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Caminhando contra o vento

Roberto Hugo. Publicado em 19 de setembro de 2016 às 21:10

Foto: Paraibaonline

Por Roberto Hugo

O futebol paraibano sempre viveu um drama politico e financeiro sem solução. Quando a gestão é apaixonada a razão perde espaço no compasso do pensamento. Quando o financeiro está em desequilíbrio, a casa desarruma, o crédito some, as pendencias afloram e as penhoras levam o que sobra.

O futebol paraibano sempre agonizou. Quando foi bancado por “abnegados”,  melhorou os índices técnicos, mas não houve sustentabilidade. Os títulos conquistados no futebol sempre foram menores do que os  títulos protestados nas juntas trabalhistas.

O que leva o futebol paraibano a se manter em atividade, é a paixão daqueles que não acreditam na matemática.  No óbvio. Apesar do saldo sempre ser negativo, eles prosseguem mesmo em estado de coma. O coração opta pela esperança .

O Ypiranga e o Paulistano de priscas eras já sucumbiram em Campina Grande. O Treze já perdeu parte do seu patrimônio para atender demandas judiciais. Há poucos dias o Estádio  P. Vargas foi a leilão, e o pior só não aconteceu por conta da  burocracia. Já o Campinense só não tem bens imóveis bloqueados, porque nada está registrado em seu nome, embora tenha endereço certo e sabido por todos.  Nem o  cartório de registro de imóveis revela  quem é o proprietário  do Estádio Renatão.  É um enigma.

Entretanto é justo concordar de que Campina Grande é uma cidade com vocação pro futebol. Quem nasce aqui, se os pais gostam de futebol, e a maioria gosta, ou é Galo ou é Raposa. Campina também registra uma média de público nos estádios de causar inveja a clubes da primeira divisão do futebol brasileiro.

O que falta  aos nossos clubes é calendário pra jogar o ano inteiro com rentabilidade. Alterar o calendário, riscando do mapa as  séries A,B,C e D seria uma medida necessária. Cada região faria a sua competição durante cinco meses,  a exemplo dos campeonatos do Nordeste, Sul e Sudeste,  com primeira e segunda divisões. Em seguida seria disputado um Campeonato Brasileiro  também com duração de cinco meses, com três divisões, contando com os melhores clubes classificados nas regiões, desde que as menores tivessem pelo menos 3 vagas,  pondo um final nos  deficitários estaduais.

Isso resultaria em  recursos substanciais  para os clubes, já que além do campeonato  brasileiro os   jogos  regionais   teriam repercussão  na grande mídia nacional, tamanho seria o interesse do telespectador e do anunciante . A exemplo do que  ocorreu num passado recente quando Treze e Botafogo recebiam  gordas cotas  da Liga do Nordeste.

                                                                                                                                                                        Caberia  então a CBF cuidar da seleção brasileira e do campeonato brasileiro.  As ligas ficariam com a gestão  das competições regionais.  Mas como os grandes não sonham em dividir nada com os pequenos, ideias que surgem pra mudar esse contexto dantesco jamais são acatadas. Sequer são discutidas.  O grande não quer repartir o pão com o pequeno. O venha a nós é o que prevalece. Concluímos afirmando de que o  futuro do  nosso futebol está  devidamente atrelado ao do nosso País. Falta confiabilidade. Falta esperança.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Roberto Hugo

* Comentarista esportivo.

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