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Campina Grande - PB

Coluna de Ailton Elisiário: Vitória filial

26/04/2018 às 7:50

Fonte: Da Redação

Nesse dia 9 de abril eu me encontrava em Lisboa – eu e Socorro – para assistirmos a defesa da tese de doutorado de minha filha Danielle. Durante 4 anos ela se dedicou ao seu doutoramento, qualificando-se conforme as disposições estatutárias da Universidade Federal de Campina Grande, onde ela é professora, e as exigências regulamentares da Universidade Nova de Lisboa.

Sob o título “Ilítia Ciborguiana: o parto ativo à luz da atuação de parteiras e doulas brasileiras nos medias digitais”, ela estudou pelo lado da Comunicação o fenômeno do parto no Brasil, cuja modalidade do parto cesariano tem sido privilegiada em contraposição ao do parto ativo ou humanizado.

Na mitologia grega Ilítia era a deusa dos partos e gestantes. Filha de Zeus e Hera protegia as mães durante o período de gestação. Ciborguiana, de “ciborgue”, ou o hibridismo entre o homem e a máquina e a incorporação das tecnologias em seus modos de existência. Daí o parto cesáreo que utiliza a tecnologia e que leva as mulheres a realizarem seus partos sem dor.

 A palavra “doula”, que vem do grego, significa a “mulher que serve”. A doula dá suporte físico e emocional à gestante antes, durante e após o parto. No Brasil, onde o fenômeno do parto cesáreo é preocupante, a ponto de o Ministério da Saúde adotar programas de incentivo ao parto ativo, sabe-se que no exterior a atuação da doula no parto normal pode diminuir em 50% as taxas de cesárea.

O percentual de partos cesáreos no Brasil chega a 84% na saúde suplementar e a 40% na rede pública. Nada, porém, justifica essas altas taxas de cesáreas. O normal é que o parto seja normal, não se podendo aceitar que as cesarianas sejam realizadas por comodidade ou em função do poder econômico.

A pesquisa de Danielle foi realizada em todo o Brasil, através da internet, tendo detectado questões interessantes e importantes sobre a atuação das parteiras e doulas, que ainda são carentes de um espírito de organização profissional, apesar da existência de associações locais e regionais. Existem doulas voluntárias que trabalham sem remuneração e doulas particulares que cobram, mas o trabalho delas ainda não é reconhecido como profissão.

Aprovada por unanimidade, por uma banca examinadora de 5 acadêmicos doutores, Danielle recebeu conceito Bom com Distinção. Eu e Socorro lhe entregamos simbolicamente um Troféu de Mérito por sua vitória acadêmica e profissional e tivemos a alegria de conhecer seu orientador, o professor Jorge Martins, a quem presenteamos com a obra fotográfica “Ah, Campina!”, do amigo Edson Vasconcelos, para ele conhecer a terra de sua aluna distinguida.

Danielle, o agradecimento feito a mim e a sua mãe na sua tese doutoral somente me faz aumentar a alegria de poder reafirmar meu amor de pai por você, me envaidecendo da filha que tenho. Quanto a sua mãe, sem dúvida alguma, ela zela por você em algum lugar desse universo. Permaneça com seu trabalho e seus estudos, formando os nossos jovens e engrandecendo o nosso país. E que Deus continue a abençoando.

(*) Ailton Elisiário é professor, membro da ALCG

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