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Biliu de Campina no “Zabumba Lá”

Noaldo Ribeiro. Publicado em 23 de maio de 2022 às 8:53

Há tempo que não me emocionava, a não ser quando “…estou à flor da pele\que qualquer beijo de novela\ me faz chorar…”, no dizer de Zeca Baleiro, enriquecendo a obra prima, Vapor Barato, de Wally Salomão.

Qual foi a minha surpresa ao assistir, em preto e branco e em cores, o Projeto Zabumba Lá, elaborado pela SECULT\CG – iniciativa que visa homenagear artistas representativos da nossa cena artística e cultural.

Por conta de algumas questões de ordem pessoal, não tenho navegado nas redes sociais, de forma que pouco tenho tomado conhecimento do que vem se passando na cidade de Biliu.

Os louros destinados ao artista de Paus Branco, então pertencente ao município de Campina Grande, não apresentou maiores sofisticações tecnológicas, mas, bem melhor, lotou o Teatro Municipal Severino Cabral, enchendo-o, também, de emoção não apenas para o laureado, mas também para o público.

Um cerimonial, sem nem um pouco de cerimônias, conduziu à noitada descontraidamente, fazendo, enquanto durou o espetáculo, a plateia esquecer-se do tempo. Foi tudo na medida certa, sem faltar um milímetro de ausência ou excesso.

No roteiro calibrado, revezaram-se vídeos e músicas do chamado “Maior Carrego do Brasil” que convergiam para um clima de apreço sem apelações ou pieguices.

Artistas contemporâneos, do seu tempo, ou não, interpretaram suas músicas, sempre arrancando aplausos, puramente movidos pela espontaneidade – amparada pela criatividade de sua poética cantada e pela bela performance dos intérpretes.

Dos vídeos apresentados, um chamou-me a atenção. Bráulio Tavares, inconteste intelectual de nome reconhecido nacionalmente, cravou um novo adjetivo ao que chamamos de “Dinossauro do Forró”. Tavares, desta feita, batizou-lhe como o “Punk do Forró” – um artista que punha a radicalidade de suas raízes musicais em detrimento das diretrizes da indústria cultural.

Essa alcunha, do autor da Hipótese do Hipopótamo Tartamudo define bem as oportunidades desperdiçadas por Biliu ao longo de sua caminhada. Não aproveitou, ou não quis aproveitar, as chances que se apresentavam à sua frente.

Neste particular, sou testemunha ocular. Contudo isso é assunto para outra oportunidade. O que importa, agora, é que o contingente de pessoas que ocuparam todas as poltronas do Municipal era de vários extratos sociais e idades, o que vem a realçar que o velho Biliu continua sendo.

Prova é que, quando o jovem Felipe cantou Galope Diferente, a plateia se energizou, bem como, quando no final, todos os artistas voltaram ao palco, fechando a noitada que certamente povoará a memória de quem esteve presente.

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