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Campina Grande - PB

Coluna de Álvaro Neto: O arrasta pé da cerveja

16/05/2018 às 8:24

Fonte: Da Redação

Para a cultura nordestina, o mês de Junho é o mais esperado do ano porque nele homenageamos alguns dos santos mais populares do nordeste: Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29). Indiscutivelmente, é um mês de festa e a cerveja é uma das principais convidadas dessas comemorações.

O auge dos festejos acontece na noite do dia 23, véspera de São João, quando famílias e amigos acendem fogueiras, queimam fogos, assam leitões, fartam as mesas com milhos cozidos, pamonhas, canjicas, mungunzás, pés-de-moleque, rapaduras e muitas outras comidas típicas. No dia seguinte, a ressaca é regada a muito churrasco, buchadas, rabadas, um amplo cardápio de comidas regionais.

A cerveja, como o povo nordestino, tem vários sabores, cores e texturas que vão sendo orquestrados e resultam em bebida encorpada como a labuta do dia a dia, leve como a expressão de um sorriso, doce como a declamação de um amor, forte como a devoção a uma fé, amarga como o fim do São João, marcante como a expressão de uma cultura, refrescante como os dias de chuva e calorosa como os momentos de celebração para acolher e querer bem ao próximo.

Todos esses aromas e sabores harmonizam perfeitamente com vários estilos de cervejas. A Altbier, Doppelboch, American Brown Ale, Munich Dunkel e Biere Gard acompanham um suculento leitão; Dortmunder Export, German Weiss e Kolsch dialogam com as comidas de milho; já o churrasco pede Altbier, India Pale Ale, Other Smoked Beer; rabada combina com Barley Wine, Belgium Dark Strong Ale, Belgium Dubel, Strong Scotch Beer e English Brown Ale. Não poderia faltar as Stouts e Porters para complementar os momentos doces da festa com seus toques de chocolate e café.

Esse contexto de fogueira e queima de fogos ainda dialoga com a Wee heavy e a Rauchbier que dão um toque especial a esse ambiente enevoado.

Essa quadrilha junino-gastronômica baila com os acordes da sanfona, zabumba e triângulo em um arrasta pé que encanta os apreciadores de todos os gostos e regiões.

Assim é a cerveja. Assim é o povo nordestino. Festivos, incansáveis na busca pelo melhor em cada brassagem, em cada dia, em cada luta. Respeita os detalhes e “A natureza das coisas”, como nos mostra os versos do cantor e compositor paraibano, Flávio José: Se avexe não, toda caminhada começa com o primeiro passo, a natureza não tem pressa, segue seu compasso, inexoravelmente chega lá. 

(*) Álvaro Teodoro Neto é proprietário do empório Soul Cervejeiro, na cidade de Campina Grande, Paraíba, e aspirante a beer sommelier.  

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