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Benedito Antonio Luciano: Tentações no deserto

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 30 de abril de 2020 às 13:02

Na Bíblia Sagrada, os evangelistas Mateus (4:1-11), Marcos (1:12-13) e Lucas (4:1-13) narraram, cada um no seu estilo, as tentações a que Jesus Cristo foi submetido durante o período de quarenta dias e quarenta noites que ele passou no deserto da Judeia, jejuando e orando.

Em Marcos, a tentação é narrada, de forma sintética, após a descrição do batismo de Jesus por João Batista, nas águas do rio Jordão: “E logo o Espírito o impeliu para o deserto. Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia de animais selvagens. E os anjos o serviam”. 

Em Mateus e Lucas, as tentações são descritas com mais detalhes. Nelas estão incluídos os diálogos entre o tentador e Jesus. Na primeira: “Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães”, teria dito o demônio, ao que Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”.  

Na segunda, o demônio levou Jesus a um local elevado em Jerusalém e disse-lhe: “Se és Filho de Deus, lança daqui abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra”. E Jesus respondeu: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus”. 

Na terceira, o demônio transportou Jesus a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos da terra, e disse-lhe: “Eu te darei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares”. Jesus, então, respondeu: “Para trás satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”. 

Depois de as tentações do demônio terem sido rechaçadas por Jesus, o tentador se afastou e só voltou a importunar Jesus no tempo de Sua Paixão, quando Ele estava pregado na cruz. 

Baseado nessas passagens da Bíblia, foi realizado o filme “Last days in the desert”, lançado nos Estados Unidos, em 2016. Filme esse que no Brasil recebeu o título “Últimos dias no deserto”. 

Para quem assistiu “O Evangelho Segundo São Mateus” (“Il vangelo secondo Matteo”), do cineasta italiano Pier Paolo Passolini, lançado em 1964, há de perceber as grandes diferenças entre os dois filmes. No filme de Passolini é realçada a dimensão humana de Jesus, seguindo o roteiro fiel aos relatos dos evangelistas, tendo Jesus como protagonista principal.

No filme “Últimos dias no deserto”, do cineasta colombiano Rodrigo García, o protagonismo principal fica por conta do demônio, em flagrante desacordo com os relatos bíblicos. Pois, mesmo sob condições físicas precárias, decorrentes do jejum e da aridez do deserto, o filho de Deus se manteve firme, enfrentando as tentações do demônio.

Além destas diferenças, talvez a diferença mais profunda entre os dois filmes é que o dirigido por Passolini é uma obra prima, enquanto “Últimos dias no deserto” é apenas um filme pretensioso, ideologicamente comprometido com o ateísmo e, sob vários aspectos, abaixo do regular.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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