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Coluna Arlindo Almeida: Lições e desafios

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 1 de novembro de 2018 às 15:42

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

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Por Arlindo Almeida

O que aconteceu no Brasil nas eleições deste domingo, traz uma lição ainda não bem assimilada por parte da população: a vontade popular se manifestou contrariamente ao que apregoavam especialistas das mais diversas áreas, principalmente alguns cientistas políticos e profissionais comprometidos, mal-intencionados, que tentaram manipular os votos como no passado.

O candidato vencedor, sem fazer nenhum juízo de valor, não carregava atrás de si uma estrutura de propaganda organizada mas o cidadão supriu essa aparente fragilidade e o resultado está ai, exigindo de vencidos e vencedores do pleito o reconhecimento de que o resultado é incontestável e precisamos olhar para frente, pois Bolsonaro, queiram ou não, será agora Presidente do Brasil e não apenas dos que nele votaram.

A própria comunidade colocou um freio de arrumação na coisa. Os que votaram no candidato derrotado também deram uma lição de civilidade que deve ser espelho para seus próprios líderes partidários. O povo está cansado de disputas vãs, mesquinhas, e os líderes devem nunca perder isso de vista.

É a democracia tão ansiada e que custa caro, em que a eleição é uma etapa vencida, página virada que se renova. As energias, que antes eram concentradas na disputa, necessitando ser canalizadas para a reconstrução do Brasil.

Soou estranho, mesmo, ouvir do derrotado que “iremos resistir”, slogan ideológico surrado, ultrapassado, que parecia mais grito de guerra ou retórica fútil, que não cabe numa democracia como a nossa, cheia de defeitos mas com todas as instituições funcionando na sua plenitude..

Esse comportamento seria manifestação tardia da ideologia que para o grande economista austríaco Joseph Schumpeter “é uma religião. Para o crente apresenta, primeiro, um sistema de fins últimos que incorporam o sentido da vida e são padrões absolutos pelos quais julgar eventos e ações; e, em segundo lugar, um guia para esses fins que implica um plano de salvação e a indicação do mal do qual a humanidade, ou uma seção escolhida da humanidade, deve ser salva”.

É, pois, matéria de fé, que segundo o Apostolo Paulo, é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.

Eleição vencida não outorga ao Presidente Bolsonaro carta branca para aventuras, pois se recebeu 55% dos votos, a estes se somam 45% dos que votaram contrariamente e a cobrança será de 100% dos números válidos.

A grande expectativa da sociedade brasileira a partir de agora, é como recolocar o Brasil de volta aos trilhos da normalidade, do desenvolvimento e da igualdade de todos, tal a miríade de problemas que afetam a todos os contendores da eleição. Tarefa ingente, desmedida, que precisa, obrigatoriamente da colaboração dos cidadãos.

Nessa questão de recuperar o tempo perdido não existe espaço para chorar os erros de sucessivos governos ou identificar culpados, a não ser os ladrões que roubaram descaradamente o nosso dinheiro e que só merecem um destino – pagar por seus crimes. É tempo de reconstrução.

Mas uma coisa intrigante nas discussões é que, tanto a corrente que venceu ou a que perdeu as eleições, têm propostas que no seu conteúdo apresentam poucas diferenças porque em economia não existem mágicas. São divergências apenas quanto à forma.

Ninguém com um mínimo de juízo pode afastar a obrigação de reforma da previdência, no controle dos gastos, no equilíbrio orçamentário, na contenção da dívida pública, cujos encargos representam tudo o que destinado à educação, à saúde e à segurança.

Nem um governante de bom senso, pode ignorar as desigualdades sociais e regionais do Brasil. Jamais se poderia pensar em abolir programas da magnitude do Bolsa Família, só como exemplo; ao contrário, devem ser corrigidos os desvios, a roubalheira de pessoas que não precisam do auxilio e recebem indevidamente. O valor do Bolsa Família é muito baixo é deve ser aumentado com a economia do corte dos que o recebem indevidamente. A mesma coisa para os outros bons programas governamentais que precisam de um pente fino para coibir o mau uso do dinheiro público e destiná-lo aos que efetivamente são merecedores.
As desigualdades regionais hão de ser corrigidas. Não se entende o porque do Nordeste tendo quase 30% da população do Brasil, continua patinando há quase um século, pelo menos, com uma participação inferior a 14% do Produto Interno Bruto do País.

É essencial que essas e outras questões sejam oferecidas pelo futuro governo ao crivo da sociedade e que se encontre um razoável consenso sobre o que fazer.

Divergências ocorrerão, isso é próprio da vida da sociedade, mas sem jamais ultrapassarem os limites da convivência democrática.

Uma coisa é verdade: diante da profundidade da crise, não se pode esperar resultados no curto prazo, é uma tarefa para anos. Por isso mesmo é indispensável estabelecer uma ordem, uma hierarquia para as providências do governo. Uma espécie de curva ABC como falam os economistas.

O A é o mais importante, o B é de importância média e o C os demais projetos.

Primeiro atacar aquilo de maior peso, que represente uns poucos programas, mas que implicam em alto volume de recursos, por exemplo, déficit fiscal, dívida pública, seguridade social.

O A, a prioridade um envolve, pela experiência de outras ocasiões 10% dos projetos e 70% dos recursos. Ao B correspondem cerca de 20% dos recursos e igualmente 20% dos projetos. O C envolve apenas 10% dos recursos, mas 70% dos projetos.

O que se espera é que todos compreendamos que cessadas as disputas, todos nos unamos em torno do Brasil.

Afinal o candidato Fernando Hadad, cessado o ardor da disputa e honrando sua inteligência, mudou o discurso e disse na sua exemplar mensagem para o vencedor:

“Presidente Jair Bolsonaro. Desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor. Escrevo essa mensagem, hoje, de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós. Boa sorte!”.

Que fiquemos todos atentos ao desempenho do próximo governo…senão acertaremos as contas daqui a quatro anos, no voto. De coração leve vamos nos unir em torno do Brasil?

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