Cadeirante emocional

Estevam Fernandes. Publicado em 20 de janeiro de 2019 às 10:48

Com alguma frequência, estou embarcando em algum aeroporto do Brasil. Me chama a atenção é o crescente número de passageiros cadeirantes. Impressiona o fato de que, mesmo não tendo plena mobilidade, viajam. Não se deixam vencer pelas dificuldades e nem permitem que uma limitação física lhes roube o direito de ir e vir, ainda que, para isso, necessitem de alguém que empurre a cadeira ou os carregue nos braços. Precisam de uma cadeira de rodas sim, mas não se prendem a ela. Superam-se!

Enquanto há pessoas que se deslocam de um lugar para outro em busca de alegria para sua alma – mesmo enfrentando obstáculos e tendo que superar seus  limites -, outras há que facilmente se rendem às provações e ficam prostradas diante de situações emocionais adversas. O sofrimento as deixam melancólicas, de alma pesada. Essas pessoas passam a viver como “cadeirantes emocionais”, esperando que alguém as carregue pelos corredores da vida. Tornam-se dependentes dos braços alheios.

Cadeirante emocional é alguém que se encontra preso a uma cadeira de rodas diferente, não mecânica, emocional. São pessoas que desistiram de viver porque não souberam lidar com os sofrimentos que a vida lhes fez passar. Perderam a mobilidade interior, não sonham mais. Entregaram-se à melancolia e à prostração. Vivem sentadas sobre suas próprias dores e são pesadas de alma.

Pessoas assim, geralmente, são negativas e amargas. Dependentes afetivos. Necessitam de babás emocionais, de alguém que os acaricie a alma e impulsione para uma vida melhor. Vivem acorrentadas por sentimentos mesquinhos que há anos armazenam no coração. Padecem de memória mórbida, uma vez de mágoas que as mantêm presas a um passado povoado de lembranças tóxicas. Precisam se livrar de tudo que prende a alma para romper com a condição de cadeirantes emocionais.

Para que isso aconteça é indispensável fé e força de vontade na busca da superação de toda dor. É preciso determinação, largar a cadeira emocional e recuperar a mobilidade interior para deixar a alma livre outra vez. Jesus Cristo disse a um certo cadeirante: ” Levante-se e ande!”, ele saltou para a vida. Levante-se agora você também! Liberte a sua alma! Seja leve! A leveza é parceira da mobilidade. Movimente-se!

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Estevam Fernandes

Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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