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Benedito Antonio Luciano: Vaidade, inveja e ambição

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 4 de novembro de 2019 às 11:12

Foto: Leonardo Silva/ Paraibaonline

Vaidade, inveja e ambição são três sentimentos humanos dos quais o mais beneficiado é o “establishment”, termo em inglês relacionado com os sistemas políticos, econômicos, religiosos, educacionais e ideológicos que regem a sociedade ou Estado.

As clínicas estéticas, a indústria e o comércio de cosméticos prosperam e faturam cada vez mais impulsionadas pela vaidade. Explorar a vaidade é a base de muitas propagandas veiculadas nos meios de comunicação.

A vaidade, também, tem servido de motivação para que muitos pesquisadores busquem, a qualquer custo, aumentar o número de artigos publicados e a partir desse quantitativo aferir o seu suposto sucesso profissional, fazendo disto a razão de ser de sua vida, sem atentar que na vida tudo passa.

O fato é que em muitas situações, a vaidade desperta inveja; e a inveja, por sua vez, desperta a ambição, a soberba, a petulância, o orgulho, a arrogância, a competitividade desmedida, a avareza e, ultrapassados os limites da razoabilidade, a inveja traz consigo a infelicidade.

Ultrapassar os limites da razoabilidade é o que ocorre, por exemplo, com os dependentes químicos, seja de drogas lícitas ou ilícitas. E todo cristão sabe que a inveja e a vaidade estão entre os sete pecados capitais.

A ambição, embora não esteja entre os pecados capitais, precisa ser mantida sob controle, pois ela pode ser fonte de frustação, sobretudo para quem não tem equilíbrio emocional para conviver com situações nas quais a meta pretendida não foi alcançada.

Entretanto, a ambição, em si, pode não ser ruim. Pelo contrário, ela pode impulsionar a pessoa a não se acomodar, a sair da denominada zona de conforto, a ir além, a progredir na vida e, assim, ter condições materiais de ajudar aos seus semelhantes.

A inveja, não. Ela é um sentimento de inferioridade muito ruim. Metaforicamente, manter o sentimento de inveja dentro de si é como se alimentar de veneno, pois ela é corrosiva. A inveja está ligada a outro sentimento: o egoísmo.

Citando uma frase atribuída à atriz e escritora estadunidense Carrie Fisher: “A inveja é como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra”. Ora, se o Sol brilha para todos, é inútil tentar querer, de forma egoísta, que essa luz brilhe só para si.

Ainda se referindo ao ambiente acadêmico, é comum encontrarmos pesquisadores que invejam os outros e, sem perceberem, agem como crianças mimadas. Aquelas que, mesmo tendo os seus brinquedos, brigam para tomar os brinquedos dos outros. Um desses “brinquedos” pode ser um laboratório, por exemplo.

Felizmente, nem só de invejosos e egoístas são constituídos o mundo acadêmico e o mundo coorporativo, público ou privado. Ao longo de minha carreira profissional, que ultrapassa quatro décadas, encontrei colegas mesquinhos, mas encontrei, também, colegas generosos que me ajudaram quando necessitei de apoio.

A todos eles expresso a minha gratidão. Aos generosos pelo exemplo a ser seguido e aos invejosos, mesquinhos e egoístas pelo contraexemplo.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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