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Benedito Antonio Luciano: Sapo galante, motes e glosas

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 11 de março de 2021 às 9:47

Desde quando o colega Pablo Javier Alsina era solteiro e morava em Campina Grande – PB, compartilhamos ideias poéticas e algumas delas foram convertidas em músicas, motes e glosas; umas publicáveis e outras para o consumo interno.

O exemplo de uma música que fizemos em parceria é a que intitulamos “Sapo Galante”. Em, 4/2/1994, compus os versos da primeira estrofe e, por telefone, declamei para Pablo. Como ele gostou, propus que juntos concluíssemos a letra, o que foi feito em 11/2/1994, na minha residência. Segue a versão final da letra desse baião inédito:

O sapo viu uma sapa/ Lá na beira da lagoa/ Por ser um sapo galante/ Foi logo dizendo loa./ Como a sapa não deu bola,/ O sapo seguiu a diante…/ Foi cantar noutra lagoa.//Sapo galã, ei sapo, sapo galante, (bis)//Aprenda a andar com jeito,/ Trate a sapa com respeito,/ Procure ser elegante.// Sapo galã, ei sapo, sapo galante, (bis)// O sapo não esperou/ A água se tornar boa;/ Foi muito precipitado,/ Errou a hora da loa./ Por isso ficou na mão/ E aprendeu uma lição:/ Pra conquistar coração/De uma sapa na lagoa,/ É preciso estar atento/ É preciso ter talento,/ Não cantar toada à toa.

No tocante aos motes seguem dois de minha autoria acompanhados das glosas feitas por Pablo Alsina – o argentino mais nordestino que conheço:

1) “Passa a Lua, passa o Sol e passam os astros/ Só não passa a saudade do meu bem” (Fevereiro, 2000).

2) “Como posso sentir-me assim tão triste/Se na vida eu nasci pra ser feliz? ” (Março, 2000).

Aqui, para o texto não ficar muito longo, são apresentados apenas os dez versos das primeiras estrofes baseadas nos motes citados.

“Passa o Mundo girando em carrapeta.
Passa a grande galáxia no infinito.
Passa um risco no Céu o meteorito.
Passa diáfana a cauda do cometa.
Passam treze asteroides no Planeta.
Passa o brilho da Estrela de Belém.
Passam três, passam trinta, passam cem,
mil estrelas cadentes nos seus rastros.
Passa a Lua, passa o Sol, passam os astros,
só não passa a saudade do meu bem”.
……………………………………….

“Pelo vidro molhado da janela,
escorrega uma lágrima brilhante.
As lembranças, mãos forte de um gigante,
que apertam um nó em minha goela.
Na poltrona, o gato, que era dela,
me observa com olhos de juiz.
Seu severo olhar, mudo, me diz
o fatal veredicto, dedo em riste:
como posso sentir-me assim tão triste,
se na vida eu nasci pra ser feliz?”.

Atualmente, Pablo Alsina é professor da UFRN, mora em Parnamirim-RN com esposa e filhos, e de nossa lavra poética bissexta, volta e meia, colhemos alguns frutos.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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