, de baixa qualidade, em detrimento da produção local?

É um desafio para a coletividade. Saiamos da inércia, sejamos objetivos e identifiquemos o que queremos. Que implantemos políticas de desenvolvimento consentâneas com a nova realidade. Aproveitamos as oportunidades, ou deixamos tudo como está?

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Arlindo Pereira de Almeida

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