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Coluna de Ailton Elisiário: Aurora no Egito

Ailton Elisiário. Publicado em 21 de setembro de 2019 às 19:37

Quando no início deste ano estive visitando o Egito, tive o ensejo de com Socorro fazermos um passeio em Luxor, sobrevoando o Vale dos Reis num balão. O dia estava amanhecendo, cerca das cinco horas da manhã. Nós dois e mais os amigos da excursão começávamos a nos deleitar com o raiar do sol naquela linda manhã.

As emoções sentidas eram variegadas, não só por suas diferenciações físicas, mas principalmente por tudo quanto nos movia em nosso interior. A alma, a mente, o coração, se remexiam com muita intensidade, ante o que nós vislumbrávamos da força da natureza e da grandiosidade de Deus.

Estávamos na terra que foi berço das civilizações, fonte da religiosidade humana, do mito e do misticismo, onde o sol desponta todos os dias em sua majestade para vicejar o humus do rio que fecunda a vida na região. O sol, Amon-Ra, o deus da fertilidade no reino dos faraós.

Um momento indescritível em minha vida, por muito que tente transmitir o sentimento misto de humanidade e divindade de que fui tomado, ao vislumbrar no horizonte o nascer da estrela magna espargindo seus raios por sobre o caudaloso rio Nilo e por toda a cidade. Contemplávamos das alturas o deserto do Saara, as terras férteis banhadas pelo Nilo, os templos históricos da região, montanhas, plantações e pequenas vilas.

A fotografia que fiz do alto, naquele balão que cortava os ares intrépido e calmo, marcou o momento grandioso da nossa presença no reino dos faraós, que embora no distante passado destruído pelas invasões de povos hostis, ainda hoje permanece imponente e misterioso no imaginário de todos.

As figuras dos deuses Osiris, Isis e Horus, dos faraós Ramsés, Amenófis, Amenhotep e Akenhaton, das rainhas Nefertari, Nefertiti e Cleópatra, a suntuosidade dos templos de Luxor, Karnak, Hatshepsut, Abu Simbel e Kom-Ombo, desfilavam na magnitude do esplendor do Sol atingindo com seus raios dourados o povo egípcio e todos os que o visitavam.

O mundo se transportava ao remoto passado nas cenas em que via transparecer pela viagem mental que fazia a mais de mil e quinhentos metros acima da terra sagrada, pela sua história e pelo conhecimento científico e religioso transmitido à posteridade do mundo inteiro.

Uma viagem de grandes momentos indeléveis, realmente inesquecíveis; uma saudade e um convite a retornar com mais tempo disponível para um mergulho profundo na história dos faraós que ainda hoje eletrizam e encantam o mundo.

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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