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Benedito Antonio Luciano: Serenata chinesa e o gato na tuba

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 11 de dezembro de 2020 às 10:23

Nascido no Rio de Janeiro, em 29 de março de 1907, Carlos Alberto Ferreira Braga foi um dos mais expressivos e profícuos compositores na música popular brasileira.

Segundo Jairo Severiano, no livro “Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade”, Carlos Alberto foi o primeiro dos sete filhos do casal Jerônimo José Ferreira Braga Neto e Carmen Beirão Ferreira Braga.

Conforme o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, quando criança, o futuro compositor morou nos bairros cariocas da Gávea, Botafogo e Vila Isabel. Consta, também, que entre os amigos passou a ser chamado de Braguinha, nome pelo qual tornou-se conhecido no meio musical, e que teria adotado o pseudônimo de João de Barro para evitar constrangimentos familiares.

Famoso pelas marchinhas de carnaval, João de Barro compôs, só ou em parceria, letras de grandes sucessos, tais como: “Moreninha da praia” (1933); “Mané fogueteiro” (1934); “Cantoras do rádio” (1936), com Lamartine Babo; “Carinhoso” (1937), com Pixinguinha; “Touradas em Madri” (1938), com Alberto Ribeiro; “Copacabana” (1946), com Alberto Ribeiro; “Pirata da perna de pau” (1947); e “Chiquita bacana” (1949), com Alberto Ribeiro.

No Vol. 1: 1901- 1957, de “A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras”, de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, está escrito que a ideia de compor “Chiquita bacana” partiu de João de Barro, que propôs a Alberto Ribeiro aproveitarem o existencialismo como motivo de uma marchinha.

Na realidade, a ideia inspirava-se na imprensa da época que explorava com frequência o existencialismo de Jean Paul Sartre, Albert Camus e Simone de Beauvoir e, principalmente o lado dos “existencialistas” boêmios parisienses e seus costumes exóticos.

No carnaval de 1949, ofuscada pelo sucesso de “Chiquita bacana”, houve o lançamento de uma composição de João de Barro, intitulada “Serenata chinesa”, gravada pelo cantor Nuno Roland, em 13 de outubro de 1948. Dessa gravação, além da interpretação segura de Nuno Roland, destacam-se o arranjo e a letra. Os acordes iniciais lembram uma melodia chinesa, mas depois há uma mudança no andamento e entra o ritmo de marchinha de carnaval.

A primeira vez que ouvi “Serenata chinesa” foi na voz de minha mãe. Segue a letra: “O chinês Patchouli/ Toca flauta de bambu/ Quando acaba de tocar/ Guarda a flauta no baú// Certa noite de Pequim/ Eu peguei meu violão/ E fiz uma serenata/ Bambarão, barão, bão, bão//Mas a linda chinesinha/ A sorrir me disse assim:/ Gosto bem mais do flautim do meu Chim/ Que faz fim, firim, fim, fim”.

Outra marchinha divertida composta pela dupla João de Barro e Alberto Ribeiro e que minha mãe gostava de cantar era “Tem gato na tuba”, música gravada por Nuno Roland, em 1947: “Todo domingo/Havia banda/ No coreto do jardim/ E já de longe/ A gente ouvia/ A tuba do Serafim/ Porém um dia/ Entrou um gato/ Na tuba do Serafim/ E o resultado/ Dessa “melódia”/ Foi que a tuba/ Tocou assim:/ Pum, pum, pum – miau/ Pum, pururum, pum, pum – miau/ Pum, pum, pum – miau/ Pum, pururum, pum, pum. ”

A musicografia completa de João de Barro é ampla. Nela estão incluídas obras dos mais variados gêneros, dentre as quais duas belíssimas versões de composições de Charlie Chaplin: “Luzes da ribalta” (1953), com Antonio Almeida, e “Sorrir” (1955), composta originalmente por Charlie Chaplin, John Turner e Geoffrey Parsons, sob o título “Smile”.

Além das várias composições musicais, só ou em parceria, João de Barro também compôs letras para histórias infantis, deixando, com a sua morte, um dos maiores legados para a música popular brasileira.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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