Benedito Antonio Luciano: Vestibular – estudos, lição e aprendizado

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 19 de novembro de 2019 às 10:37

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

Em 1972, ao concluir o Curso Científico no Colégio Estadual da Prata, aprofundei os estudos com o objetivo de participar do certame do vestibular para ingressar no curso de graduação em Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, atual Universidade Federal de Campina Grande – UFCG.

Aos que, assim como eu, optaram pela Área I – Tecnologia, foram submetidos às provas de Português; Língua Estrangeira (escolhi Inglês); O. S. P. B (Organização Social e Política do Brasil) e Moral e Cívica; Física e Química; e Matemática.

Para efeito de classificação dos candidatos, no processo de avaliação das provas foram atribuídos os seguintes pesos: Português (2); Língua Estrangeira (2); O. S. P. B. e Moral e Cívica (1); Física e Química (2); e Matemática (3).

Essas e outras informações importantes estavam descritas de forma detalhada e objetiva no Programa editado e publicado pela Comissão Executiva do Concurso Vestibular da UFPB.

Do Programa de Língua Portuguesa, além do conteúdo gramatical, havia a sugestão de leitura de cinco obras literárias as quais li com grande prazer: Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida; Dom Casmurro, de Machado de Assis; Os velhos marinheiros, de Jorge Amado; São Bernardo, de Graciliano Ramos; e Fogo morto, de José Lins do Rego.

Do Programa de Inglês, me dediquei aos estudos sobre os principais elementos gramaticais, expressões idiomáticas, exercícios de leitura e tradução simples, utilizando estruturas e vocabulário básicos.

No tocante ao conteúdo de O. S. P. B. e Moral e Cívica, me limitei a estudar as anotações feitas em meus cadernos relativas ao que fora ministrado pelos professores.

Para a prova de Física, embora minhas preferências fossem por eletricidade, magnetismo e ótica, revisei todos os assuntos. Nesses estudos, os livros utilizados foram: Física, Volumes I (Mecânica), II (Termodinâmica) e III (Eletricidade e Magnetismo) de Beatriz Alvarenga e Antônio Máximo; Eletricidade de L. P. M. Maia; e Física na Escola Secundária, de Oswald Blackwood, Wilmer Herron e William Kelly. 

Na Química, também, revisei todo o conteúdo, mas a minha preferência era por Química Orgânica. Neste particular, o livro que utilizei e que preservo em minha estante foi Química Orgânica, de autoria de Renato Garcia de Feitas e Carlos Alberto Coelho Costa.

Matemática, era a matéria que eu mais gostava de estudar. Nela, metaforicamente, apostei todas as minhas fichas nos estudos preparatórios para vestibular, já que o peso era 3 e, nesse particular, eu vinha me preparando desde o primeiro ano científico.

Os livros de matemática eram bons e tive bons professores ao longo dos três anos do curso científico. Dos professores guardo boas lembranças. Dos livros, preservo três exemplares em minha estante: Curso de Matemática, de Manoel Jairo Bezerra; Trigonometria, de Herbert F. Pinto; e Matemática no Segundo Ciclo, de Sylvio Andraus e Udmyr P. Santos.

Para o vestibular, estudei todo o conteúdo previsto no programa específico para matemática: conjuntos, relações, funções, trigonometria, geometria, análise combinatória, matrizes, determinantes, noções sobre cálculo das probabilidades, progressões aritméticas e geométricas, polinômios e equações algébricas. 

Quando chegou a oportunidade de fazer as provas eu me sentia seguro e preparado. Fiz todas as provas com serenidade. Entretanto, talvez por excesso de autossuficiência, ao tentar resolver todas as questões de matemática, posterguei as anotações das respostas no cartão destinado para esse fim. 

Então, quando dei por conta, fui avisado que faltavam cinco minutos para entregar ao fiscal a prova e o cartão com as respostas assinaladas. Mesmo assim, ainda perdi tempo tentando resolver o último problema. Resultado: tive que entregar o cartão com pouco mais da metade das questões assinaladas e, como consequência, a minha menor nota no vestibular foi em matemática. 

Mesmo assim, devido às boas notas obtidas nas outras provas, fui aprovado numa boa colocação para o primeiro período e poderia ter ficado entre os primeiros lugares. Nunca esqueci esse incidente. Paguei o preço da soberba. Ficou a lição e restou o aprendizado, pois “a soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda (Provérbios 16:18).

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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