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BOECHAT: O jornalismo e a lacuna de um soldado

Ribamildo Bezerra. Publicado em 11 de fevereiro de 2019 às 22:02

Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.

George Orwel

A vida vale a pena por cada segundo vivido, desde que dado o grau de honestidade que ela merece. O Brasil sente o impacto da morte de Ricardo Boechat, numa dose cavalar de dor e perda, algo que transpassa a tragédia que ceifou à sua vida, assim como a do piloto do helicóptero, Ronaldo Quattucci, 56 anos.

Ricardo era um dos poucos pavios curtos, diga-se de passagem, de um jornalismo que faz falta por ser provocador, reflexivo e impulsivo no melhor sentido que esta última palavra possa ter, para os demais colegas de ofício.

Uma voz crítica, com neurônios afiados, Boechat exercia seu papel de bússola a apontar caminhos para um OPINIÃO PÚBLICA tão desnorteada em meio a paixões e ódios superficiais quanto o censo crítico praticado em rede social.

Era um jornalista ‘NU’, que na seara do seu ofício se despia das paixões, para se ater aos fatos, e olhe que maturar de conjecturas a fatos, o que não faltava era pesquisa/checagem. Sendo cria de um dos mais importantes colunistas e críticos da década de 70 no Rio de Janeiro, Ibrahim Sued, “Ademã, que eu vou em frente”, Ricardo tinha no telefone seu passaporte para o mundo. Na prática, deu à sua carreira dois importantes pontos…um leque de fontes para lá de invejável, verdadeiro indicativo de credibilidade de um jornalista, e a checagem quase que paranoica de suas informações, em tempo onde até FAKE NEWS de verdade é difícil encontrar no Brasil.

O silêncio de Boechat, passa a ser o silêncio da inteligência, da arguição, mesmo que contrariando o meu olhar, o admirava pelo estofo que trazia, a crítica mais ferrenha, ao olhar mais analítico. Nada, nenhuma opinião emitida estava desprovida de dados e fundamentação. Por isso como máxima, para Ricardo Boechat, não existia palanque para otário, que o diga certo líder religioso que procura até agora uma POMBA-ROLA a pedido do próprio jornalista.

O ringue do debate no Brasil, fica hoje mais pobre, desencorajador, quase injusto, pois enquanto um provocador morre, é o odiento forjado na desinformação que avança, rasgando de forma vil o mínimo senso de humanidade. Exemplos como do economista Renato Maciel que publicou no seu twitter que lamentava apenas um comunista ter morrido quando poderia ter sido mais, assim como um ilustre professor de História em nosso Estado, que por achar Ricardo um fascista, que espera agora a vez dos próximos que seguiam a sua linha.

Na prática onde não existe a informação, é o ódio que ocupa o espaço. Ricardo Boechat deixa um legado da contínua luta que faz do jornalismo e da liberdade de imprensa um pilar tão fundamental em nossa sociedade, que a ausência dela é sinônimo de uma patologia ainda mais séria, a de uma comunidade maniqueísta e polarizada, tendo as paixões como os únicos horizontes a serem enxergados.

Fica a lição para os nossos órgãos representativos de Imprensa, que em tempos onde notícia falsa fala mais do que os fatos, ainda se omitem batendo continência para a inércia crítica e a indiferença.

A imprensa brasileira se torna menos aguerrida com esta lacuna, pois é de ideias e coragem que ela é feita. É preciso retomar o caminho do amor aos fatos, do estímulo ao pensamento, da negação à conveniência. Parecemos GENIS, mas não somos. Desagradar os interesses e fazer valer o verdadeiro papel de um jornalista, valer a SOBERANIA da máxima que diz: CÉU DE JORNALISTA É TIRAR A OPINIÃO PÚBLICA DO INFERNO. Valeu, BOECHAT. Missão cumprida.

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