Benedito Antonio Luciano: Sinfonia Pastoral

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 20 de fevereiro de 2020 às 11:25

A sinfonia número 6 em Fá Maior, Op. 68, conhecida como “Pastoral”, foi composta por Ludwig van Beethoven, no mesmo período em que ele, paralelamente, desenvolvia a composição da sinfonia número 5. 

A primeira apresentação da quinta e da sexta sinfonia se deu na mesma data, 22 de dezembro de 1808, em Viena. 

A “Pastoral”, a mais bucólica e uma das mais originais sinfonias composta por Beethoven, é formada por cinco movimentos.

O primeiro, “Despertar de sentimentos alegres ao chegar ao campo”, é um “Allegro ma non troppo”, expressão italiana utilizada para denotar que o andamento deve ser “rápido, mas não muito”.  

Nesse movimento o tema é exposto de forma suave, em forma de sonata, explorando uma pequena célula rítmica que se repete como a querer imprimir a ideia de uma Natureza cíclica que não se altera. Nele, os instrumentos predominantes são os violinos, apoiados pelas notas graves dos violoncelos e dos contrabaixos, contracenando com a suavidade sonora dos oboés, clarinetes e fagotes. 

O segundo movimento, intitulado “Cena à beira do regato”, é um “Andante molto mosso”. O “Andante” é um andamento moderado. Nele, a sensação que passa é de uma longa contemplação. O ritmo é de valsa.  Os instrumentos predominantes são os metais (trompas), as cordas (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos) e as madeiras (flautas, oboés, clarinetas e fagotes). 

Nesse movimento destaca-se o artifício utilizado por Beethoven para representar os elementos da Natureza, tais como: o trinado dos pássaros, o movimento das folhas das árvores e das águas do regato. Para tanto ele lançou mão dos timbres do clarinete e do oboé, assim como da flauta e dos violinos.

O terceiro movimento, “Reunião alegre dos camponeses”, é um “Allegro”. Nele há ritmos de danças camponesas, executadas por violinos, violas, oboés, fagotes, clarinetas, trompetes e trompas, suportados pelo acompanhamento da orquestra.  Esse movimento, que começa alegre, termina com uma espécie de tremor como se anunciasse o que estaria por vir: a tempestade.

O quarto movimento, denominado “A tempestade”, é também um “Allegro”. No início, o flautim (piccolo, pequena flauta) anuncia o sentimento de medo ante a tempestade que se aproxima. 

Nesse movimento, ventos, raios e trovões são representados de forma assustadora. O clímax da tempestade é representado por um forte trinado dos tímpanos. Em seguida, com o passar da tormenta, aos poucos a chuva vai se dissipando e pode-se ouvir o som mais suave dos últimos pingos que gotejam. A tempestade sai de cena, dando lugar à música do último movimento em um clima de serenidade.

O último movimento, “Sentimentos de alegria e de gratidão após a tempestade”, é um “Allegretto”, caracterizado por um ritmo moderadamente rápido. Nele percebe-se uma profunda sonoridade poética e uma grande serenidade contemplativa. 

Nesse movimento, além de um primoroso acompanhamento orquestral, destacam-se os “pizzicatos” das violas, violoncelos e contrabaixos em contraponto com a exibição temática do primeiro violino. Antes do final, quando todos os elementos da orquestra entram em ação (“tutti”), há um diálogo consistente entre as cordas e o acompanhamento das madeiras e dos metais, culminando como um verdadeiro hino à Natureza e ao seu Criador.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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