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Bolas de carne em festas de casamento!

Jurani Clementino. Publicado em 28 de dezembro de 2018 às 10:47

Na crônica da última sexta-feira, ao tratar sobre as festas de casamento nas comunidades rurais, muitas pessoas fizeram uma observação que julgo importante tratar aqui. Na verdade os ouvintes/leitores, sempre exigentes, reclamaram, com razão, pelo fato de eu não ter mencionado uma das comidas mais cobiçadas nestas ocasiões festivas. Confesso que ainda hoje não sei a onde estava com a cabeça por ter esquecido o meu alimento preferido em festas de casamento. Todo mundo, ainda hoje, sabe que se eu estiver numa dessas celebrações no meu prato não pode faltar às tradicionais bolas de carne cobertas com clara e gema de ovos batidos.

Mas é provável que inconscientemente eu não tenha tratado sobre esse alimento na crônica da última sexta-feira, porque ia exigir de mim mais tempo para explicar todo o processo que envolve a produção das tais bolas de carne. Hoje eu poderia dizer que aquela comida dos deuses receberia facilmente o nome requintado de “polvilho de carne a milanesa”. Já que se tratava de carnes trituradas que eram envolvidas ou cobertas com clara e gema de ovos batidos misturados a farinha de mandioca, sal e especiarias como pimenta, alho, cebola e coentro.

No geral era um processo trabalhoso que envolvia o esforço de muitas mulheres, especialmente para bater os ovos e moer a carne. As mais comuns eram as bolas com carne de frango, mas fazia-se também com carnes de porco e de gado. Esses produtos eram cozidos e em seguida triturados no moinho. Enquanto isso dezenas e, às vezes, centenas de ovos eram batidos e misturados aos temperos e a farinha de mandioca. Somente na hora de levar ao fogo é que se juntavam as bolas feitas com a carne com aquela espécie de omelete temperado. Aquele processo consumia um óleo danado e as cozinheiras passavam horas ao pé do fogão fritando as centenas de bolinhas de carne.

Por ser um alimento bastante cobiçado, após a fritura, elas eram colocadas em lugares inacessíveis como em cima da “meia parede”, armários com chaves, até a hora da comida ser servida aos convidados. Era a única garantia de que elas não seriam devoradas por jovens, crianças e adultos famintos antes mesmo da festa começar. Espero ainda ter me lembrado com algum detalhe de como era feito esse produto para aquelas ocasiões. Confesso que nunca fiz, mas observava atentamente e com água na boca, as cozinheiras trabalhando e aprendi que o processo, com alguma variação, se dá dessa forma. Só de escrever essas linhas aqui me deu uma vontade danada de, novamente provar, as tradicionais bolas de carne, servidas em festas de casamento.

Dado esse recado aproveito para desejar um feliz ano novo a todos os ouvintes e leitores e, rogar ainda, que 2019 seja um ano festivo.

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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