Fechar

Fechar

Bethânia  

Jurani Clementino. Publicado em 10 de junho de 2017.

POR: Jurani Clementino

Ao contrário de milhares de fãs de Maria Bethânia, eu conheci essa diva da música popular brasileira ao vivo. Isso mesmo, a primeira vez que vi Bethânia foi ali, frente a frente. O cenário era perfeito: as areias do litoral paraibano. Sou um homem de sorte. Mas também sou um homem atrasado. Esse meu encontro com Bethânia foi recente.

Não tem dez anos. Era janeiro de 2011. Por mais de três décadas Bethânia foi pra mim uma ilustre desconhecida. Sério! Eu era analfabeto de Maria Bethânia. Sobre ela não sabia exatamente nada. Não me pergunte como isso foi possível. Não saberia responder. Mas enfim, antes tarde do que nunca.

Voltemos a 2011. João Pessoa, Praia do Cabo Branco. Ela estava lá. Exigente e abusada como sempre. Reinando absoluta no palco. Reclamando dos músicos. Ameaçando não seguir com o show se a iluminação não colaborasse. Bethânia assusta. Ela mete medo. É a própria representação do que seria exigência.

No palco, centenas, milhares de pétalas vermelhas. Sobre essas flores despedaçadas ela pisava com seus pés descalços. E cantava. Cantava como se rezasse. Eu só ouvia orações. Também declamava versos. Entre uma música e outra, Bethânia era poesia. Aquilo foi me hipnotizando. Chovia muito naquele dia. Mas nada me incomodava. O show era “Amor, Festa Devoção”. Fui tomado por aquela magia.

Tudo isso foi possível quase por um acaso. Minha vida eh uma sucessão de acasos. Dispenso, religiosamente, alguém que queira coloca-la em ordem. Nada de Master Coach. Adoro o acaso. Ele nos dar vida. Alimentam-nos com surpresas.

Enche de charme essas vidinhas sem graça. Chega de vida regrada. Mas vou fazer justiça. Devo isso a um amigo. O nome dele é Tiago. Tiago Silva. Não, não é o jogador. Nem deve gostar de futebol. Foi o Tiago quem me convidou a ir a esse show. Rachamos a gasolina com alguns outros amigos dele e, daquele dia pra cá não sou a mesma pessoa. Nunca fui.

Naquele dia, naquele momento, com os pés nas areias da praia, eu descobri o universo sedutor, musical, encantador da irmã de Caetano Veloso. Da filha de Dona Canô. Da baiana de Santo Amaro. Bethânia tem sido uma revelação pra mim.

Ela me exorciza. Sua voz me tranquiliza. Seu repertório me completa. Sua poesia me liberta. Bethânia me devorou. Em 2015 estive novamente frente a frente com ela. Vinte e quatro de outubro de 2015, Teatro Pedra do Reino. Show Abraçar e Agradecer. Ah, Maria Bethânia.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

falecom@fhc.com.br

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube