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Coluna de Ailton Elisiário: Revolução da compaixão

Ailton Elisiário. Publicado em 6 de julho de 2019 às 8:34

Concluí a leitura do livro “Façam a Revolução”, do Dalai-Lama. Nele, o líder espiritual do Tibete apela aos jovens deste século para fazerem a “Revolução da Compaixão”. Uma revolução que inicia no interior de cada um e se estende pela humanidade. Adotando o lema da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, o lema republicano por excelência, o Dalai-Lama concita a essa Revolução, pois, somos todos membros de uma única família humana.

O tema Compaixão tem ganhado terreno entre os escritores notadamente espiritualistas, como instrumento de conquista e estabelecimento permanente da paz mundial. O teólogo Leonardo Boff no livro “Princípio de Compaixão e Cuidado”, aborda o tema e afirma que três razões fazem da compaixão um tema de relevância atual. São elas: “os milhões de pessoas vitimadas pela cruel competição do mundo globalizado, a crescente pobreza e exclusão social a nível mundial e a sistemática agressão ao sistema Terra, que põe em risco o futuro da biosfera”.

Este livro que foi publicado em 2000, fornece esta estatística: 20% da humanidade detinha 84% dos meios de vida e os 20% mais pobres contentavam-se com 1,4% dos recursos. Em 1970 eram 70% e em 1960 eram 2,3%, respectivamente, significando que a situação piorou em 30 anos. Outros índices demonstram que no período aumentou a exclusão social de forma assustadora.

Desde que o processo de globalização foi instalado no mundo que a situação de vida das pessoas tornou-se crescentemente mais crítico. A concentração de renda em mãos de poucos tem se intensificado gradativamente. Isto significa dizer que a grande maioria das populações dos países do mundo inteiro tem se tornado cada vez mais difícil. Veja-se o quadro do Brasil, onde se tem atualmente mais de 13 milhões de desempregados e sem perspectiva de melhoria, número que cresceu ao longo dos últimos anos.

Não se pode desconhecer dos avanços tecnológicos advindos da globalização em todo o mundo, porém, não se pode esconder o crescente empobrecimento das populações, que têm sofrido as consequências da concentração da riqueza mundial. Por isto, o grito do Dalai-Lama para a Compaixão das pessoas por seus semelhantes, como forma de se estabelecer uma convivência saudável e pacífica entre os homens. E essa determinação está na vontade e ação da juventude do século atual, para garantia de sua própria vida futura e de seus descendentes.

Nós somos uma grande família humana e como tal devemos nos afastar do ódio fratricida tornando-nos artesãos da paz. Todos temos sentimentos, capacidade de nos emocionarmos, de afetarmos e nos sentirmos afetados. Máquinas não têm coração, mas o ser humano sim. E de nada vale termos e nos sentirmos felizes, quando ao nosso redor apenas vemos sofrimento e desolação. Nós não vivemos por nós mesmos, mas nossas vidas só têm sentido quando nos relacionamos com os outros e desse relacionamento resulta uma convivência afetuosa, onde a compaixão dita os nossos pensamentos e as nossas ações.

A compaixão, porém, não é um mero sentimento de piedade para com os que sofrem, mas sim, a capacidade de compartilhar a própria paixão com a paixão dos outros. É sair-se de si próprio e entrar no universo do outro, para com este sofrer, para com este alegrar-se, para com este caminhar juntos, construindo uma vida justa e solidária. É enfim, lutar contra a vontade de dominação e possessão e entrar em comunhão com as coisas e com as pessoas.

Pode-se dizer que a Revolução da Compaixão é uma utopia, mas a utopia pode tornar-se realidade. Os jovens do Século XXI estão convocados a isto e têm todos os elementos para fomentar esta Revolução, serem dela protagonistas e alcançarem resultados diferentes das revoluções do passado, que mesmo tendo mudado regimes políticos, não mudaram o espírito humano. A Revolução da Compaixão é, sem dúvida, a Revolução das Revoluções.

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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